Por Redação
em 21 de setembro de 2005
Aos dois anos ela venceu sua primeira competição na água: uma prova de natação de poucos metros, mas que lhe rendeu uma medalha de ouro, a primeira da vida. Aos 13, começou a mergulhar livremente nas águas do Mediterrâneo, instruída por seu pai, mergulhador profissional e filho de mergulhador profissional.
Como membro da terceira geração de mestres na arte de imergir sem ajuda de equipamento respiratório, era de se esperar que a francesinha seguisse as pegadas ancestrais. Não era de se esperar, entretanto, que ela estivesse pronta a superar tecnicamente familiares tão talentosos e assim se tornar um dos melhores free-divers do mundo, entre homens e mulheres.
Na faculdade de biologia marítima, cursada na Cidade do México, ela, ainda encantada pelo esporte, decidiu fazer uma tese sobre os pulmões do campeoníssimo Francisco ?Pippin? Ferrera, o maior ícone que o free-diving já teve. Foi por causa do tema que ambos se encontraram e, pouco tempo depois, estavam casados. Treinada pelo maior talento que a atividade já teve, ela se aperfeiçoou ainda mais e saiu quebrando recordes marés afora.
Em 97, desceu 263 pés, abocanhando o recorde francês para mulheres. Em 98, foram 378 pés e mais um recorde mundial. Em 2000, 412,5 pés e mais dois recordes: o mundial feminino e o de primeira mulher entre os top-five do mundo. Sábado passado, Audrey Mestre, 28, estava se preparando para quebrar o recorde mundial, masculino e feminino. Ela desceria 561 pés. Como em treinamento, por duas ocasiões, já havia imergido 557 e 554, e como o recorde mundial era de 531 (ironicamente, pertencente a seu marido), todos acreditavam que Mestre viria à tona, dois minutos e meio depois, como o novo ícone do free-dive.
Mas os deuses dos esportes extremos não pedem autorização para mudar o roteiro da história sem aviso prévio. Audrey morreu embaixo d?água. Nove minutos e quarenta e quatro segundos depois de descer, seu corpo foi trazido de volta por mergulhadores que acompanhavam a tentativa. Ainda não se sabe a causa do acidente, mas fato é que o esporte mundial perdeu, de maneira dramática, como quase sempre acontece nesses casos, mais um fora-de-série.
– * –
A americana Krissy Moehl, 25, foi considerada pela revista Outside a mulher mais resistente à dor do mundo. Tudo porque ela, que é corredora de ultramaratona, nunca deixou de chegar entre os três primeiros colocados nas tortuosas provas de 100 quilômetros desde que começou a competir, há três anos. O treinamento da moça é correr, seis noites por semana, a distância miúda de 50 quilômetros.
– * –
Emma Richards, 27, é a única mulher na Around Alone, uma maratona de iatismo que dá a volta no mundo e é considerada por muitos como a competição mais extenuante, física e mentalmente, do planeta. Se completar, será a primeira mulher a fazê-la. A prova, que leva iatistas solo por mais de 45 mil quilômetros das mais remotas águas do planeta, é disputada desde 1982 e pode ser acompanhada velada-a-velada pelo site: www.aroundalone.com.
Power surf camp
Um centro de treinamento montado em Ibiraquera, SC, começa a funcionar a partir do próximo dia 20. Entre os instrutores estão Romeu Bruno e Paulo Sefton. Informações: www.powersurfcamp.com.br.
Inverno e verão
A ESPN decidiu juntar os X-Games das duas estações e criou o ?First Ever x Games Global Championship?. O megaevento será em maio de 2003, parte em Santo Antonio, Texas, EUA, parte em Whistler, Canadá, e será disputado por equipes.
Amyr Klink cover
O russo Fyodor Konyukhov estabeleceu o novo recorde mundial ao conduzir a remo seu barco de San Sebastian, Ilhas Canárias, a Porto de St. Charles, Barbados. O moscovita passou 46 dias e quatro horas remando a média de 3,5 knots por hora para cobrir 4500 km.
LEIA TAMBÉM
MAIS LIDAS
-
Trip
Bruce Springsteen “mata o pai” e vai ao cinema
-
Trip
O que a cannabis pode fazer pelo Alzheimer?
-
Trip
Entrevista com Rodrigo Pimentel nas Páginas Negras
-
Trip
5 artistas que o brasileiro ama odiar
-
Trip
Um dedo de discórdia
-
Trip
A ressurreição de Grilo
-
Trip
A primeira entrevista do traficante Marcinho VP em Bangu