Autodidata
Mag Magrela tem 30 anos e grafita pelas ruas de São Paulo mulheres incomodadas que refletem a si mesma
"Choque de água fria. Me perdi no horizonte da resiliência dela" . São João da Boa Vista | SP | Brasil | 2015 / Créditos: Flora Próspero
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Em 2007, as ruas de São Paulo começaram a ganhar lindas pinturas pelos muros. Um pouco diferentes, já que as figuras retratadas eram mulheres com a aparência um pouco desconfiada e, por que não, intimidadora em seus grandes tamanhos?
A responsável por esse olhar sob a cidade é Mag Magrela, paulistana de 30 anos que desde criança usa a arte pra se expressar, seja quando triste ou quando feliz. “Era comum esse contato com as artes plásticas, a música e a poesia em casa, mas de um jeito natural. Meu pai também é artista plástico”, conta.
Embora a arte fosse fonte natural em sua casa, seu pai nunca seguiu a profissão e Mag nunca estudou, em instituições ou formalmente, a prática. Ela conta que é “autodidata”. E que “não sabia que dava pra viver disso”. Foi durante uma crise que ela descobriu que a arte era a maior conexão que poderia ter consigo mesma.
“Não sabia bem o que queria, então busquei bem fundo na minha memória e vi que era desenhando que eu conseguia me sentir mais conectada. Comecei a me dedicar nessa linha de trabalho e resolvi levar minhas pinturas para as ruas”, diz.

Desde então seus desenhos foram descobrir outros lugares, como o Rio de Janeiro, Portugal, Londres e Nova Iorque. “Todos foram incríveis, cada um com seus desafios.” A grafiteira diz que o que mais chama a atenção de quem vê seus grafites é a feição “triste e meio mórbida” de suas mulheres. “É onde quero chegar, quero que as pessoas perguntem: por que elas estao assim?”
Para a pergunta, Mag tem a resposta na ponta da língua. “Elas são o meu reflexo”, diz. E continua: “ao meu redor vejo muita coisa que não deveria acontecer. Pessoas morando na rua, falta de gentileza, preconceitos… Pô, quem hoje em dia não tem algo pra querer mudar no mundo?”
Pintar essas mulheres é assumir pra si mesma a responsabilidade de se sentir contemplada e representada em sua própria arte. “Tem muitas mulheres que pintam hoje em dia, saindo do posto de sempre serem companheiras de um grafiteiro. Elas são fortes, independentes, e estão dizendo muita coisa com seu trabalho. Cada uma do seu jeito, a mulherada voltou a se apropriar da rua”, acredita.
Por fim, a paulistana, que se inspira pela música, pela poesia, “pelo céu do Sertão, a seca de São Paulo, as tristezas das meninas e as cores da terra”, diz que “quando acreditamos no que fazemos, quando é espontâneo e natural, a gente se posiciona diferente no mundo. Eu posso me mudar e naturalmente mudar ao meu redor.”
Para conhecer mais do trabalho de Mag Magrela, vai lá: magcrua.blogspot.com.br | facebook.com/magrela.mag
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