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Por Mara Gabilli | Ilustração Madalena Elek
O melhor da campanha política é o corpo-a-corpo, quando, por meio das conversas, de certa forma explicito os traços de cidadania das pessoas
Eu vivo tão envolvida no meu trabalho que há muitos anos não percebo diferença entre trabalho e lazer. É claro que conheço bem o efeito de uma praia ensolarada e de uma tarde no plenário da Câmara Municipal de São Paulo. Talvez este último seja aquilo que mais se aproxime da categoria trabalho duro. Não que estar no plenário seja difícil, mas por eu odiar ar-condicionado, me faz tremer de frio. Portanto, em alguma instância do meu emocional, eu correlaciono estar ao ar livre com diversão. Por isso, esses últimos 50 dias da minha vida foram de uma intensidade profícua. Apesar de dormir pouquíssimo, estar sempre voando para os compromissos, respondendo e-mails no carro para aproveitar o trânsito e não dar brecha pro lero-lero contra a corrente, foi um período muito feliz que inexoravelmente fará parte do “the best of” da minha história. Campanha política pode ser muito chata para quem é mal impactado de informação ou quando não existe uma boa receptividade por parte da população cansada de mentiras, prosinhas demagógicas e sofrimento.
Do Grajaú à Daslu
Desde que assumi como vereadora no ano passado, continuando o trabalho estratégico para as pessoas com deficiência, me lancei a campo pelos arredores de São Paulo detectando as necessidades e procurando atender às demandas da população. Agora, mergulho nas multidões ou mesmo em pequenos grupos, expli-cando o trabalho que faço, entregando panfletos das minhas ações e respondendo questionamentos das pessoas. Elas me recebem com muito carinho e muita gente diz já conhecer alguma coisa de mim. Quando vamos em turma pelas ruas abordando as pessoas, muitas não pegam material até que me vêem e, então, sabendo a origem de todo o discurso, aderem ao movimento se interessando em conhecer minhas ações.
O mais gostoso é esse corpo-a-corpo com as pessoas, quando fluem conversas diversas e, de alguma forma, mesmo sem recrutar deliberadamente, eu explicito os traços de cidadania das pessoas. Alguns reclamam, outros só trocam idéias, outros elogiam e há aqueles que choram; tem sempre um mal-humorado que xinga, alguém que diz que todo político é vagabundo – até um amigo que entregou um panfleto para um cadeirante na praça da Sé já ouviu: “Todo deficiente é filho-da-puta”. Tem até pessoas que dizem “coitadinha, vou votar nela”.
Meu trabalho é pouco regional. Minhas ações são pulverizadas por toda a cidade, por isso faço campanha de norte a sul. É curioso observar as diferentes reações do povo daqui e do povo dali, mas o que deixa tudo mais interessante ainda é aquilo que é comum da expressão da alma humana e que dignifica uma campanha política, seja na Daslu ou no Grajaú.
Quando você estiver lendo este texto talvez eu tenha sido reeleita, de qualquer forma espero continuar tendo ajuda dos cidadãos para transformar nosso país. E como disse Mauro Chaves em seu artigo do Estadão, “São Paulo acessível”: “A acessibilidade é o instrumento arquitetônico da dignidade”.
Direciono minhas ações para as pessoas com deficiência, mas quem colhe é a cidade inteira.
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