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Marilyn Manson e as flores do mal

Artista pop expõe na mais pop das galerias paulistanas

Marilyn Manson e as flores do mal

em 28 de setembro de 2007

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Romero Britto não vê sentido em
expor seus pesadelos. Seus temas favoritos são gatinhos, peixes
voadores pulando, flores desabrochando, casais dançando. A declaração
de intenções está estampada na parede da Galeria Romero Britto, situada
na mais grã-fina das ruas paulistanas, a Oscar Freire, nos Jardins. O
lugar é colorido por natureza, desde o quadrinho que diferencia o
banheiro feminino do masculino até a mesinha em forma de flor onde
apoio meu prosseco – e que custa a bagatela de onze mil e quinhentos
reais. Estranhamente (ou não), situa-se nesse cenário a exposição “As
flores do Mal”, do rock-star e às vezes artista plástico Marilyn Manson.

A
vernissage, aberta pra imprensa e (poucos) convidados e regada a uísque
do bom mais a velha e boa tríade esfiha-quibe-risólis, foi tumultuada
pela presença maquiada do astro, acompanhado de sua namorada, a atriz
teen Rachel Evan Wood, e a previsível bateção de cabeça entre veículos
altamente qualificados e tradicionais do circuito das artes, a saber:
Amaury Jr e TV Fama, todos atrás da tão sonhada exclusividade. Mas pra
quê? “Ai, vamos perguntar se ele arrancou a costela pra chupar o
próprio p**?” planeja a irônica e animadíssima apresentadora
minimamente trajada de estampa de onça enquanto ensaia caras e bocas
pra sua atuação. Ah, por Deus. Atrás de um quilo de pó compacto também
tem um cérebro, Mrs. oncinha. Mr. Manson é menos simpático do que
deveria, mas mais do que deveríamos esperar. Assim como a carreira de
artista plástico é alavancada pela de artista pop, também é soterrada
por ela. Poucas perguntas sobre arte, muito preconceito e pagação.

O artista Brian Hugh Warner,
a.k.a. Marilyn Manson, faz questão de expor seus pesadelos, em forma de
auto retratos, projeções de sua prória velhice, morte, doença e vício.
E exibe seu lado mais sombrio, além da música, em tintas leves mas de
tons fortes, e figuras às vezes mórbidas, mas sempre de olhar
penetrante, perturbador. Ao contrário de Britto, as cores de Manson
transmitem toda sua inquietação interior. Pra quem quiser conhecer esse
outro lado do artista, as telas da exposição “Fleurs Du Mal” ficarão à
mostra até dia 19 de outubro. Já homem, o mito, esse segue seu rumo
noturno. Sem caipirinha, brasileiros; sem samba, sem praia, sem sol;
sem ao mesmo borrar o batom. Gente fina, entende?

Veja mais: http://www.marilynmanson.com/art/

Vai Lá: Exposição “Fleurs Du Mal”
Onde: Galeria Romero Britto, Rua Oscar Freire, 562, Jardins, tel. (11)3062-7350
Quando: a partir do dia 28 de setembro, das 17h às 20h
Quanto: grátis

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