Por Redação
em 21 de setembro de 2005
Há 35 anos, quando o primeiro campeonato de surfe foi disputado em águas paulistas, uma garota, Renata Palizaides, se destacava entre os 66 inscritos. Disputando de igual para igual com os marmanjos, Renata foi bem e terminou na frente da maioria dos concorrentes.
Com esse histórico início na praia das Pitangueiras, Guarujá, é surpreendente que, mais de três décadas passadas, o número de mulheres deslizando em pé sobre a prancha seja ainda tão pequeno. Especialmente nas condições de clima e ondas que temos em nossa costa.
A não ser pelo bodyboard, esporte no qual o Brasil se destaca e no feminino mantém a hegemonia mundial, a relação das mulheres com o surfe sempre foi através dos namorados, eles se divertindo na água e elas torrando na areia, ou pior, injuriadas nos dias de chuva e frio.
Mas esse cenário está mudando, pesquisas nos EUA mostram que, entre o público de 12 a 20 anos de idade, as meninas já são mais de 20% e que nos últimos três anos o número de surfistas americanas mais que dobrou. Demorou.
Por aqui, não é preciso recorrer a dados estatísticos para perceber o mesmo movimento, basta estar na praia. De olho nesse contingente, as confecções de surfwear desenvolvem coleções específicas, a mídia especializada lança títulos para o segmento e competições exclusivas para elas atraem patrocinadores.
Além da audiência certa, a indústria do cinema de Holywood percebeu a beleza plástica que a combinação surfe-gatas daria e lançou o longa “Blue Crush”, que no primeiro fim de semana de exibição faturou US$ 20 milhões. O filme, que será lançado no Brasil com o nome de “A onda dos Sonhos” no dia 17 de janeiro, conta a história de três amigas surfistas que vivem no Havaí atrás das ondas e da vida prazerosa que envolve o esporte.
Se a ficção deve ajudar a impulsionar a presença feminina nos line-ups, na vida real também não faltam motivos. O esporte proporciona bons momentos mesmo para as iniciantes, fisicamente não é muito agressivo, brincando ajuda a manter e esculpir a forma, além de que as garotas costumam ser bem recepcionadas na água pelos habituais freqüentadores.
Não bastassem esses incentivos, uma brasileira acaba de conquistar o vice-campeonato mundial profissional de surfe. Em respeitáveis ondas na Baía de Honolua, Mauí, Havaí, a catarinense Jaqueline Silva, 23, deu um banho nas adversárias e venceu a sexta e última etapa do WCT.
A vitória na decisiva etapa havaiana teve um sabor especial. As ondas estavam grandes e com excelente formação, condições que permitiram às surfistas mostrarem seu melhor. Jacque tirou nota 10 na semifinal e sobrou na final, contra a australiana Pauline Menczer.
Jacque só não brigou pelo título da temporada, vencida pela quinta vez pela australiana Layne Beachley, porque em três oportunidades acabou caindo na mesma bateria com a brasileira Tita Tavares e perdeu.
Mas nem tudo são flores. Maior algoz de Jacque na temporada,Tita, após quatro anos competindo na elite mundial, não conseguiu garantir a vaga para 2003. Não por competência, que a cearense de 27 anos crescida na favela do Titanzinho tem de sobra, mas por grana. Sem o apoio de seu principal patrocinador, não pôde disputar duas importantes etapas que lhe custaram a classificação. Uma pena.
NOTAS
Mundial de Surfe
Campeão do mundo, Andy Irons fechou o ano vencendo o Pipe Masters em ondas clássicas. O resultado ainda lhe valeu o título da Tríplice Coroa Havaiana e mais de 1500 pontos sobre o segundo Joel Parkinson. Teco Padaratz venceu duas baterias e ficou com a última vaga (27o) para disputar a elite em 2003.
Os resultados em Pipeline também garantiram o ingresso de Danilo Costa. Guilherme Hendy e Renan Rocha caíram, e nove brasileiros estarão na próxima temporada.
Recorde pára-quedismo
Depois de uma centena de tentativas, o recorde mundial de formação em queda livre (FQL) foi quebrado no céu de Eloy, Arizona, EUA. Os brasileiros Ricardo Pettená, Márcia Farkhoul, Breno de Assis e Humberto do Prado integraram o grupo de 300 atletas que se juntaram durante sete segundos a 200 km/hora.
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