Pequenas e charmosas
Nenhum complexo de cinema se compara ao charme das salas espalhadas pelas ruas de Nova York
Publicidade

Nenhum complexo de cinema se compara ao charme das pequenas salas espalhadas pelas ruas de Nova York. E o melhor de tudo é ir a pé!
Certa vez, entrevistei Steven Spielberg, em Los Angeles, onde ele vive, e perguntei se ele assistia a muitos filmes estrangeiros. Resposta: “Só quando vou a Nova York, onde posso ir a pé para o cinema”. A resposta não poderia ser mais redonda. Esse é um dos grandes prazeres da cidade. Aqui, esse negócio de home theatre não pega. Para alguns, ir ao cinema é apenas “pegar um cineminha”. Para outros, é uma religião: trata-se daquela turma que não solta um piu, que bate palmas no fim do filme e que fica até o último crédito, para descobrir quem é o maquiador do cachorro da cena gravada em Istambul. Acho que me enquadro na segunda leva. E, diga-se de passagem, para essa leva, Nova York é o paraíso. Não estou falando dos megacomplexos de cinema de seis andares, com poltronas que reclinam e que vendem pipoca aos tonéis – isso, gradualmente, você tem no mundo todo.
As senhorinhas de Almodóvar Refiro-me às pequenas salas de projeções, que passam pérolas inesquecíveis do cinema independente e estrangeiro. São poucos os americanos que se rendem às legendas, assim como os brasileiros que curtem um filme chinês – as grandes massas preferem a fórmula hollywoodiana, o roteiro de sempre, o mocinho que mata o bandido, fica com a mocinha e só. Por isso, ir ao cinema rodeada por gente aberta a escutar sueco, árabe, espanhol e até português, e que busca um pouco mais de complexidade nos diálogos e entrelinhas, é uma delícia. São os curiosos, os abertos e, conseqüentemente, os mais interessantes. Certa vez, fui a uma retrospectiva de Almodóvar à tarde no Lincoln Plaza, no Upper West Side. E lá estavam dezenas de senhoras que poderiam ser minhas avós, curtindo as aventuras e palavrões de todos aqueles travestis. O legal é saber que Nova York é a cidade mais filmada dos Estados Unidos, talvez do mundo, e que, da mesma forma que ela desperta essa curiosidade internacional, aqui vivem pessoas ávidas pelo cinema alheio – a troca é imensa. Aposto que o Spielberg sente falta disso.
Vai lá: Angelika Film Center – Houston e Mercer Street Lincoln Plaza – Broadway entre as ruas 62 e 63 Paris Theatre – Quinta Avenida com rua 58 IFC Center – Sexta Avenida e West 3rd Street Sunshine 143 East Houston Street
Tania Menai é jornalista, mora em Manhattan e mantém o blog Só em Nova York no site da Trip e o www.taniamenai.com
LEIA TAMBÉM
MAIS LIDAS
-
Tpm
Pervcam: o close que não queremos mais ver na Copa
-
Tpm
Angela Davis vem à FLIP pela 1ª vez. Aqui estão 5 livros para mergulhar na obra de uma das maiores feministas dos nossos tempos
-
Tpm
Benditos sejam os ventres (que sustentam o capitalismo)
-
Tpm
Cinema brasileiro feito por mulheres: 6 diretoras para explorar no Tela Brasil
-
Tpm
Mulheres na cobertura da Copa do Mundo: 8 jornalistas para colocar no radar
-
Tpm
Elas pagam a conta: por que a autonomia financeira é ferramenta indispensável para o destino de qualquer mulher?
-
Tpm
Te vi no Instagram e brochei
Publicidade