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O luxo de cada um: com Danilo Miranda e Silvio Meira

Por Redação

em 17 de setembro de 2012

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A Audi perguntou a seis pessoas, entre famosos e anônimos, o que suas áreas de atuação tem de mais valioso na tarefa de transformar o mundo em um lugar melhor para todos. Leia os depoimentos de Danilo Miranda, diretor do SESC e do professor Silvio Meira. 

 

Danilo Miranda

 

Por Carlos Eduardo Freitas e Carla Vianna

Neste ano, Danilo Miranda completa 28 anos à frente do Sesc (Serviço Social do Comércio) em São Paulo. Nesse período, foi ativo e bastante responsável pela transformação da entidade voltada para o bem-estar social em uma das mais respeitadas instituições culturais do país. Se tornou uma autoridade nacional em cultura e educação, assuntos que, para ele, devem caminhar de mãos dadas. “Não consigo ver um separado do outro. A cultura pode mudar uma sociedade”, afi rma. A tríade escola-professor-aluno é essencial, ele diz, mas não é suficiente. 

A cultura tem o papel complementar e nos ajuda a entender o mundo, o meio ambiente e tudo aquilo que foi transformado pelo homem . “Por isso digo que o luxo dos luxos é uma educação que atinja o maior número de pessoas, que nos ensine a usufruir da melhor maneira de tudo que a civilização e a natureza nos colocaram à disposição”, resume. “É a democratização do acesso, a qualidade com quantidade.” O discurso parece utópico – ele próprio usa essa palavra –, mas os resultados obtidos no Sesc-SP mostram que o sonho pode, sim, se tornar realidade. 

Semanalmente, as 30 unidades paulistas do Sesc atendem 300 mil pessoas que vão atrás de educação, cultura, saúde, lazer e assistência a preços acessíveis ou sem custo. “Educação está na limpeza, no aviso que penduro na parede, na informação que dou respeitando o outro, sem tratá-lo como uma criança”, explica Danilo. “Com boa educação você diminui custos de saúde, justiça e todo o resto”, afi rma o fl uminense de Campos, cujo nome ganha cada vez mais força para substituir a ministra da Cultura em Brasília. 

Ele diz não ter recebido convite e que não faz campanha para isso, mas que, se for chamado, ouvirá a proposta. Aos 69 anos e depois de quase três décadas à frente do Sesc-SP, o engajamento com as causas ligadas à cultura e à educação segue forte, algo perceptível pela empolgação com que fala do assunto. “Tenho convicção de que ainda posso fazer muita coisa. Seja no debate, na discussão ou espalhando essa ideia, que pode mudar o país.” 

 

Silvio Meira

Quando chega o fim de semana, o professor Silvio Meira, 57 anos, não atende nenhum de seus três smartphones. Estão programados para não tocar. As únicas exceções são seus fi lhos, sua esposa e sua mãe. Se estiver almoçando com seu fi lho Pedro, 10 anos, não adianta insistir. “Não atendo nem se for o papa”, diz o paraibano de Taperoá. Para quem não o conhece pode parecer antipatia, mas trata-se de seu maior luxo: só ler e-mail, redes sociais ou atender o celular em determinados horários.

“Se você não faz isso, em vez de usar os meios para facilitar e melhorar as coisas, eles te dominam”, explica ele, que é justamente professor titular de engenharia de software da Universidade Federal de Pernambuco e cientista-chefe do C.E.S.A.R. (Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife), uma das instituições de tecnologia mais respeitadas do país.

Há estudos que apontam patologias no uso de tecnologia. Na Universidade de Northampton, na Inglaterra, uma pesquisa aponta que 33% dos entrevistados sofrem de vício em tecnologia, a ponto de afetar seus relacionamentos e seus hábitos. Meira já sofreu desse mal e sabe das difi culdades para superar as tentações das maravilhas tecnológicas. “Uso e-mail desde 1981. Já passei pelo buraco negro. Passava o tempo todo na frente do computador apertando F5 para ver se chegava alguma coisa”, conta, lembrando-se dos tempos em que fazia doutorado em Kent, na Inglaterra.

 “O segredo é tomar as rédeas”, explica. “Para cada nova tecnologia, a sociedade passa um tempo para entender como funciona.” Em tempos como os nossos, em que a tecnologia avança cada vez mais rápido, domar as máquinas é questão de ordem até para o planeta. “As pessoas querem coisas novas justamente porque as mudanças são signifi cativas de uma versão para outra. Essa dinâmica traz um processo de aculturação e isso cria um rastro de lixo tecnológico cada vez maior. Aí, o luxo vira lixo.”

 

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