por Maria Zelada
Tpm #119

Escritora coreana Kyung-sook Shin fala sobre sociedade moderna, feminilidade e maternidade

Uma das boas surpresas na cena literária deste ano é a sul-coreana Kyung-sook Shin, 49 anos, autora do romance Por favor, cuide da mamãe. A obra, lançada recentemente no Brasil, já vendeu mais de 1,5 milhão de exemplares na Coreia do Sul e foi o primeiro título da escritora a integrar a lista dos mais vendidos do The New York Times.

Vencedor do prêmio francês Prix de l’Inaperçu e nomeado ao Man Asian Literary Prize, o livro narra a história de uma mãe que se perde do marido ao chegar em Seul para visitar os filhos. O episódio serve como base para que seus filhos percebam que há anos não davam muita atenção à matriarca da família, que sempre foi devota a eles, e faz um panorama da sociedade sul-coreana atual.

Apesar de traduzida em 23 idiomas e publicada em mais de 20 países, Kyung-sook só se comunica por sua língua nativa e, amparada por seu assessor e tradutor, falou à Tpm sobre o sucesso do último livro, como ingressou na literatura e por que uma história feminina cativou tantos leitores pelo mundo.

Você é a primeira mulher sul-coreana a fazer sucesso mundialmente. Como se sente? 
Não esperava por isso. Escrevi sete romances e sete pequenas histórias e só o Por favor, cuide da mamãe foi publicado em inglês, e depois traduzido mundo afora. Fiquei muito contente de ver meu livro sendo lido por tantos leitores. Agora me sinto livre.

Quando começou a escrever e de onde veio essa vontade? 
Quando tinha 16 anos mudei do interior da Coreia do Sul para Seul. Lá, trabalhei por quatro anos numa fábrica de eletrônicos durante o dia e à noite estudava. Quando fiz a graduação, no Instituto de Artes de Seul, saí do emprego e comecei a escrever, inclusive para o jornal da faculdade. Queria ser escritora porque acho que a literatura nos faz sonhar e ser livres.

Mesmo com o sucesso, já se sentiu invisível por ser mulher? 
Quando estou escrevendo não sou nem mulher nem homem. Estou somente escrevendo. Mas acho que o sexo feminino tem um importante papel na compreensão do mundo, aceitando o outro e descobrindo o amor.

A protagonista é descrita como uma pessoa que deixa suas vontades para priorizar a família. Acha que é um sentimento comum a mulheres do mundo todo? 
Talvez os tempos mudem, mas as mães se sacrificam em todos os lugares. A sociedade moderna, não importa em qual país, vive uma era em que o símbolo da “mãe”, ou o “moseong” [instinto materno em coreano], está se perdendo. Escolhi a mãe como personagem principal porque o olhar feminino pode ser mais adequado para desembaraçar alguns dos problemas que enfrentamos como mulheres e homens modernos.

Vai lá: Por favor, cuide da mamãe, de Kyung-sook Shin, ed. Intrínseca, R$ 29,90

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