por Bruna Bittencourt

Do orgasmo à morte, onze palestras de mulheres no TED que valem a reflexão 

Com mais de 30 anos de história, o TED já disponibilizou quase 2.000 palestras on-line que não costumam ultrapassar 18 minutos - no mês passado, foi a vez do Papa Francisco engrossar a lista de oradores da organização. O TED nasceu em 1984 na Califórnia como uma conferência de tecnologia, entretenimento e design (daí suas iniciais). Hoje, aborda uma infinidade de temas, com o reforço do TEDx, evento que reproduz o modelo criado pela entidade pelo mundo e que já é velho conhecido dos brasileiros.

De sexo à comunicação, a Tpm selecionou onze palestras ministradas por mulheres que valem a sua pausa:

Amy Cuddy

(TEDGlobal, Edimburgo, 2012)
Em uma das palestras mais vistas do TED até hoje, a pesquisadora e professora da escola de negócios de Harvard mostra como nossa linguagem corporal influencia o julgamento das pessoas sobre nós. Mas a parte mais interessante é em que a americana nos ensina como fazer pequenos ajustes para nos tornarmos confiantes e assim mudarmos não apenas percepção dos outros, mas também a nossa sobre nós mesmos. Termina aplaudida de pé.
Vai lá: "Sua linguagem corporal molda quem você é" (disponível com legendas em português)

Ana Claudia Quintana

(TEDxFMUSP, São Paulo, 2012)
A médica especialista em cuidados paliativos pela Universidade de Oxford e responsável pela implantação das políticas assistenciais de avaliação da dor do Hospital Israelita Albert Einstein divide sua experiência no tratamento de pacientes próximos da morte. "O cuidado paliativo trata do sofrimento humano e, ao contrário do que dizem, tem muito a oferecer", diz. Para ela, "medicina é simples; difícil é a psicologia".  
Vai lá: "A morte é um dia que vale a pena viver" 

Brene Brown

(TEDxHouston, 2010)
A professora e pesquisadora americana passou os últimos 13 anos estudando vulnerabilidade, coragem, valor e vergonha, um processo que, como ela conta na palestra, a levou à terapia. Em um dos dez vídeos mais vistos do TED, Brene - que se aprofundou no estudo da vergonha e empatia - defende a importância nos expormos, de amar mesmo quando não há garantias. "A única coisa que nos separa do relacionamento é o nosso medo de não sermos dignos dele."  
Vai lá: "O poder da vulnerabilidade" 

Carolina Nalon

(TEDxPedradoPenedo, Vitória, 2006)
Na palestra, a coach brasileira parte de uma quase-briga que teve com sua mãe para falar sobre comunicação não-violenta. A ferramenta, criada pelo psicólogo americano Marshall Rosenberg (1934-2015), é empregada para a resolução de conflitos pelo mundo, mas também pode (e deve) ser usada no nosso dia a dia. É na maneira como falamos e ouvimos os outros que está a solução para desavenças. No caso de Carolina, ela poderia ter discutido com a mãe, mas usou o episódio para tentar entender o que estava por trás da queixa dela e criar espaço para o diálogo - no lugar do conflito.
Vai lá: "Para início de conversa"

Chimamanda Ngozi Adichie

(TEDGlobal, Oxford, 2009)
A premiada escritora nigeriana mostra a partir de sua experiência pessoal o perigo de um único ponto de vista, que propicia a criação de estereótipos. A autora de Americanah relembra da sua infância na Nigéria, quando só lia livros sob a perspectiva eurocêntrica e que nada tinham a ver com sua realidade, à imagem que sua colega de quarto na universidade americana tinha de uma africana e que em nada lembrava Chimamanda. Mas a escritora também faz sua mea-culpa e recorda sua surpresa ao visitar o México e se deparar com uma imagem do país bem distante do que havia construído até então: "Percebi que havia estado tão imersa na cobertura da mída sobre os mexicanos que eles haviam se tornado uma coisa em minha mente: o imigrante abjeto", lembra.
Vai lá: "O perigo de uma história única"

Flaira Ferro

(TEDxUFPE, Recife, 2016)
pernambucana, que começou a dançar ainda criança, lembra como repensou sua carreira como bailairina após machucar seu joelho. Flaira conta como seu processo de autoconhecimento, por trás da dançarina bem-sucedida que sempre foi, a levou a cantar - algo que gostava, mas temia - e a compor a canção Me Curar de Mim, do disco Cordões Umbilicais (2015).
Vai lá: "Por trás do aplauso"

Julia Galef

(TEDxPSU, State College, 2016)
A partir de um fato histórico (uma condenação injusta na França do século 19), a pesquisadora americana analisa a diferença entre defender um ponto de vista a qualquer custo e a importância de colocar uma crença à prova. Julia se dedica a estudar como podemos melhorar nossos julgamentos, especialmente em decisões complexas e de alto-risco.
Vai lá: "Por que você acha que está certo mesmo quando está errado?"

Lizzie Velasquez

(TEDxAustinWomen, 2013)
Portadora de uma síndrome rara que a impede de ganhar peso, a americana conta sobre o bullying que sofreu na infância e como usou experiências negativas para alcançar seus objetivos - Lizzie é autora de livros e palestrante motivacional. No vídeo, ela fala abertamente sobre ser rotulada como a mulher mais feia do mundo.
Vai lá: "Como você se define?" 

Mary Roach

(Long Beach, 2009)
Psicóloga e autora de diversos livros, entre eles Bonk: O Curioso Acoplamento entre Ciência e Sexo, aamericana repassa com humor diversos estudos e casos, dos humanos aos animais, em que o orgasmo é o tema. Na palestra, aprendemos que um feto pode se masturbar e que uma mulher atingia o clímax toda vez que escovava os dentes.  
Vai lá: "Dez coisas que você não sabia sobre orgasmo"

Nátaly Nery

(TedxSãoPaulo, 2016)
No TEDx que debateu o papel da mulher negra na sociedade, a estudante de Ciências Sociais  e youtuber à frente do canal Afro e Afins conta como foi crescer sob a sombra do estereótipo da mulata do corpo curvilíneo que os homens e ela mesma achava que se tornaria, mas que nunca chegou. Nátaly discorre sobre como isso afetou sua auto-estima e a fez refletir sobre racismo.
Vai lá:
"A mulata que nunca chegou" 

Suzana Herculano Houzel

(TEDGlobal, Edimburgo, 2013)
Primeira brasileira a palestrar no TED, a respeitada neurocientista carioca conta como provou em 2009 que o cérebro humano é composto por 86 bilhões de neurônios - e não 100 bilhões, como sempre se acreditou. Suzana foi atrás da origem do dado e o colocou à prova. Ela ainda nos mostra como o ato de cozinhar foi fundamental para a evolução humana.
Vai lá: "O que há de tão especial no cérebro humano" 

Créditos

Imagem principal: John Ferguson/Oxfam

matérias relacionadas