por Luíza Karam

Nan Goldin, a fotógrafa da intimidade punk e boêmia, dá rasante em São Paulo para falar ao público sobre o desafio de ser mulher nas artes

Na próxima terça-feira, Nan Goldin estará entre nós. Das mais importantes fotógrafas contemporâneas, cujas obras até hoje surpreendem pelo caráter emocional e autobiográfico – entre cenas explícitas de sexo, retratos dos amigos punks e registros da subcultura americana dos anos 80 –, ela vem palestrar em São Paulo, no Instituto Tomie Ohtake (ITO), em sessão gratuita e aberta ao público.

A norte-americana de origem judaica marcou a fotografia pela intimidade. Suas imagens revelam seu próprio habitat e as pessoas com quem convivia, tal e qual um diário – só que cheio de drogas, hematomas, drag queens e fluidos sexuais.

Balada da dependência sexual (1985), seu mais famoso trabalho, é uma série de cliques dessa boemia pungente, revelando, por entre traumas familiares e uma geração marcada pela aids, narrativas de sobrevivência e amor. Tudo sob o olhar de uma jovem que saiu de casa antes de completar 15 anos e ainda hoje influencia fotógrafos do mundo todo. (Em 2011, o Balada viraria exposição no Rio de Janeiro, mas acabou sendo vetado pelo "conteúdo impróprio".)

Desta vez, Nan virá sozinha, sem suas fotos. E palestrará no ITO sobre a presença das mulheres na arte. Aos 64 anos, ela quer dividir detalhes de seus quase 50 anos de carreira, além de pontuar os momentos de preconceito e as dificuldades de sua trajetória – seja por ser mulher, seja pelo teor tabu de sua obra. Em tempos de debate sobre sexualidade e censura na arte, não poderia ser mais bem-vinda, enfim. 

Vai lá: 31 de outubro, às 19h30, no Instituto Tomie Ohtake (Rua Coropés, 88, Pinheiros / SP). Retirada de senha 2 horas antes, na portaria do ITO. Classificação: 14 anos

Créditos

Imagem principal: Nan Goldin/Divulgação

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