Por Redação
em 21 de setembro de 2005
No momento em que você lê estas linhas, uma centena de surfistas está sentada em suas pranchas, olhando para o outside, à espera da maior onda do mundo. Seja Jaws, Cortez Bank, Maverick´s ou na costa francesa, atletas dos quatro cantos do mundo aguardam sua vez de tentar dropar uma parede de água, fazer a curva e entrar direto na mitologia do surf. Em Jaws, Havaí, o mundial de tow-in está no período de espera. O sinal verde será dado assim que as ondas ultrapassarem 40 pés. Lá se encontram as duplas brasileiras formadas por Carlos Burle e Eraldo Gueiros, Rodrigo Resende e Danilo Couto, Sylvio Mancusi e o havaiano Manny Carabello. Rodrigo vem na condição de defensor do título, já que, em 2002 (no ano passado o swell não atingiu a violência necessária e, portanto, não houve o campeonato), foi campeão formando dupla com o havaiano Garret McNamara. Quem ficar com o caneco, embolsa 100 mil dólares. Mas, como em qualquer outro evento desse tipo, não basta ?querer? participar; o surfista deve ser ?convidado?. Para convidar, os organizadores levam em consideração a experiência do atleta em ondas grandes e reboque com jet ski. É assim também em Maverick´s, onde, depois de uma parada de dois invernos, Jeff Clark, o patrono do local anunciou que o Maverick´s Big Wave está de volta. Na lista de convidados, entre outros, Darryl (Flea) Virostko (vencedor dos últimos dois), Peter Mel e os brasileiros Carlos Burle e Rodrigo Resende. Quando o swell entrar, Clark vai ?bipar? os competidores, que então terão 24 horas para se apresentar. Burle, que está agora em Cortez Bank com o Billabong Odissey, um outro evento de ondas grandes, deve estar ligado no bip. A diferença entre o XXL Billabong Odissey e os outros é que, além de pagar ao vencedor mil dólares por pé de onda surfada, ele vai premiar com 1 milhão aquele que encontrar ? e dropar ? uma onda de 100 pés. As apostas foram abertas há três anos e, embora algumas paredes de mais de 60 pés já tenham sido domadas, ninguém ainda chegou perto do feito. Quando isso acontecer, não resta dúvida, o surfe terá entrado em uma nova dimensão, que nada terá a ver com aquela outra aberta em 1969 por Greg Noll. Noll, na tarde do dia 4 de dezembro daquele ano, entrou sozinho nas águas de Makaha, Oahu, Havaí. Ali, um swell épico, resultado de uma tempestade sem precedentes no Golfo do Alaska, quebrava diante de seus olhos. Embora estivesse, como contou depois, petrificado, remou para o outside e dropou o que até hoje é considerada a maior onda do mundo (sem a ajuda de um jet ski, claro). Saiu vivo, mas nunca mais foi o mesmo. Ele, que por 15 anos havia perseguido a maior onda do mundo, mudou-se para uma pequena cidade na Califórnia, virou pescador e nunca mais surfou. Ao contrário do frenesi que existe hoje, Noll estava sendo observado por meia dúzia de outros surfistas apenas. E por Shaun Tomson sul-africano campeão mundial em 1977, que filmou em super-8 o feito. A passagem, entretanto, nunca foi vista por ninguém. Tomson garante que não sabe onde colocou a fita. Noll, dizem, prefere assim. ?Ele não fez aquilo por dinheiro, fama ou glória. Fez porque tinha que fazer?, justifica o ?cinegrafista? Tomson. Mas isso era 1969. NOTAS RECONHECIMENTO ?Riding Giants?, um documentário sobre ondas grandes que fala sobre o dia épico em que Greg Noll surfou Makaha, abriu o Sundance Festival na noite do dia 16. Foi a primeira vez que um documentário foi escolhido para inaugurar o badalado evento. Acostumados à discriminação no Tour Mundial, os surfistas brasileiros agora sofrem para competir no próprio continente. Decidido em assembléia da ALAS (Asociacion Latinoamerica de Surf) atletas do país foram vetados para disputar provas profissionais no continente. A alegação: no Brasil já existem muitos campeonatos profissionais.
AGORA É AQUI
LEIA TAMBÉM
MAIS LIDAS
-
Trip
Bruce Springsteen “mata o pai” e vai ao cinema
-
Trip
O que a cannabis pode fazer pelo Alzheimer?
-
Trip
Entrevista com Rodrigo Pimentel nas Páginas Negras
-
Trip
5 artistas que o brasileiro ama odiar
-
Trip
Um dedo de discórdia
-
Trip
A ressurreição de Grilo
-
Trip
A primeira entrevista do traficante Marcinho VP em Bangu