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POR ALÊ YOUSSEF*
Na excelente entrevista para as Páginas Negras, o antropólogo Hermano Vianna declarou seu sonho: ver o Brasil se assumir como especialista em festa e fazer disso nossa principal fonte de renda. As pessoas do mundo todo viriam para cá para festejar e depois voltariam para seus países de origem felizes da vida. Desde a publicação dessa entrevista, essa questão se transformou no meu assunto preferido e diariamente repercuto a idéia da economia da festa em todos os papos que tenho sobre cultura e políticas públicas. O apoio é quase unânime. Os interlocutores, que a princípio levam na brincadeira o país baladeiro, acabam sempre mergulhando em milhares de reflexões após alguns minutos pensando na potencialidade e na originalidade da proposta.
As conversas seguem mais ou menos o mesmo roteiro: no Studio SP, onde geralmente se desenrolam os papos, constatamos no ato a força e a riqueza da noite de São Paulo. Lembramos da criatividade das músicas das periferias brasileiras, das maravilhosas festas populares, dos roteiros do Rio, da Bahia, da vanguarda de Recife, dos festivais e de tanta coisa que explode pelo país e que poderia ser incluída em um maravilhoso cardápio de possibilidades para gringo nenhum botar defeito. E, depois do exercício de memória, alguém sempre solta a frase: “E isso tudo, sem falar do Carnaval!”.
A COPA DO MUNDO É NOSSA
Mas, infelizmente, a euforia dura pouco quando percebemos o quanto estamos longe dessa nova realidade. Imediatamente constatamos a absoluta falta de prioridade de quem decide os rumos dos projetos sociais. “Se nem a Vila Madalena tem um guia decente, imaginem o resto”, comentam. E assim costumam acabar os devaneios sobre a força da nação festeira.
Não sou daqueles que fazem cara feia para megainiciativas, como trazer para o Brasil a Copa do Mundo, o Pan, a Olimpíada e tudo o mais. Fico preocupado com a roubalheira e espero transparência, é claro, mas não deixo de apoiar essas mobilizações. Entretanto, sempre me dá uma sensação esquisita quando algum desses projetos é anunciado. Parece que, ao mirar em eventos gigantescos, esquecem de olhar para o lado e de ver quanto já se poderia fazer pelo turismo e pelo desenvolvimento do Brasil se apenas juntassem tudo que existe por aí e divulgassem de uma maneira inteligente.
tudo que existe por aí e divulgassem de uma maneira inteligente. A cultura festeira do brasileiro é, nesse contexto, a coisa mais efervescente a apresentar. Mas parece que nunca será levada a sério. O Brasil ainda é muito conservador e careta para encarar algo assim e se assumir desse jeito. Será que só cabeças como a de Hermano e papos boêmios com gente mais jovem e louca sustentam uma bandeira tão polêmica? Não. Algo me diz que não é viagem sonhar com uma economia baseada na nossa diversão, com gente vindo do mundo inteiro para sorrir, dançar e curtir o Brasil. Talvez tudo seja uma questão de tempo.
*Alê Youssef, 32, é sócio do Sudio SP e do Núcleo de Idéias Movimento e um dos fundadores do site Overmundo
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