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A Disneylândia da boca livre

Um conto de carnaval estrelando Maradona, Cicarelli e outras estrelas na Marquês de Sapucaí

A Disneylândia da boca livre

em 2 de março de 2006

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Por Antonio Bonfá

Artistas a rodo, big brothers na área, jogadores de futebol, jornalistas, aspirantes a modelo, modelos aspirantes… Esse era o caldo que formava a versão adulta da “Disneylândia” do Carnaval carioca: o lendário camarote na Sapucaí patrocinado pela maior cervejaria do país.

Alegria, alegria, alegria… E os palhaços no salão. De repente, um tumulto. Olho para o lado. Eis que  surge ninguém menos que Maradona, o meu ídolo, o verdadeiro craque do terceiro tempo, aquele que brilha até quando o jogo acaba.

Maradona, ali em pessoa, tentando sobreviver ao assédio generalizado. Aspirantes à fama, atenção: Carnaval de estrela de verdade não é fácil. Quase um tormento. Uma vida zoada, comprometida com flashes e holofotes ad eternum, sob os olhos de todos, cercado por um séqüito de amigos, seguranças, fãs, garçons, jornalistas, curiosos…

Depois de trombar com o deus argentino, não pude resistir a lançar um certo olhar de desprezo para o Carlos Alberto, o Roger Galisteu e toda essa trupe da MSI/Corinthians que ciscava por ali. Perderam a graça.

Viro para o lado. Outro tumulto. Desta vez calejado, ajusto meu colete preto de “imprensa”, o que me confere um verdadeiro status de urubu no meio daquela carniça: a nação de camisetas vermelhas dos artistas a rodo, dos big brothers, dos boleiros, dos aspirantes…

É quando flagro Daniela Cicarelli, a VJ, a ex do Ronaldo, a modelo. Ela é mais assediada que o técnico Parreira em coletiva depois de jogo da Seleção Brasileira. Chovem perguntas. Dá pena. Ela não conta novidades. Pelo menos nenhuma para quem costuma acompanhar a vida dessa moça à distância de uma virada de página das revistas de fofoca.

Mudo o foco de observação. Encho meu copo de cerveja e resolvo conferir as escolas de samba na avenida, a razão, creio, de todos estarem ali. Dou sorte. Assisto logo ao desfile da campeã Vila Isabel e encontro alguns amigos.

Começo até a duvidar sobre o quanto conheço a respeito deles. Alguma coisa de celebridade, empresário ou formador de opinião eles devem ter. Nesses lugares, alguma coisa você tem que ser ou ter – nem que seja só “um projeto”, como dizem aquelas beldades botadas na geladeira pelas emissoras para justificar o seguro-desemprego. 

Não sei. E acho que não importa. No fim, todos os presentes ali se enquadram numa única e fraterna categoria: a dos amantes de uma boa boca-livre! Incluindo este que vos escreve.

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