por Erica Gonsales
Tpm #93

Um conto erótico e cenas quentes com o ator revelação do teatro e do cinema Gustavo Machado

Protagonista das cenas quentes do novo filme de Beto Brant, O Amor Segundo B. Schianberg, o ator Gustavo Machado esquenta também as páginas da Tpm – e fala romântico enquanto pensa sacanagem

Nas telas e nos palcos
Gustavo Machado, 36, está em cartaz em São Paulo com as peças Românticos da Idade Mídia, de Francisco Carlos, e Lá fora Vai Estar Chovendo sempre, de Gero Camilo, e no cinema com o filme Quanto Dura o Amor?, de Roberto Moreira. Protagoniza o novo longa-metragem de Beto Brant, O Amor Segundo B. Schianberg, ao lado de Marina Previato. Ganhou prêmios de melhor ator no Festival de Gramado, em 2007, e o APCA, em 2008, ambos pela atuação em Olho de Boi, de Hermano Penna. Foi indicado ao Prêmio Shell de 2006, por seu trabalho no filme Essa Nossa Juventude, de Laís Bodanzky, com quem também trabalhou em 2001, em Bicho de Sete Cabeças, e agora no novo longa da cineasta, As Melhores Coisas da Vida. Se prepara para dirigir a peça Pornô, baseada no livro de Irvine Welsh. Gosta de ficar em casa escrevendo e pintando.

 

Veias grossas nas mãos, pelos, vejo todos eles cobrindo seu braço, o peito, quando levanta a camiseta pra mostrar os colares, cada um uma história. Mas já não ouço, Gustavo, só o cheiro que posso enxergar saindo de você. Penso como explicar, não defino. Cheiro de homem. Pode ser brega, mas é verdade.

– A mulher diz: “Quero três paus dentro de mim”.

Espera. Você me conta dessa sua peça, você escreveu isso. Tá. O texto da peça. É isso que você quer fazer, Gustavo, foder uma mulher nesse grau? É assim que você gosta, de dominar?

Seu corpo dança pra falar, cada parte, passando as mãos nos cabelos, até parar e me acertar com os olhos. Prendo a respiração. As cervejas que estamos tomando há duas horas nos deixam assim, boiando no zunzum da praça Roosevelt, reduto do teatro alternativo de São Paulo.

Antes só sabia dos seus filmes, das suas peças, dos seus prêmios no Festival de Gramado, APCA e o escambau. Desse filme novo do Beto Brant, das cenas quentes. Me disseram que você era sedutor. Agora você aí, sorrindo satisfeito quando conto a fama que tem, como se não soubesse. Você diz que não tem ambição de bombar, de fazer sucesso. “Me dá preguiça. Passei da idade de querer isso, sabe?”

Me olha nos olhos e diz que tinha medo de tirar foto pelado e ficar pagando de gostoso. “Mas se é pra fazer me entrego então. Encarnei um personagem, quis desenhar figuras com meu corpo.”

Você fala e às vezes alisa meu braço, “eu falo assim, pegando”. Sem esforço me prende na sua atmosfera dionisíaca. Você diz que Henry Miller é que sabia das putas. Você sabe que toda mulher é meio puta. Agora mesmo imagino como você me faria sua puta direitinho. Não é disso que você gosta? “Sim, eu gosto de putaria.”

Uma garota passa de shortinho, montada numa patinete. Você diz: “Que cena linda, quanta besteira posso pensar vendo isso”. Acredita em fidelidade, Gustavo? “Nunca consegui ser monogâmico.” Mas as namoradas não ficam enciumadas? “Ciúme deixa a gente feio, mas acontece.”

– Uma vez disse pra uma garota: “Você tem ciúmes por achar que ela é mais bonita? Seja mais bonita ainda. Por achar que ela é inteligente? Seja ainda mais inteligente. Não pode se entregar ao ciúme assim”.

Silêncio. Digo que não o estou entrevistando assim, formalmente. Você me diz que não está dando uma entrevista assim, formal. Me encara e bate com a mão na minha, concordando que assim é bem melhor.

Vamos sair daqui, então, Gustavo. Chega de cerveja, você quer whisky. Chegam todas as suas amigas, selinhos na boca. Um beijo compriiido na morena bonita com sotaque gostoso. Gostoso, parece ser delicioso. “Eu amo mulher.” Já percebi, acredito. Você ama o suficiente pra saber o que a gente quer de verdade. Ser esse romântico que fala bonito enquanto pensa sacanagem. Eu quero tudo, Gustavo, isso mesmo. Uma putaria romântica. Uma judiação lenta e terna. Estou esperando.

No seu apartamento novo, ali perto, ainda as caixas da mudança, visto seu chapéu. Ali suas pinturas, seus escritos, seu Kikito, sua cama. Mas fico nua e ajoelho no chão. Você tira os sapatos e me olha, quieto. Espero. Dá pra ouvir minha respiração, a saliva se juntando na minha boca, pingos que caem de mim no chão da sala. Espero. Não desgrudo meus olhos dos seus. Já não sei se o que penso é minha imaginação ou se fui abduzida e penso o que você está pensando. “Feche os olhos.” Eu fecho. Estou esperando.

*Erica Gonsales, 33, é jornalista e produtora audiovisual. Mas gosta mesmo é de escrever contos calientes no blog maismalagueta.blogspot.com

Produção de moda Andrezza Aldrighi Zimenez Assistente de foto Leandro Bugni Agradecimento Antiguidades Francisco.com.br Camisa Calvin Klein; calça Ricci & Collela; cinto, gravata, suspensório e bengala Brechó Minha Avó Tinha; tênis e colares Acervo Pessoal

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