por Layse Moraes

Neste 19 de outubro celebra-se o centenário de nascimento do poeta, letrista, diplomata, cronista, jornalista e amante profissional das mulheres

“Poeta, poetinha vagabundo / Quem dera todo mundo fosse assim feito você.” De poetinha, só mesmo o jeito carinhoso de ser chamado pelos amigos. Vinicius foi um grande poeta. Escreveu poemas transcendentais em um primeiro momento, mas posteriormente se afastou do idealismo e se aproximou do cotidiano e do mundo material - “Com as lágrimas do tempo / E a cal do meu dia / Eu fiz o cimento / Da minha poesia”. 

Vinicius teve uma vida tão interessante quanto os poemas que escreveu: "Foi o único de nós que teve a vida de poeta", disse Carlos Drummond de Andrade certa vez. E ainda completou: "é o único poeta brasileiro que ousou viver sob o signo da paixão. Quer dizer, da poesia em estado natural. Eu queria ter sido Vinicius de Moraes”.

A poesia de Vinicius resvalou também nas letras de canções e entre muitos parceiros, como Tom Jobim, Toquinho e Baden Powell, ele foi da bossa nova aos afro-sambas na maior, se autointitulando “o branco mais preto do Brasil” em Samba da Benção - música que resume bem a tristeza bonita que faz nascer canções: “é melhor ser alegre que ser triste/ alegria é a melhor coisa que existe [...] mas pra fazer um samba com beleza / é preciso um bocado de tristeza”.

De "Chega de saudade", marco da bossa nova na voz de João Gilberto, a "Canto de Ossanha", um dos seus mais belos afro-sambas, passando pelos poemas infantis da Arca de Noé, que musicados marcaram a infância de muita gente, Vinicius sempre foi um pote cheio para os amantes das palavras. Não há quem não conheça "Garota de Ipanema" e o "Soneto de fidelidade", com seus versos que ultrapassaram a métrica e caíram na boca do povo. Mas Vinicius merece ser descoberto pelas novas gerações para muito além desses exemplos primorosos. Mesmo depois de passados mais de 30 anos de sua morte, sua obra continua atualíssima e há ainda muita coisa para ser lida, relida e explorada em Vinicius de Moraes.

Tem um monte de coisa legal que vai acontecer em comemoração ao centenário e muitos livros do Vinicius e sobre o Vinicius para entrar na sua listinha de leitura. Não perde, “que a vida não gosta de esperar / A vida é pra valer /A vida é pra levar /Vinicius, velho, saravá.”

Vai lá: Lançamento do novo site, como toda a obra disponível, na íntegra.
Quando: 19/10
Onde: www.vinicius.com.br

Programação:

Contação de história especial: A arca de Noé
Sábado, 19 de outubro
São Paulo, às 11h: Loja Companhia das Letras por Livraria Cultura – Av. Paulista, 2073 – Conjunto Nacional
Campinas, às 11h: Livraria da Vila – Galleria Shopping – Rod. Dom Pedro I, s/nº
Rio de Janeiro, às 17h: Livraria Travessa Shopping Leblon – Av. Afrânio de Melo Franco, 290

100 anos sempre encantando: leituras
Leitura de textos, poemas e músicas de Vinicius de Moraes, com roteiro e direção de André Acioli.
- São Paulo: Sábado, 19 de outubro, às 17h. Elenco: Miriam Mehler, Maria Fernanda Cândido, Aretha Marcos, Elias Andreato, Claudio Fontana, Clovys Torrês e Daniel Maia. Direção Musical: Daniel Maia. Apresentação: Leandro Sarmatz. Local: Livraria Cultura – Loja Principal – Av. Paulista, 2073 – Conjunto Nacional
- Rio de Janeiro: Domingo, 20 de outubro, às 16h. Elenco: Joana Fomm, Lucinha Lins, Clarice Niskier, Claudio Tovar, Tadeu Aguiar, Domingos Montagner e José Maria Braga. Direção Musical: José Maria Braga. Local: Livraria Travessa Shopping Leblon – Av. Afrânio de Melo Franco, 290
- Salvador: Sábado 26 de outubro, às 17h. Elenco: Kátia Leal, Fernanda Paquelet, Ricardo Castro e Bertrand Duarte. Local: Fundação Casa de Jorge Amado – Largo do Pelourinho.

Pocket Show Vinicius de Moraes: Jazz & Co.
Sábado, 19 de outubro, às 19h
Pocket show com músicas comentadas no livro Jazz & Co., de Vinicius de Moraes. Participação do Trio Fanculô Jazz.
Local: Paribar – Praça Dom José Gaspar, 46 – São Paulo, SP

(*) Layse Moraes é uma jornalista apaixonada por livros e mantém o blog Coração Nonsense

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