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Pequenas e charmosas

Nenhum complexo de cinema se compara ao charme das salas espalhadas pelas ruas de Nova York

Pequenas e charmosas

Por Tania Menai TPM #70

em 25 de outubro de 2007

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Nenhum complexo de cinema se compara ao charme das pequenas salas espalhadas pelas ruas de Nova York. E o melhor de tudo é ir a pé!

Certa vez, entrevistei Steven Spielberg, em Los Angeles, onde ele vive, e perguntei se ele assistia a muitos filmes estrangeiros. Resposta: “Só quando vou a Nova York, onde posso ir a pé para o cinema”. A resposta não poderia ser mais redonda. Esse é um dos grandes prazeres da cidade. Aqui, esse negócio de home theatre não pega. Para alguns, ir ao cinema é apenas “pegar um cineminha”. Para outros, é uma religião: trata-se daquela turma que não solta um piu, que bate palmas no fim do filme e que fica até o último crédito, para descobrir quem é o maquiador do cachorro da cena gravada em Istambul. Acho que me enquadro na segunda leva. E, diga-se de passagem, para essa leva, Nova York é o paraíso. Não estou falando dos megacomplexos de cinema de seis andares, com poltronas que reclinam e que vendem pipoca aos tonéis – isso, gradualmente, você tem no mundo todo.

As senhorinhas de Almodóvar Refiro-me às pequenas salas de projeções, que passam pérolas inesquecíveis do cinema independente e estrangeiro. São poucos os americanos que se rendem às legendas, assim como os brasileiros que curtem um filme chinês – as grandes massas preferem a fórmula hollywoodiana, o roteiro de sempre, o mocinho que mata o bandido, fica com a mocinha e só. Por isso, ir ao cinema rodeada por gente aberta a escutar sueco, árabe, espanhol e até português, e que busca um pouco mais de complexidade nos diálogos e entrelinhas, é uma delícia. São os curiosos, os abertos e, conseqüentemente, os mais interessantes. Certa vez, fui a uma retrospectiva de Almodóvar à tarde no Lincoln Plaza, no Upper West Side. E lá estavam dezenas de senhoras que poderiam ser minhas avós, curtindo as aventuras e palavrões de todos aqueles travestis. O legal é saber que Nova York é a cidade mais filmada dos Estados Unidos, talvez do mundo, e que, da mesma forma que ela desperta essa curiosidade internacional, aqui vivem pessoas ávidas pelo cinema alheio – a troca é imensa. Aposto que o Spielberg sente falta disso.

Vai lá: Angelika Film Center – Houston e Mercer Street Lincoln Plaza – Broadway entre as ruas 62 e 63 Paris Theatre – Quinta Avenida com rua 58 IFC Center – Sexta Avenida e West 3rd Street Sunshine 143 East Houston Street

Tania Menai é jornalista, mora em Manhattan e mantém o blog Só em Nova York no site da Trip e o www.taniamenai.com

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