Burle, assunto para anos
Matéria afirma que o surfista brasileiro bateu o recorde da história ao descer uma onda com 30 metros.
Por Redação
em 21 de setembro de 2005
A temporada mal começou e o dia 21 de novembro de 2001 já entrou para a história do surfe de ondas grandes. Na temida bancada de Maverick’s, Califórnia, EUA, ondas de até 100 pés foram vistas, e, ao que parece, algumas entre 60 e 70 pés foram surfadas.
A sessão, a primeira de tow-in da temporada, está seguramente entre as maiores de todos os tempos. A polêmica que já se estabeleceu é se nela a maior onda da história teria sido conquistada.
Em matéria de capa, o jornal O Globo na edição de quarta, dia 28, afirma que o surfista brasileiro Carlos Burle bateu o recorde da história no esporte ao descer uma onda com 30 metros.
Quem lê o título e vê a foto pode questionar. A onda, apesar de fantasmagórica, é comparável a algumas outras surfadas por atletas que poderiam reivindicar o mesmo título.
Erro de edição ou falta de acesso à melhor imagem comprometeram a matéria do jornal, mas uma visita aos sites especializados, que disponibilizam outras fotos, dão base para a afirmação. Burle surfou uma onda impressionantemente grande.
Ele e seu companheiro Eraldo Gueiros – no tow-in as duplas revezam a prancha e o jet ski que reboca o surfista para a onda – saíram do Havaí, onde para os padrões dos big riders as ondas estavam pequenas, quando souberam que uma ondulação se aproximava da costa americana. A previsão era de uma ondulação oceânica de 30 a 40 pés com intervalo de 20 segundos entre as ondas, o que a tornava muito especial. Geralmente o espaço entre ondas num swell grande gira em torno de 17 segundos, e quanto maior o intervalo, maior o volume de água.
Previsão confirmada, valeu o esforço da viagem. Surfaram as maiores ondas da vida, foram os últimos a saírem da água, sobreviveram e entraram para a história.
O dia 20 serviu de aquecimento, o mar estava crescendo e o surfe ainda foi na remada. No dia seguinte, a luz do dia mal se anunciava e duas dúzias de conquistadores preparavam seus equipamentos. A água pouco menos gelada que de costume, o vento forte e a velocidade com que as ondas atingiam a bancada faziam os surfistas rever a posição que o surfe de tow-in não tem limite. Os brasileiros eram os estrangeiros da sessão, e se destacaram.
A mídia especializada – swell.com e mavsurfer.com -, que já registrou a histórica véspera de Thanksgiving, não afirma quebra de recorde, mas destaca o desempenho dos brasileiros – o que geralmente não acontece – e, pelas fotos publicadas, deixa claro que Burle pegou a maior onda do dia.
Avaliar o tamanho de uma onda é sempre controverso. No julgamento do Big Trip – concurso que oferece R$ 30 mil para o brasileiro que surfar a maior onda -, recursos técnicos de computação são utilizados, mas a avaliação de cada um dos onze experientes jurados é que define para quem vai o prêmio.
Seguramente o último dia 21 vai ser assunto para toda a temporada, e, como este ano os prêmios para as maiores ondas dominadas se multiplicaram, vai ter muita gente preocupada em medir, no milímetro, a onda do brasileiro. Muita água salgada vai rolar.
NOTAS
MUNDIAL DE SURFE
O australiano Mick Fanning superou seu conterrâneo Taj Burrow ao chegar à final do G-Shock, em Haleiwa, e conquistou o título do WQS. Andy Irons venceu a etapa e lidera o Triple Crown. A última etapa do WCT, em Sunset, segue no período de espera. C. J. Hobgood, líder do ranking, pode se tornar o terceiro norte-americano campeão mundial de surfe. Nove atletas têm chances matemáticas.
EMA 2001
Duas equipes estão praticamente juntas na liderança da categoria Expedição, a brasileira Lontra Radical e a finlandesa Nokia, cuja diferença no PC 14, na quarta-feira pela manhã, era de apenas quatro minutos. A Atenah, com três brasileiras, foi desclassificada devido à desistência do norte-americano Joe Escobar, integrante da equipe.
SNOWBOARD
Surfista de areia, Digiacomo Dias, levou a melhor na prova de Big Air, na pista de neve/gelo montada no Sambódromo.
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