Estamos ficando velhos
O filme ?Chasing Dora? documenta o formidável desafio criado pelo legendário surfista californiano Mickey Dora
Por Redação
em 17 de janeiro de 2007
“Acontece que a gente não sente por dentro, mas de fora todo mundo vê.” Tomo emprestada a frase de um livro de Gabriel García Márquez, cujo nonagenário personagem segue firme e forte ao longo da história.
Visto como um esporte jovem e para jovens até há pouco tempo, o surfe, considerando apenas a sua “era moderna”, caminha para se tornar centenário e hoje reúne praticantes de todas as idades. Revi nas férias o filme vencedor da Mostra Internacional de Cinema Surf, “Chasing Dora”, que documenta um desafio criado pelo legendário californiano Mickey Dora, um dos responsáveis pela popularização do esporte nos anos 50.
Sua idéia, lançada num artigo intitulado “The Aquatic Ape”, enfocando o “puro” surfe, era promover uma competição que não dependesse de juízes, ganharia quem percorresse a maior distância sobre a prancha.
Dora morreu em 2002 e não viu sua idéia ser levada a cabo pelos produtores e diretores Wes Brown e T. J. Barrack, com todos os requintes. São eles: os competidores só poderiam usar materiais naturais, ou seja, nada de roupa de borracha nem de cordinha; a prancha, de madeira balsa, teria medidas mínimas, 25 cm de rabeta, por exemplo, e ser produzida pelo próprio competidor; e o mar ter no mínimo oito pés.
Três convidados aceitaram o desafio, o longboarder profissional Robert “Wingnut” Weaver, o shaper Marc Andreini e o contemporâneo e amigo de Dora Mickey Muñoz. A onda teria de ser longa, e a praia escolhida foi Jeffrey’s Bay, África do Sul. O dia da gravação, em julho de 2005, teve o mar do ano em J. Bay. Kelly Slater, Andy Irons e o anfitrião Shaun Tomson estavam na água, com toda a tecnologia disponível, quando os três entraram no pêlo e com seus “barcos” de madeira no mar com ondas de três metros e temperatura de 10 graus centígrados.
O final do filme, que deve chegar ao Brasil este ano, não vou adiantar, mas é emocionante ver Muñoz, então com 67 anos, saindo triunfante da água.
No outro extremo temos atletas cada vez mais jovens ingressando e dando trabalho no mundo competitivo. No final da temporada de 2005, no Pipe Masters, o havaianinho haole John John Florence, aos 13 anos, participou como convidado e se tornou o mais jovem competidor numa etapa do WCT. O brasileiro Adriano de Souza detém três recordes, o de mais novo campeão mundial júnior aos 16 anos, de campeão mundial do WQS, com 17, e de integrante da elite, WCT, com os mesmos 17 anos.
No ano passado o campeão do WQS foi Jeremy Flores, 18, das Ilhas Reunião, que irá competir pela França. Ele irá disputar, entre outros, com o mais velho campeão de surfe de todos os tempos, Kelly Slater, que tem quase o dobro de sua idade. Slater, aliás, completará 35 anos em fevereiro e poderá, caso queira, disputar também o Mundial Máster, que está previsto para junho aqui no Brasil.
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NOTAS
SKATE VERTICAL
O circuito mundial WCS começa amanhã, e a etapa de estréia é o Oi Vert Jam no Parque dos Patins, na Lagoa, Rio de Janeiro. O brasileiro Sandro Dias, tetracampeão mundial, começa a defesa do título em casa.
MUNDIAL DE SNOWBOARD
Isabel Clark ficou em 26º na prova de boardercross do Mundial que está sendo disputado em Arosa, Suíça. No masculino, Mario Zulian ficou em 58º e ainda disputará a prova de Big Air. Felipe Motta, no Half Pipe, completa o time brasileiro.
GAROTADA NA GUARDA DO EMBAÚ
A praia catarinense foi a escolhida para abrir, neste fim de semana, a oitava edição do Rip Curl Grom Search, para atletas de até 16 anos. Após três etapas, os melhores atletas das categorias masculina, feminina e mirim serão selecionados para a etapa internacional, em Bell’s, Austrália.
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