Logo Trip

Nokia Trends

Money Mark e Asian Dub Foundation conversam com a Trip

Por Redação

em 3 de outubro de 2005

COMPARTILHE facebook share icon whatsapp share icon Twitter X share icon email share icon

Por Bruna Bittencourt

Depois de levar Fatboy Slim à praia do Flamengo, Chemical Brothers ao Pacaembu e trazer ao Brasil a versão itinerante do festival espanhol Sonar, o Nokia Trends realiza neste sábado, 24, um festival simultâneo entre Rio e SP. Com line-ups diferentes, o evento transmite os shows cariocas para os paulistanos e vice-versa. Para a versão paulistana foram escalados The Human League, da mesma turma de Soft Cell; !!!, banda nova-iorquina de punk, funk e disco; a DJ alemã de tecno Ellen Allien; entre outros. Já a cidade maravilhosa ficou com a dupla inglesa de house e hip-hop Audio Bullys; Money Mark, o ex-tecladista dos Beastie Boys que deu novos ares a sonoridade do trio nos discos Check Your Head e I´ll Communication; os ingleses ultra politizados do Asian Dub Foundation; para citar alguns. A Trip conversou com dois nomes que se apresentam no festival.


Money Mark é conhecido (informalmente) como o quarto Beastie Boy. Nos anos 90, quando já tinha trabalhado com os Dust Brothers (que produziram dois álbuns do Beck), descolou um emprego arrumando coisas na casa californiana do trio nova-iorquino e acabou como tecladista do grupo. No Rio, mostra seu trabalho solo, calcado em teclados e equipamentos vintage. Trip conversou com o multiinstrumentista, que segue a cartilha dos Beastie Boys que preferem as piadas às respostas nas entrevistas.
 
Trip Como vai ser seu show no Brasil?
Money Mark
O show vai ter animais gigantes que surgem inesperadamente, um grande número de raio laser e pirotecnia. Acho que o guitarrista também vai colocar fogo em sua guitarra.
 
Mas, além dos animais, o que podemos esperar do show? E o set list? Você vai tocar músicas de todos os seus álbuns?
Vou tocar todas as minhas músicas, vai ser um show de cinco horas… Não sei quanto tempo me deixarão tocar, dependo disso.

E o que você conhece sobre música brasileira? 
Bom, quando era menor ouvia Sergio Mendes, que costumava tocar no rádio. Quando cresci, comecei a me interessar mais e descobri Jorge Ben, os álbuns antigos, basicamente. Ouvi falar sobre os Mutantes também.  
 
O que você tem ouvido hoje em dia? 
Quase não ouço rádio ou música recente. Ontem ouvi Billie Holiday, escutei “Strange fruit”. Essa música sempre me dá arrepios. Não ouço música nova. Mario [o brasileiro Mario Caldato Jr., que produziu três álbuns dos Beastie Boys] me apresentou o Planet Hemp, que é recente, né? Não estou informado sobre o que está acontecendo, sobre a nova cena. 
 
Há algum artista do line-up do festival que você gostaria de ver – Asian Dub Foundation, Audio Bullys, X-Press 2?
Não sei nada a respeito dessas bandas. Eles usam samples, fazem música eletrônica, né? Vou tocar canções pops, leves. Acho que as pessoas vão jogar frutas em mim, mas eu não ligo.
 
Você consertava coisas dos Beastie Boys. Como você se tornou o quarto membro do grupo?
Não sou oficialmente um membro do grupo, são só os três – Mike D, MCA, Ad-Rock. Sou só um músico que os acompanha. Costumo tocar com eles quando eles saem em turnê, mas não estamos em turnê agora.
 
Mas você tocou em dois álbuns importantes do grupo, Check Your Head e I´ll Communication. Como isso aconteceu?
Eles me ameaçaram com uma arma, me colocaram numa caixa com os meus teclados e me forçaram a tocar.
 
Me fale sobre seu último álbum, Demo Or Demolition?
São só algumas demos que estavam no meu computador. Fiquei com vontade de organizá-las em um EP, mas nunca o distribuí no Brasil, não sei como meu trabalho repercute no país. Não tocarei nada do que costumo fazer com os Beastie Boys. Vou tocar canções do meu último álbum, Father Demo Square, um mix de canções pop. Acho que o público vai jogar mangas em mim, mas estou pronto para isso. Tenho uma cesta de frutas perto de mim. 
 
Você usa muitos equipamentos antigos em suas músicas. Qual o maior benefício deles?                                                Não existe beneficio, é um desperdício de dinheiro. Mas não usarei esses equipamentos no show, só levarei uma guitarra e cantarei. Peguei todos os meus teclados e coloquei em uma grande cesta.

Você viria ano passado para o Brasil se apresentar no sonarsound [versão brasileira do festival espanhol], mas, poucos dias antes do show, o rapper L-P  o substituiu. O que aconteceu?
O evento não me pagou, eu iria até aí para fazer um show de graça e teria que pagar do meu bolso para ir.
 
A Trip também conversou com Steve Chandra Savale, guitarrista do ADF. Ingleses, filhos de pais imigrantes, o grupo nasceu de um sound system. Na massa sonora do grupo, há elementos de dub, eletrônica, rock e vertentes asiáticas, como pano de fundo para letras de denúncia social. Leia abaixo a entrevista de Chandrasoni (como é conhecido), que já chegou a tocar guitarra com uma faca.
 
Trip Vocês fizeram alguns shows no Brasil, em 2001. O que você lembra dessas apresentações?
Steve
Lembro das coisas com grandes detalhes. Amei a turnê pelo Brasil. Na minha opinião, foi a melhor que nós já fizemos. Todos os aspectos da banda, como o som, o DJ, a banda, aconteceram da maneira como nós desejávamos.
 
Vocês tocaram com O Rappa. Como isso aconteceu?
Nós estávamos no mesmo festival que eles. Além disso, fizemos uma versão de uma das músicas deles, um remix [“Ram”, do álbum Instinto Coletivo]
 
Existe algum artista brasileiro com o qual você gostaria de tocar junto?
Bom, fiquei feliz com o que fizemos no Brasil. Tocamos com Afroreggae, Nação Zumbi, DJs como Marky, Patife, Bruno E. Gosto muito do álbum  São Paulo Confessions, de Suba, que infelizmente não está mais conosco. Mas tenho certeza de que existem muitas bandas que não conhecemos, mais com as quais gostaríamos de tocar. 
 
O que podemos esperar do show neste sábado no Brasil? Vocês vão tocar músicas de todos os discos?
Que seja ainda melhor do que o outro. Vamos tocar músicas de todos os álbuns, inclusive do Rafi´s Revenge [álbum que revelou o grupo]
 
O rap brasileiro é bastante político. Qual a sua opinião sobre o rap europeu?
Existem muitas tangentes de rap na Europa e muitos rappers. Gosto muito de Dizzee Rascal e The Streets [rappers ingleses]. O rap turco na Alemanha, por exemplo, eu acho bastante interessante.  
 
Os sons do ADF possuem muitos elementos do dub. Qual a relação do grupo com a música jamaicana?
Nós não temos uma linha de música muito defenida, mas gostamos muito de música jamaicana e artistas como Linton Kwesi Johnson, Horace Andy, Lee Perry, The Scientist.

Quais músicos que falam de política inspiram vocês atualmente?
Existem muitos artistas do passado de que gosto muito: The Disposable Heroes of Hiphoprisy, Sly and the Family Stone, Curtis Mayfield, The Specials, Public Enemy…  

Recentemente, vocês gravaram uma faixa ao vivo com o Chucky D [MC do Public Enemy].
Sim, “Black Stell in The Hour of Caos”. Nós fizemos esse show com ele em julho, em Londres, onde ela foi gravada. Foi onde gravamos a música. Foi brilhante.
Clique aqui  para saber mais sobre a programaçãoVai lá:
São Paulo
22h30 – Magal [DJ set]; 23h30 – Human League [live]; 00h30 – The Glimmers [DJ set]; 2 h – !!! [live p.a.]; 3h – Tiefschwarz [DJ set]; 5 h – Alter Ego [live p.a.]; 6 h – Ellen Allien [DJ set]; 8 h – Anderson Noise [DJ set]
Quando: 24/09, das 19 h às 8 h
Onde: Pavilhão Oeste do Anhembi [av. Olavo Fontoura, 1209 – São Paulo/SP]
Quanto: R$ 90 – censura: 18 anos

Rio de Janeiro
22h30 – Roisin Murphy [live]; 23h30 – Zegon [DJ set]; 00h30 – Money Mark [live p.a.]; 1h30 – Audio Bullys [DJ set]; 3h30 – Luomo [live]; 4h30 – X-Press 2 [DJ set]; 6 h – Carl Craig [DJ set]; 8 h – Mau Mau [DJ set]
Quando: 24/09, das 19 h às 8 h
Onde: Galpões 5 e 6 do Cais do Porto [r. Rodrigues Alves – praça Mauá – Rio de Janeiro/RJ]
Quanto: R$ 90 – censura: 18 anos

COMPARTILHE facebook share icon whatsapp share icon Twitter X share icon email share icon

LEIA TAMBÉM