por Nina Lemos
Tpm #92

”Gostosa lesada” do Pânico na TV, Sabrina Sato desperta simpatia em homens e mulheres

Sabrina Sato já foi dançarina no Faustão. E também participou de um Big Brother, em que, inclusive, teve um caso com um cara com pinta de jeca. Hoje, no programa Pânico na TV – do qual participa desde sua estreia, em 2003 –, ela faz sucesso representando o estereótipo de uma mulher bonita e meio burra. E, claro, ajuda a alavancar a audiência de, em média, 10,5 pontos no Ibope, o que significa mais de 600 mil espectadores (na Grande São Paulo), todos os domingos. Motivos não faltam para que garotas metidas a inteligentes e feministas, como eu e muitas leitoras, achássemos que ela era uma idiota. Ou, pior, que a moça era uma espécie de ameaça machista à sociedade. Só que não é nada disso.

A menina de olhos puxados faz com que a gente engula uma eventual vontade de criticá-la porque nos conquista com a simpatia. Como pode uma pessoa apostar corrida montada num avestruz; ser levada num carro em alta velocidade amarrada no capô; atravessar, no ar, uma passarela entre dois balões – tudo isso em lingeries e biquínis minúsculos – sem aparentar constrangimento? “Ela encara qualquer matéria, não tem pudor de fazer, a Sabrina é polivalente, não tem medo de mudar, de arriscar, ela vai e faz”, descreve Emílio Surita, âncora do programa, que não perde a piada sobre a importância dela no Pânico: “Corpo de sereia e voz de Pato Donald”. O diretor, Alan Rapp, acrescenta: “As matérias com a Sabrina sempre foram sinônimo de sucesso, às vezes mandamos o cérebro feminino para quebrar o gelo, com o carisma ela consegue cativar quem quer que seja”, conta.

Pessoalmente Sabrina Sato é ainda mais legal. Ela nos faz rever preconceitos. E daí que ela foi dançarina do Faustão? E daí que participou do Big Brother? A moça que encontro no camarim da RedeTV!, prestes a entrar ao vivo num domingo chuvoso, me deixa à vontade em 5 minutos. Conta que estava comemorando o aniversário da mãe, dançando e tomando cerveja o dia inteiro. Em seguida, estamos falando de política. Sabrina, que atualmente vai para Brasília toda semana fazer matérias no Senado, sonha em entrevistar o Lula. Sim, eu e Sabrina temos pelo menos um sonho em comum. “Será que é ele mesmo que improvisa aquelas frases ou tem alguém que escreve para ele? Gente, um presidente falar que a crise é só uma marolinha, isso é muito booom”, comenta. Enquanto se maquia, conversa com as dançarinas seminuas do programa. Elas pedem opinião dos figurinos para Sá, como é chamada por ali.

A irmã Karina, sua assistente e “irmãe”, está do lado e avisa que uma caravana de Penápolis (a cidade natal das duas, a 480 quilômetros da capital paulista) veio assistir ao programa. “São uns amigos do meu primo, um pessoal de Penápolis que conheço.” Ela percebe que sou carioca. E começa a contar sua experiência no Rio de Janeiro. “O que, você é do Humaitá? Então você é chique, eu morava numa pensão na Voluntários da Pátria [rua movimentada e de classe média em Botafogo, na zona sul do Rio].” Mas o que Sabrina, de Penápolis, foi fazer no Rio de Janeiro? “Quando fiz vestibular, decidi que queria prestar dança na UFRJ. Não sei o que deu na minha cabeça. Mas passei e fui. Meus pais ficaram desesperados. O que peguei de 438 na vida.”, diz, referindo-se ao ônibus que faz o trajeto da zona sul da cidade para a distante ilha do Fundão, zona norte, onde fica a universidade.

Foram dois anos de dança na sala de aula. Até que Sabrina soube que havia uma vaga para dançarina no Domingão do Faustão. “Precisava de dinheiro, o cachê era bom, tipo R$ 200 por semana, imagina, dançarina não tem dinheiro pra nada”, conta. E lembra: “O problema é que eu errava as coreografias. Muitas vezes o Faustão me colocava para ficar segurando tipo um disco, enquanto as outras dançavam”, fala, às gargalhadas. E aí está uma das causas de Sabrina ser tão simpática. Ela ri de si mesma. O tempo todo.

 

Política e maracujá
Em nosso segundo encontro, dessa vez em sua casa, ela me conta que sofre de distúrbio de deficit de atenção. Filha de pais psicólogos, já frequentou várias terapias. Por causa do DDA, precisa se concentrar em uma coisa de cada vez. “Isso me atrapalha como mulher, não consigo fazer várias coisas ao mesmo tempo. Se estou namorando fico louca, só pensando nisso.”

Mas agora Sabrina anda pensando em política. Isso porque deixou de ser “repórter-cobaia” (ela também já serviu de isca para tubarões) para ir a Brasília fazer visitas ao Senado. “A gente acha que as perguntas mais inteligentes saem da cabeça da Sabrina. Nada melhor do que ela para falar com a elite intelectual do Brasil, os políticos. Sabrina calou a boca de muita gente que dizia que ela era burrinha”, explica Alan, o diretor. Sobre o cotidiano do Planalto, a moça solta: “Não tenho roupa para ir ao Senado!”. E conta que já ficou amiga dos jornalistas de política, que a ajudam a achar os senadores. “Mas sempre erro os nomes. Tento olhar para um placar que tem o nome de todo mundo, mas não consigo acertar. Falo, ‘senador Paulo’, e ele responde, ‘Roberto’”, conta – rindo. E, como “jornalista”, diz que passou nervoso ao entrevistar o ex-presidente Fernando Collor, que a fez tomar um suco de maracujá. “Eu tinha um monte de pergunta e na hora me deu um branco, de nervoso.”

Mas raramente a menina do interior fica tensa no ar. Poucos minutos antes de o Pânico entrar ao vivo em rede nacional, Sabrina me encontra num canto da plateia e me puxa de lá. “Fica mais perto, senta aqui ao lado do meu primo de Penápolis.” Enquanto isso, os produtores gritam por ela. “Eu sou eu mesma na TV. Claro, dou uma exagerada, mas não tem um personagem.”

Parece mesmo que não. A Sabrina com quem almoço num triplex em Perdizes – bairro de classe média na zona oeste de São Paulo onde mora com os dois irmãos – não é diferente da que anda de salto pela RedeTV!. Foi ela quem quis marcar esta entrevista em sua casa, um almoço. “Esse macarrão ótimo foi minha mãe, que estava aqui no fim de semana, que deixou pronto.”

Ela recebe jornalistas em sua casa numa boa. Mas não quer ser fotografada para revistas de celebridades. E também não viaja para castelos com seu namorado [o deputado federal Fábio Faria]. “Acho que não precisa. Não condeno quem faça. Mas qual é o interesse das pessoas em ver uma coisa dessas? Não acho que seja interessante”, solta.

Sabrina se preserva, mas já tirou a roupa para a Playboy. “Fiz por dinheiro. E achei legal, as fotos eram do Bob Wolfenson, entrei naquele ambiente lúdico. Sou muito inocente, não fico vendo maldade. Só depois que pensei: ‘Os homens vão ver essas fotos e pensar não sei quê’.” Karina, a irmã mais velha, confirma o lado desligado da moça. “A Sabrina é ingênua, vai ficando amiga de todo mundo. Muitas vezes tenho que avisar: ‘Mas, Sabrina, essa pessoa não é legal, é interesseira’.” Mesmo assim, a apresentadora tem poder sobre a família: “Ela usa os argumentos mais absurdos, mas, quando vamos ver, ela está certa. Tem uma intuição apurada. Por isso, todo mundo aprendeu a respeitar as coisas que ela diz”, esclarece.

Sabrina conta que tem seus momentos de depressão. “Fico para baixo sim, mas não deixo que dure muito tempo. Quando terminei com o Dhomini [vencedor da terceira edição do BBB, em 2003], nossa, você não imagina, fiquei semanas chorando.”

Entrada pelos fundos
Aí lembramos de novo. Sabrina já foi uma Big Brother. “As pessoas esquecem, né? Acho que não fui muito marcante no programa.” E lembra: “Gravei um vídeo bizarro em Penápolis em que falava: ‘Não deixem ninguém da minha faculdade saber que mandei fita para o Big Brother que isso é mico’”. Então, por que o fez? “Sempre quis trabalhar em televisão. Meus pais me olhavam com pena, porque, imagina, uma menina lá de Penápolis, não tinha a menor chance. Acho que eles só não falavam que eu não ia conseguir porque são psicólogos”, conta. Quando foi chamada para participar do BBB, avisou: “Vou entrar para a televisão pela porta dos fundos”.

E assim fez. “Quando sai do programa, você não imagina o que cola de empresário em você, querendo que você faça mil coisas. Fiquei assustada. Por isso, resolvi trabalhar com a minha irmã. A gente montou uma empresa e agencia também outros artistas. Tá vendo, agora sou uma empresária, menina, uma empresária!”, ela diz, como sempre, rindo. Perceberam que Sabrina não é burra?

Créditos

Imagem principal: J. R. Duran

Estilo Marcio Vicenttini Produção de moda Laminio Vicenttini Maquiagem Eliezer Lopes (Capa MGT) Assitente de foto Renan Vitorino e Fernando Queiroz Vestido Animale, brinco Rafa Falci, camisa NK Store, saia Daslu e sapatos Christian Loubotin

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