por Bia Andreazza
Tpm #99

A estilista conta como seus vestidos foram desfilar por todas as festas cariocas

Quando decidi que queria mesmo trabalhar com moda, não sabia ao certo em qual área atuar. Mas, quando comecei como stylist em editoriais de jornais, como O Globo, e revistas, como a Vogue, percebi como era difícil conseguir roupas de festa bonitas, bem-feitas e com tecidos de qualidade. É claro que existiam vestidos lindos. Em São Paulo tem muita gente que faz roupas incríveis, e no Rio de Janeiro tinha gente bacana começando. Só que usar sempre as mesmas marcas em editoriais não tinha graça para mim.

A ideia voltou quando comecei a ter muitos casamentos para ir e poucas opções de vestidos para comprar. Procurei a Sylvinha, que sempre fez as minhas roupas de festa e as da minha mãe, para confeccionar um vestido que tinha desenhado e queria tirar do papel. Trabalhar com ela foi ótimo: adoro cada prova, adoro ver o vestido tomando forma.

No casamento, o vestido fez o maior sucesso. Até aí, não pensava em começar com o ateliê, era apenas uma ideia futura, mas, na semana seguinte, recebi uma primeira encomenda. Mesmo sem ateliê, e com incentivo da mãe e do namorado, consultei a Sylvinha para saber se ela tinha interesse em abrir um bracinho do negócio dela comigo. Ela aceitou, e fizemos, como sócias, o primeiro vestido. Isso foi em novembro. Até o fim de 2009, produzimos mais seis e fechamos o ano com dois vestidos de noiva encomendados para 2010.

A primeira peça que fiz para uma cliente era igual à que eu estava usando no casamento. Muitas mulheres chegam com a ideia do que querem, outras vêm sem nenhuma. Quando a cliente chega com uma referência, trabalhamos em cima dela tentando adaptar a ideia ao corpo e à ocasião na qual vai usá-lo. Fazer essas adaptações é importante, principalmente porque detesto copiar um modelo. Entendo que as pessoas precisem visualizar o que vão usar e, para isso, nada melhor do que copiar para dar segurança. Mas não acho legal e sugiro mudanças. No fim, todas ficam felizes.

Com as clientes que chegam sem ideias, começamos do zero. Podemos partir de um decote, de algum tipo de saia, tecido etc. O tempo de confecção de um vestido depende da quantidade de trabalho na época e, normalmente, entregamos um dia antes do evento para que o vestido saia passadinho para usar. Agora, para 2010, é correr para entregar os 16 modelos encomendados e esperar ansiosamente por novos pedidos.


Vai lá: Atelier de Alta Costura – r. Sambaiba, 380/204, Leblon, Rio de Janeiro, RJ, (21) 9806-9074

 

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