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Espaço

Existe um lugar propício para o prazer?

em 21 de setembro de 2005

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O homem e o amor, esses fatores intemporais, e a vida em busca de temporalizar tudo. Parece que tudo tem que ser feito num tempo presente, em que todos concordem e dêem aprovação. O mesmo se dá com relação ao espaço. Haverá um lugar propício para o prazer? Assim, um espaço determinado, onde ele se manifesta com maior intensidade? Poderia se dizer isso com certeza? Não creio.

Antes, me parece, cada um tem o seu melhor lugar para chegar ao melhor prazer. Eu conheci uma garota que gostava de modo inusitado. Deslocava a cama de seu lugar original para colocá-la em cima de cavaletes. Entrava para baixo, com tudo (ou sem nada), para transar com o maridão. Fora escondida embaixo da cama que se tornara mulher e praticara sexo na adolescência com os primos. E era ali, pressionada pela cama, machucada pelo chão e o pau duro, que sentia mais intensamente seu prazer.

Masoquista? Não creio. São fetiches, sensibilidades aguçadas que desejam vivenciar o que consideram mais gostoso. Censurá-los por quê? É muito complicado para as pessoas usufruírem de seus prazeres mais profundos, quando o conseguem, que o façam com toda naturalidade.

Há quem goste no chuveiro. Se bem que de pé tende a tremer as pernas, mas, às vezes, pode ser até mais toque de gosto no que pode ser tão prazeroso. Sob a chuva deve ser muito bom. Todos aqueles raios, trovões e aquela eletricidade no ar. Deve ser excitante, muito. Há quem goste na praia. Dentro do mar, corpos imersos, a leveza daquela água salgada a fluir por entre as pernas… Com certeza deve ser uma delícia.

A mesa da cozinha já foi palco de muitos embates sexuais de alucinantes prazeres. Um tanto quanto anti-higiênico, mas como lavou já está novo então os anônimos da cozinha estão mais que certos. O amor que se alimenta nunca muda de endereço, ouvi dizer. Tapetes da sala, naves interplanetárias em busca de galáxias úmidas e satélites duros, que quase todos embarcaram. Fere os joelhos e as costas na fricção, mas uma boa pedida. Não muito criativa, mas enfim…

Na hora mais lúcida, onde escolher e inventar o espaço torna-se parte crucial da vida, até o telhado não figura como exagero. Muitos punheteiros (e quase todos os homens são, pelo menos os sadios) tiveram suas iniciações em tais alturas. Estavam, pelo menos, resguardo da curiosidade alheia. Hoje, com os edifícios, ficou difícil. O sujeito esta lá no terraço lascando uma saborosa em homenagem à gostosa do prédio, e de repente, centenas de binóculos o focam. Muita gente querendo ver um pau duro, por que será?

De muitas coisas é desfeita a vida. Alguns a desfazem em áreas de estacionamento, por entre carros, nos muros da cidade, nas praças escurecidas, nos elevadores, ou mesmo na cara de pau para que todos vejam. São os que exibem, que querem chocar. Nenhuma censura a eles. Apenas que o senso de ridículo cai bem e percebam; não estão chocando a mais ninguém.

Tenho um amigo que gosta de levar suas parceiras para garagens de ônibus à noite. No fundo dos ônibus vazios, à noite, ele faz sua festa. Ouvi dizer de um outro que gosta em cima de pontes e que, por algumas vezes, na hora do auge, se atirava dentro do rio. No interior do país, tudo bem, deve ser até saudável. Mas já pensou um maluco desses se atirar do Tietê em pleno centro de São Paulo? Quando chegar à margem, se conseguir, estará podre e irrespirável. Não aconselho. O prejuízo menor será perder a parceira.

Enfim, cada um com seus prazeres, eu cá tenho os meus e vivencio com toda naturalidade que sou capaz. No alto da montanha, no vale ou em cima das águas, vale é ser feliz e viver toda alegria que somos capazes.

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