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Mães e filhos que encontraram na corrida mais uma forma de conexão

Mara e Igor Melo

“O mundo abre caminhos para aqueles que sabem onde estão indo”
Ralph Waldo Emerson 

Quando Igor contou à mãe que ia correr 42 quilômetros ela sentiu uma mistura de incredulidade e emoção. Como o filho nunca tinha demonstrado nenhum apego especial à corrida, Mara achou que encarar uma maratona como a primeira prova de rua era um pouco exagerado, mas não disse nada e no dia marcado foi ver de perto a aventura.

Igor tinha 18 anos, fazia exército e há alguns meses corria regularmente com o batalhão. Um capitão, vendo que o rapaz levava jeito, fez o convite para que ele corresse uma maratona e Igor, que nunca havia corrido mais do que 20 quilômetros, topou. No dia marcado, lá estava Mara, entre os espectadores, para testemunhar o esforço do filho. Quando Igor completou a prova depois de pouco mais de quatro horas um sentimento novo invadiu Mara. “Eu só conseguia pensar: se ele consegue, eu talvez consiga também”.

Estamos em 2012, e Mara é uma mulher de 43 anos que pesa dezenas de quilos a mais do que seria saudável. Embora fosse regularmente à academia e corresse eventualmente na esteira, a corrida não era para ela um hábito diário. Por isso, quando tentou correr na rua pela primeira vez achou que não conseguiria adotar a prática. Ficou exausta depois de poucos quilômetros e pensou em desistir, mas a imagem de Igor completando os 42 quilômetros serviu de inspiração e a fez seguir.

Não demorou para que Mara estivesse correndo na rua todos os dias. Igor, vendo que a mãe parecia interessada, a chamou para correr com ele durante um treino de fim de semana, e ela aceitou. A partir desse dia, os dois começaram a treinar juntos sempre que possível, e ele dava dicas a ela de como manter o ritmo. Em menos de um ano Mara já corria 18 quilômetros e tinha inserido a corrida em sua rotina diária. Não havia frio ou tempestade que a impedisse de sair para treinar.

A força de vontade acabou contaminando sua irmã, que também virou corredora. Não era raro que mãe, tia e sobrinho saíssem juntos para treinar. Mas Igor não esperava pelo efeito colateral que veio com a nova vida da mãe. Se por um lado Mara emagreceu dezenas de quilos, por outro se transformou em uma máquina de inscrever o filho em provas. Quase semanalmente Igor era avisado por ela que os dois estavam inscritos em uma corrida de rua. Em uma determinada prova eles saíram com o grupo e Igor se manteve pouco atrás dela, sem que Mara percebesse, para avaliar o ritmo da mãe. A uma certa altura, vendo que Mara perdia o passo, ele chegou perto dela e disse: “Vamos, mãe, acerta esse ritmo e continua com ele”. Mara levou um susto, mas fez o que ele pedia e os dois completaram juntos.

Ver Igor e Mara falarem a respeito da corrida, e de como o hábito mudou a vida e o relacionamento deles, é ser inundado por muitas ondas de inspiração. Quando ele diz que sente orgulho da força de vontade da mãe, e de ver como ela transformou a própria vida, ela responde que nada disso teria sido possível se ele não tivesse encarado a aventura dos 42 quilômetros. Igor tem um irmão gêmeo que prefere esportes de luta, e uma irmã caçula que de vez em quando também corre. O padrasto não foi contaminado pelo vírus da corrida, mas incentiva o hábito em todos. E Mara, que transformou a vida depois dos 40, diz que nutre pelo esporte enorme gratidão porque antes de calçar o tênis e de sair correndo pela vida era uma mulher triste, angustiada e com dificuldade para fazer amigos. Hoje, aos 47, tem uma confecção de roupas de ginástica e encara todos os dias como se fossem de sol, mesmo aqueles em que tempestades caem do céu.


Ana e Caetana Proença

“Somos o produto das escolhas que fazemos, não das circunstâncias que enfrentamos”
Roger Crawford

A portuguesa Ana Proença era uma executiva do mercado editorial em Lisboa quando conheceu o brasileiro Gustavo Rocito, com quem se casou. A união não mudou os hábitos, e ela seguiu trabalhando mais de 10 horas por dia, atendendo clientes e indo a recepções depois do expediente. Nem mesmo a gravidez a fez diminuir o ritmo, mas tudo mudou em 2002, quando Caetana nasceu.

A menina foi diagnosticada com um tipo de ataxia que dificultava sua coordenação motora, e Ana entendeu que cuidar da filha exigiria mais tempo do que tinha disponível. Em 2004 ela e Gustavo decidiram se mudar para Campinas, em São Paulo, onde ele tem família e onde poderiam ter ajuda com Caetana. Ana pediu demissão, fez as malas e disse adeus a Portugal. Os primeiros anos em Campinas foram difíceis. Sem amigos, tendo que lidar com a condição da filha, ela se sentia sozinha e perdida.

Durante uma consulta de rotina com seu terapeuta escutou dele que ela havia chegado a um ponto em que teria que escolher entre começar a se medicar com um tarja preta ou fazer alguma atividade diária que desse prazer. Ana não queria o tarja preta e decidiu que tentaria a corrida de rua. No primeiro dia achou que aquela não era a atividade ideal e que jamais conseguiria tirar prazer da corrida, mas pensou na filha, e em como Caetana se esforçava para dar alguns simples passos, e seguiu. Em menos de um ano, Ana estava participando de provas de rua e, ainda mais surpreendente, chegando em primeiro lugar. Era uma enorme surpresa até para ela que a corrida pudesse cair tão naturalmente em sua rotina.

Gustavo e Caetana iam assistir Ana competir e a menina adorava ver a mãe ganhar as provas. Em 2013, durante uma das regulares consultas médicas de Caetana, um dos médicos sugeriu que a menina usasse uma bicicleta adaptada para se sentir mais livre. Caetana se adaptou bem ao triciclo e Ana e Gustavo, vendo a filha pedalar com desenvoltura, pensaram: por que não incentivá-la a fazer as provas com a mãe? Caetana adorou a ideia e desde então compete como cadeirante nas corridas das quais a mãe participa. A rotina que Ana e Gustavo desenvolveram faz com que o pai comece a correr empurrando a cadeira da filha e com que Ana, logo depois de completar a prova, substitua Gustavo e cruze novamente a linha de chegada empurrando Caetana. Desde então, Ana conseguiu baixar ainda mais seu tempo porque passa a prova inteira querendo chegar logo para ir encontrar a filha.

Caetana já é famosa no circuito de corridas de rua de Campinas e quando está competindo escuta seu nome sendo gritado por aqueles que estão assistindo. Hoje, olhando para trás, Ana e Gustavo entendem a revolução que Caetana causou em suas vidas, e em como ajudou a transformá-las para melhor. E se os ensinamentos que Caetana trouxe para eles poderiam preencher muitas páginas de um livro, talvez aquele que mais ecoe para Ana é a gratidão. Não há um dia em que Caetana deixe de agradecer à mãe pelos motivos mais diversos. Seja pelo esforço e dedicação com que cuida dela, seja por levá-la com ela às corridas, por tê-la presenteado com Floquinho - o lhasa-apsu da família, e fiel escudeiro de Caetana -, por pagar por todas as cirurgias pelas quais já teve que se submeter, por ter dado a ela um pai tão especial quanto Gustavo ou, o mais repetido dos agradecimentos, “por me deixar fazer parte da sua vida desse jeito tão bacana”.

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