AMOR
em 3 de julho de 2009
AMOR
Tudo parece composto de paz. A vida dorme neste instante. A noite vai alta e as estrelinhas brilham lá em cima. Queria falar de amor. Acordei agora, só e desperto para amar.
Amor é a mais profunda celebração do relacionamento humano. Expressa consciência de que não existimos plenamente sem o outro. Somos um processo que só se completa na união à outra pessoa. No diálogo, na acolhida, na busca do entendimento do outro, nos tornamos inteiros. O indivíduo então, é considerado isoladamente e tem seu espaço de liberdade e mistério.
O amor também é ter fé de que os outros são capazes da impossível lealdade e da irrealizável fidelidade. Acreditarmos na força transcendente de nossos sentimentos. Que, em recebendo nosso amor, o outro ultrapasse, vença as fronteiras do comum e se constitua em nossa esperança de felicidade. E temos fé porque em nós percebemos a realização desse milagre, quando apaixonados.
Então amar é tentar o impossível para fazer todo o possível. Tamanha emoção não pode ser somente esse tumulto provisório que abala nossos sentidos e endurece ou molha nosso sexo. Antes é uma floração de nós na primavera. Toda força de nosso corpo, a energia de nosso sexo e a lógica, a coerência do nosso entendimento estão unidas ao que forma nosso sentimento.
Amar aquele que nos odeia e persegue é aceitar que ele, como nós, seja capaz de libertar-se do ódio, e ultrapassar-se. Claro, é um projeto, não somos capazes ainda, mas não devemos duvidar que verdadeiro. As verdades são simples, como simples foram aqueles que nos as ensinaram.
O amor confirma-se quando preferimos que o outro tenha todo o lucro que a relação possa trazer. Principalmente quando não temos a pretensão de responder a todas as necessidades do ser que amamos. Somos onipotentes quando apaixonados, perdemos a noção da realidade. Amar, em si é um risco, assim como viver.
Amamos quando exigimos de nós que o ser a quem devotamos nosso sentimento seja primeiro fiel a si mesmo. Mesmo que isso signifique angústia e dor. O ser que beijamos tão ternamente, é livre para viver todo seu possível, mesmo aquele que não vamos estar.
Tudo, em se amando, é cheio de problemas e engendra crises. Não somos capazes de amor se não formos capazes de conquistá-lo na batalha da convivência do dia a dia. Como um ramo de uma árvore, o que sentimos, o que nos move ao outro, não pode ser arrancado pela tempestade da convivência. No que sentimos esta a claridade que nos submete o coração e que deve direcionar nossa vida. É sempre preciso exceder nesse tempo, tão longamente quanto sejamos capazes.
Luiz Mendes
01/07/2004
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