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por Milly Lacombe

Em todas as capitais, e em muitas cidades do país, milhares foram às ruas pedir por investimentos em vez de cortes na educação

Educação não é saber o que vamos fazer para ganhar dinheiro pelo resto de nossas vidas. Educação não é formar profissionais para o mercado de trabalho. Educação é, ou deveria ser, sobre receber ferramentas para entender quem somos, quais os nossos valores, o que podemos fazer para contribuir para a sociedade, como devemos nos relacionar uns com os outros e com o planeta. Educação envolve, ou deveria envolver, conceitos como empatia, solidariedade, colaboração, afetos, coragem, dignidade.

"Se existe uma natureza humana, ela trata da necessidade por trabalho criativo", disse o linguista e ativista Noam Chomsky durante debate com Michel Foucault há quase 50 anos. "Trata da investigação de nossas capacidades criativas e da busca por criações livres dos arbitrários efeitos limitantes de instituições coercivas."

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Nesse caso, seguiu ele, uma sociedade decente precisa maximizar as possibilidades para que essa fundamental característica humana se realize. Isso significa superar os elementos de repressão, opressão, coerção e destruição que existem em todas as sociedades. Mais em algumas do que em outras, naturalmente.

Pois bem. Corta para o Brasil de 2019. Cá estamos mergulhados e mergulhadas em opressão e destruição lutando pelo básico: educação. Gratuita e para todos.

Liberdade, dignidade e criatividade são imprescindíveis a qualquer ser humano. Uma nação livre é aquela capaz de oferecer essa santa trindade a todos os seus cidadãos, sem distinção de classe, de raça, de gênero, de sexualidade.

Mas o Brasil fica a cada dia mais distante dessa realidade. Uma nação que congela investimentos em educação para depois cortar verba de pesquisa e das universidades como um todo é uma nação que quer formar apenas duas classes de cidadãos: os endinheirados e a mão de obra que irá servi-los. É o que temos hoje no comando dessa nossa nave-mãe: um grupo de homens brancos, milionários, heteronormativos, que, falando em nome de Deus, pregam o fim de qualquer investimento social.

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Quando, entre um discurso intolerante e outro, eles finalmente se referem à educação, tratam apenas da educação técnica: a que forma aqueles que se dedicarão aos serviços necessários à manutenção do bem-estar de uma pequena, e cada dia mais poderosa, elite.

Uma sociedade onde os oprimidos não se percebem como tal é sempre pacata. Os problemas começam quando o oprimido entende o que está acontecendo. E está parecendo que a sociedade brasileira finalmente percebeu e acordou. Em todas as capitais, e em muitas cidades do país, milhares de nós foram às ruas berrar por educação pública.

Educação nos equipa com consciência. Consciência nos prepara para lutar por liberdade. E o desejo por liberdade nos faz entender que, enquanto todos nós não formos livres, nenhum de nós de fato será.

Fomos às ruas mostrar que não deixaremos que nossos direitos sejam retirados na marra. Não aceitaremos. Não nos curvaremos. Não recuaremos. Eles jamais passarão.

Créditos

Imagem principal: Julia Furrer

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