por Nathalia Zaccaro

Rubel se despede do disco que fez sua carreira acontecer com participação no projeto Música de Elevador e enfrenta o medo do novo em seu segundo trabalho, Casas

A pretensão de Rubel era tocar suas músicas para os amigos em meia dúzia de shows no Rio de Janeiro e seguir trabalhando com cinema. Em quatro dias, ele gravou suas românticas canções inspiradas no folk norte-americano e soltou as faixas na internet. “Fiz dois shows para umas 30 pessoas e achei que era isso. Dois anos depois, do nada, gente do Brasil inteiro começou a comentar, compartilhar e pedir shows em suas cidades. Pearl viralizou e deu uma virada na minha carreira”, relembra. As plateias das apresentações do carioca saltaram de 30 para 1500 pessoas, ele ganhou uma votação popular no site da Natura Musical e recebeu apoio para gravar seu segundo álbum, Casas, lançado no último dia 2.

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O disco que tanto agradou na internet tinha pegada bem rústica, foi gravado quase que em um take único e é praticamente só voz e violão. Mas esse estilo não é nada parecido com o que Rubel mostra no disco que acaba de lançar. “Não dá para mentir. Eu tive medo de abandonar um pouco esse estilo, mas não fazia mais sentido para mim as músicas românticas e ingênuas. Seria um erro tentar repetir o que deu certo – esse tipo de acidente não ia acontecer de novo”, explica.

Em Casas, o compositor se deixa influenciar pelo rap, investe em arranjos mais complexos e abre espaço para a música eletrônica. Duas participações especiais dão o tom da obra: os rappers Rincon Sapiência e Emicida.  “São os caras que mais admiro na música brasileira hoje, são poetas. Eram sonhos para mim essas parcerias”, conta.

A intimidade de Rubel com o cinema, área em que trabalhou antes de ser descoberto na internet, se reflete no interesse e no cuidado que o artista tem com seus clipes. O vídeo de “Quando bate aquela saudade”, do primeiro disco, já soma mais de 18 milhões de visualizações. Para Casas, Rubel planeja ao menos cinco novas produções, todas dirigidas por ele. “O primeiro será para a faixa Colégio e vai ser meio documental, inspirado nas histórias reais de 20 estudantes cariocas”, revela.

Antes dos primeiros shows do novo álbum, que começam no próximo dia 14 de abril, em Belo Horizonte, Rubel se despede de Pearl misturando as duas coisas que mais gosta: cinema e música. Ela mostra com exclusividade à Trip sua participação no Música de Elevador, série audiovisual criada e dirigida pelo estúdio Radiográfico, em que músicos são convidados a revisitar suas canções dentro de elevadores cuidadosamente garimpados. “É uma brincadeira com essa ideia de que música de elevador é chata”, explica Olivia Ferreira,  idealizadora do projeto, ao lado de Pedro Garavaglia.  

A dupla roda cidades em busca de elevadores cheios de beleza e história para servirem de locação aos artistas convidados. “A gente queria um cenário que contrastasse com a suavidade de Rubel, encontramos um elevador para carros em um estacionamento bem detonado no centro do Rio e deu super certo”, diz Olivia.  O episódio estrelado por Rubel mistura musicalidade e uma discussão poética sobre urbanismo e a vida nas cidades. “A música escolhida foi 'Pearl', que deu nome ao meu primeiro disco. Fiz uma versão totalmente nova, com bateria, trompete e baixo acústico. Foi incrível gravar naquele elevador em movimento, gosto de fazer umas doideiras. O vídeo ficou incrível, cheio de referências surreais, astronautas, bailarinas. Tá lindo”, comemora Rubel.

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Créditos

Imagem principal: Guido Argel/Divulgação

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