”Há 30 anos não havia a fluidez, a fragilidade e a transitoriedade que atualmente marcam os vínculos sociais”

Há 30 anos vivíamos o retorno da democracia no Brasil. O país era presidido por José Sarney. Os primeiros governadores eleitos pelo povo após o fim do governo militar exerciam seus mandatos. Franco Montoro e Mário Covas, ambos políticos do PMDB, seriam alguns dos principais fundadores, em 1988, do PSDB – partido de centro-esquerda, na época. Eram homens fortes, dignos e realizadores. Fernando Henrique, José Serra e Geraldo Alckmin os fariam dar voltas em seus túmulos hoje.

Há 30 anos não havia a fluidez, a fragilidade e a transitoriedade que atualmente marcam os vínculos sociais. Hoje, tais flutuações solapam com o arcabouço que era considerado duradouro e fidedigno, onde operavam com segurança toda a rede de interações humanas.

O amor era o maior objetivo, depois da sobrevivência, a ser atingido. O casamento era “até que a morte os separe”. A palavra dada era para ser cumprida mesmo que doesse, mesmo que matasse. A amizade era confiança; a fé era absoluta; o respeito aos pais era obrigatório; a moral e a ética eram inquestionáveis. Em que se pese que havia muita hipocrisia e muitos sacrifícios para garantir tais valores.

Tínhamos enormes esperanças no futuro e grande poder de mobilização política. Estive no comício da praça da Sé e no do vale do Anhangabaú, onde se clamava pelas Diretas Já: sentíamo-nos fortes e nos julgávamos capazes. Ser socialista ou comunista era uma honra e um charme. Quem não fosse era olhado como oportunista e explorador. O “especulador” era aquela pessoa asquerosa, que se aproveitava da inflação da moeda para se locupletar. Muitas fortunas foram construídas naquele tempo e permanecem até hoje.

Era época de grandes iniciativas e muita coragem. Mesmo condenado a mais de cem anos de prisão, me foi permitido prestar o exame vestibular da PUC-SP, onde fui o primeiro colocado naquele ano. Depois fui autorizado, com o apoio do arcebispo Dom Paulo Evaristo Arns e do secretário da Justiça José Carlos Dias, a sair da prisão todos os dias e frequentar aulas na faculdade. Logo em seguida, seria lançada a primeira edição da revista Trip.

SEM SAUDOSISMO

Não sou saudosista, creio que tudo deve mesmo ser ultrapassado e transformado. Daí porque não julgo e acredito, sinceramente, que tudo tem um sentido, mesmo quando não consigo enxergá-lo. Creio que, ao nos afastarmos da natureza e nos firmarmos na cultura da vontade humana, estamos evoluindo. E esses passos que damos rumo à liquidez das relações humanas, apesar de nos deixar inseguros, são positivos. Pelo menos não se aceitam mais os sacrifícios e a demagogia.

Por exemplo: antes, gostávamos de nossos cães porque eles guardavam a casa ou trabalhavam para nós. Hoje nós os amamos por eles mesmos. A quantidade de pet shops que são inaugurados dão a exata medida do que afirmo. Há cerca de 30 anos, um cachorro era alimentado dos restos que sobravam da mesa da família. Hoje as lojas especializadas exibem tal variedade de alimentos para cães que se tornaram verdadeiros supermercados.

O homem começa a amar os bichos, a sair da natureza e a entrar na cultura da humanidade. O instinto de sobrevivência não se impõe mais. O homem já é capaz de rejeitar uma vida sacrificada que considere que não vale a pena ser vivida e parte para a transformação. Nos tornamos dignos de ser amados não apenas porque somos pais, amigos ou porque temos palavra. Hoje somos amados pelo que fazemos de nós. Nos livramos da hipocrisia e da demagogia que antes dominavam as relações.

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