por Letícia González

No handbike há apenas um ano, a administradora paraplégica Jéssica Moreira Ferreira desponta como paratleta de ponta no paraciclismo

Às 17h20 do dia 6 de novembro de 2013, o carro de Jéssica Moreira Ferreira deu três voltas. Quando parou, a 50 metros da estrada por onde conduzia sozinha, ela tinha o corpo preso nas ferragens. A notícia definitiva veio três dias depois: Jéssica não voltaria a andar. "Foi como se me dessem a vida de outra pessoa para viver. A minha, até então, estava no auge. Tinha 26 anos, morava sozinha, andava de salto e acabara de concluir um MBA", lembra. O namorado, em choque, desistiu dela ainda no hospital. Jéssica, pelo contrário, não desistiu de nada. Dedicou 2014 inteiro a tentar caminhar de novo. Quando o ano e o dinheiro acabaram, conseguiu uma vaga no Instituto Lucy Montoro, que presta atendimento de ponta gratuito a deficientes físicos.

"De novo, me disseram que eu não andaria mais. Mas que daria uma ótima atleta", conta. Assim ela foi, a contragosto, conhecer o time de ciclismo. "Eu não queria, mas quando cheguei no treino e vi os atletas já prontos para uma volta, pedi para ir junto. Quando comecei a rodar a manivela com as mãos e sentir o vento no rosto, o cabelo voando, me veio aquela sensação de movimento. Comecei a chorar." Completou os 48 quilômetros do treino, quase desmaiada e com insolação, mas extremamente feliz. "Foi um divisor de águas. Era como correr."

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Em maio, Jéssica venceu a etapa paulista da Copa Brasil de Paraciclismo. Em junho, ficou em segundo lugar no campeonato do Rio e, em julho, participou do campeonato mundial, na Espanha. A meta para 2016 é ousada para uma novata: "Quero chegar ao topo do ranking nacional". Alguém duvida? 

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Imagem principal: Divulgação

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