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Fome, Sono e Frio

As duras condições do campeonato mundial de corrida de aventura na Nova Zelândia

Por Redação

em 24 de novembro de 2005

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A Nova Zelândia está para as corridas de aventura assim como o Brasil está para o futebol. O esporte, que é bastante popular, tem suas raízes fincadas ali, e a primeira prova oficial da história, o Raid Gauloise, hoje chamado Raid World Championship, foi realizado na Nova Zelândia, em 1989. Tinha, portanto, que ser lá o campeonato mundial da atividade, que aconteceu entre 14 e 19 de novembro.

A prova, originalmente chamada de Southern Traverse, é considerada uma das mais difíceis do mundo. Nem tanto pelo trajeto, que este ano era de 430 quilômetros, mas principalmente porque o clima costuma entrar nessa história como um dos protagonistas.

Foi exatamente o que aconteceu já na largada, quando as 46 equipes, selecionadas a partir dos resultados nas mais importantes provas do mundo, entre elas três brasileiras, estavam alinhadas para o tiro de partida, dado pelo ministro dos esportes da Nova Zelândia e assistido in loco e pela TV por milhares de neozelandeses.

Enquanto as equipes, compostas por quatro membros, sendo um deles obrigatoriamente uma mulher, corriam com seus caiaques para o mar, o que se via era uma série de ondas grandes e irregulares que quebravam violentamente na praia. A cena que se seguiu daria uma idéia do que seria a prova: vários caiaques danificados, muitos virados e poucos capazes de quebrar aquela barreira natural sem prejuízo. Uma largada que não deixaria dúvidas sobre as dificuldades que ainda estavam por vir.

Normalmente, a organização da prova calcula que 30% das equipes que largam são capazes de concluir o percurso. Este ano, das 46 que enfrentaram as altas ondas da primeira perna, apenas 11 conseguiram cruzar a linha de chegada. Ou seja, 22%.

O mapeamento do trajeto de cara desencorajava os menos aguerridos: 200 quilômetros de mountain bike em estradas de terras e trilhas fechadas, 90 quilômetros de canoagem por rios e mares gelados, 130 quilômetros de trekking por montanhas, mata selvagem e vales. Além disso, muita orientação e técnica de cordas.

Tudo ficou ainda mais cruel quando as equipes se deram conta do intenso ritmo imposto pelo líder. O tabu a ser quebrado era justamente fazer com que uma equipe local não vencesse a prova, já que nunca antes os neozelandeses perderam essa disputa. Mas o passo forte foi imposto justamente pela equipe Balance Vector, 100% local.

Quatro dias depois de largarem, os integrantes da Balance Vector cruzaram a linha de chegada, ficaram com o título mundial e com o equivalente a 75 mil reais em dinheiro.

Em segundo ficou a norte-americana Nike Balance Bar.

Enquanto os neozelandeses comemoravam, as demais equipes tentavam vencer as barreiras naturais, chuvas, fome, sono e frio, para ver a reta final. Entre elas, os três times brasileiros: Mitsubishi Salomon Quasar Lontra, Oskalunga Brasil Telecom e Try On Landscape. A missão brasileira aqui era modesta: as equipes pretendiam apenas concluir o trajeto no tempo limite determinado pela organização. Numa prova como essa, chegar já é uma grande vitória. Mas ainda não foi este ano: nenhuma das três conseguiu completar o percurso.

Notas

Mundial de surfe feminino – WCT
Chelsea Georgeson venceu a penúltima etapa do ano, em Haleiwa, Havaí, e assumiu a liderança do tour. A peruana, atual campeã, Sofia Mulanovich está em segundo, e a decisão será em Honolua, em dezembro.

Petrobras Longboard Classic
Quarentões e campeões irmãos Salazar. Picuruta, 45, conquistou seu nono título brasileiro na categoria profissional e Almir, 46, foi o campeão na categoria Legends. Carlos Mudinho venceu na Superlegends, para atletas com mais de 50. A prova foi na Macumba, Rio.

Circuito Brasileiro de Pára-quedismo
A etapa decisiva acontece neste final de semana em Campinas, SP, com cinco modalidades: free fly, freestyle, sky surf, formação em queda livre e pouso de alta performance. Haverá ainda demonstrações de BASE jump e motocross.

PALAVRAS-CHAVE
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