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por Janaína Pedroso

Ela está lutando pela volta dos campeonatos femininos de surf no Brasil. Na etapa baiana do WQS que ajudou a organizar, Silvana Lima foi campeã e as mulheres voltaram a competir

No último final de semana aconteceu na Praia do Forte, na Bahia, uma das etapas do WQS, divisão de acesso ao circuito mundial de surf. Ao todo, 124 surfistas do Brasil e de outras partes do mundo competiram por 1500 pontos no ranking mundial, além de prêmios em dólares. Bino Lopes e Silvana Lima saíram campeões. Sim, diferente do que vinha acontecendo nas etapas brasileiras, as surfistas também participaram.

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Em 2015, as mulheres não puderam competir no SuperSurf sob o argumento de não haver tempo o suficiente no cronograma do evento. Mas, graças ao esforço de Marina Werneck, as surfistas brasileiras estiveram presentes nas águas durante o QS 1500 Praia do Forte Pro. Ao lado do ex-surfista Felipe Freitas, a carioca fez com que a WSL (World Surf League) organizasse um evento completo, com disputas nas categorias masculina e feminina. “Pensamos nesse evento há dois anos, e durante todo esse tempo ficamos juntando forças com parceiros, patrocinadores e o poder público, até concretizar esse sonho”, conta Felipe. “Sempre tive uma ótima relação com a WSL, que nesse momento se mostrou disposta a incentivar e profissionalizar o surf feminino. E a etapa na Bahia é a concretização dessa parceria e o início de uma nova fase na minha vida, a de organizadora de eventos de surf”, explica.

Marina começou a disputar baterias aos 12 anos de idade e aos 15 já era profissional. Conquistou títulos importantes: Campeã Sul Americana Pro pela Seleção Brasileira, Top 10 Mundial Pro na Austrália, Vice Campeã Brasileira de Surf na Pororoca, Campeã Pan Americana Júnior no Peru, Vice Campeã Mundial ISA Games Júnior no Equador e Campeã Mundial ISA Games Júnior na África do Sul pela Seleção Brasileira. Hoje, ela mantém um canal no YouTube, um programa na TV paga e um bom patrocinador. Em 2011, ela teve que se reinventar na carreira, quando o circuito brasileiro deixou de existir. “Tinha vários planos B, mas não me via fazendo nada além do surf”. Foi quando começou a participar ativamente de projetos sociais e ambientais, como o “AdaptSurf”, associação sem fins lucrativos, que promove a inclusão social das pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, “Projeto Route” com foco na limpeza das praias, e seminários para crianças carentes sobre a importância da  reutilização das garrafas PET.

Durante o WQS na Praia do Forte, ela organizou ações com a comunidade local com foco na preservação do ambiente, por meio de palestras e atividades como o plantio de diferentes espécies para o reflorestamento da restinga (vegetação local), com alunos do ensino fundamental.

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A carioca também acaba de ser nomeada embaixadora global do programa #Sport4Climate, criado pelo Banco Mundial de Nova York. A campanha é uma ramificação do #Conect4Climate, que visa a conscientização diante dos efeitos causados pelas mudanças climáticas. “A escolha por Marina foi muito fácil, porque ela preenche todos os requisitos que buscamos: uma atleta genuinamente dedicada às causas ambientais e sociais. E o evento da Praia do Forte foi o momento ideal para oficializarmos essa nomeação”, explica Beatriz Luz, fundadora da plataforma Exchange4ChangeBrasil e representante da #Sports4Climate no país. O objetivo é mobilizar pessoas mídias, entidades, organismos públicos e privados para se unirem nessa iniciativa global, hoje já são 400 parceiros ao redor do globo que apoiam o projeto.  

A ideia de Marina agora é criar uma Tríplice Coroa Feminina, o “Seaflowers Triple Crown”, projeto idealizado por Marina para trazer o circuito brasileiro de volta, incentivar o surf feminino e contar pontos para o circuito mundial. “O surf é uma ferramenta de transformação tanto na vida dos atletas como para as comunidades, ou até mesmo para quem admira esse estilo de vida. Hoje eu vejo que meu papel é esse, quero deixar um legado para a nova geração”, explica Marina. Já se fala em Fortaleza e Floripa como possíveis sedes para essas etapas, assim como a Praia do Forte, completando a tríade ainda em 2016. “As meninas estarão em casa competindo e isso valerá pontos para o evento mundial. Assim, elas poderão brigar por uma vaga na elite”, diz. Já está acontecendo. Silvana Lima, campeã na Bahia, agora parte para o Rio Pro, como convidada do WCT.

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Segundo Carlos Burle, um dos maiores atletas de ondas gigantes do planeta,  e que esteve presente no último dia do evento na Bahia, as mulheres brasileiras ainda vão dar o que falar no circuito mundial. “O surf feminino representa a próxima revolução do esporte no país”, diz Burle.

Créditos

Imagem principal: Luca Castro

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