por Redação

Veja tudo o que rolou no primeiro dia de Casa Tpm deste ano

Começou a Casa Tpm 2016! Chegamos à quinta edição do evento discutindo e celebrando a condição feminina contemporânea, propondo reflexões para romper os clichês e preconceitos que ainda resistem quando o assunto é a mulher na sociedade brasileira.

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Pontualmente às 15h, Fernando Luna, diretor editorial da Tpm, abriu o sábado lembrando da importância da Casa acontecer no Nacional Club. “São 15 anos de revista e 5 de Casa Tpm. Adoro o fato de fazermos o evento no Nacional. Há poucos anos, mulher não podia entrar, este era um clube de cavalheiros. Estar aqui com a Tpm é uma forma de tomar este lugar". Fernando comentou os duros percalços vividos por nós em pleno século 21: “É inaceitável que mulheres continuem ganhando 30% menos que os homens, enquanto mulheres negras, até 62%. É inaceitável que mulheres fiquem com medo de pegar táxi à noite. É inaceitável que o aborto seja crime no Brasil”. 

SER MULHER EM 2016: O QUE MUDOU?

Fernando mediou a mesa de abertura, que trouxe a atriz Taís Araújo, a Secretária-adjunta da Secretaria de Direitos Humanos de São Paulo, Djamila Ribeiro, e a filósofa e psicanalista Viviane Mosé conversando sobre ser mulher em 2016. Nos últimos anos, o que de fato mudou pra gente? O que ainda precisa mudar? 

Viviane contou que sua mãe era feminista e que a educou para ser livre, solteira, independente e sem filhos. "Quando me tornei adulta, questionei minha mãe: 'Porque você fez isso comigo?'. Tive problemas em me relacionar com os homens por causa dessa criação".

Taís falou da dificuldade de criar seus filhos em uma sociedade machista, e de como procura desconstruir na educação deles os maus hábitos que aprendeu com os pais. Djamila ressaltou a importância de gritar “Sou mega feminista!”. “As coisas precisam ter nomes, me incomoda falar ‘sou humanista’. Sou feminista para que as mulheres tenham a chance de serem consideradas humanas”, completou.

Ao final da conversa, Fernando perguntou às três: "Qual é seu maior prazer em ser mulher?". Viviane Mosé cravou: "Sinto todos os prazeres, tenho até pena dos homens. Amo ser mulher e seria mil vezes se pudesse escolher".

MULHER E CORPO

A segunda mesa do dia, conduzida por Giuliana Tatini, diretora de núcleo da Trip Editora, contou com a blogueira Jéssica Ipólito e as cantoras Tiê e Xênia França.
As convidadas falaram sobre a relação com seus corpos e de como suas histórias foram moldadas por eles. Somos aquilo que os outros veem ou o que escolhemos para nós?

“Eu existo, gente. Quando entro em algum lugar, estou reafirmando minha existência. Tenho o direito de estar em qualquer lugar. As mulheres negras são seres poderosos que têm avançado em seus direitos com muito fervor. Me sinto parte disso”, disse Xênia.

Tiê contou de como as doenças autoimunes que teve, o vitiligo e o lúpus, ajudaram a construir quem ela é hoje. “Compor salvou meu corpo. Foi através da música que coloquei minhas dores pra fora e assumi pra mim mesma quem eu era. Parei de usar maquiagem e deixei o vitiligo aparecer. Assim comecei meu processo de cura.”

Jessica falou de sua história de garota negra, gorda e sapatão, que veio do interior pra capital paulista e sentiu na pele a rejeição da sociedade. “A relação com o meu corpo é um processo contínuo, não tem receita pronta. A sociedade quer lucrar em cima das nossas dores e vulnerabilidades. Encontrei um jeito de olhar pra mim, de me amar.”

MULHER NA POLÍTICA

A terceira mesa do dia, também mediada por Fernando Luna, abordou o tema da mulher na política, com a participação da deputada federal Mara Gabrilli, da diretora do Instituto Igarapé, Ilona Szabó, e da cineasta Tata Amaral. Tata lembrou que a maioria da população brasileira (51%) é mulher, no entanto, não somos maioria nos espaços de poder. “Nosso Congresso não nos representa”, afirma.

Na atual legislatura, temos apenas 51 deputadas de um total de 513; no Senado, das 81 cadeiras, apenas 12 são de mulheres. “A gente está em 61º lugar de presença da mulher na política, atrás de países como Cuba, Ruanda e Nicarágua”, aponta Mara. Fernando perguntou ao público do salão principal da Casa Tpm quem é a favor da proposta de uma cota de 10% de mulheres no Congresso e a maioria se disse favorável.

Ilona defendeu a descriminalização das drogas no Brasil. Ao perguntar a opinião do público, 100% se disseram a favor da medida.  Sobre a descriminalização do aborto, todos os presentes - com exceção de uma pessoa - se posicionaram a favor.

MULHER E SEXO

A quarta mesa, mediada por Milly Lacombe, colunista da Tpm, teve como tema o sexo. O que queremos quando esse é o assunto? Como gozamos e como queremos gozar? Para debater o tema, Lia Bock, redatora-chefe da Tpm, a escritora Carol Teixeira e a atriz Nicole Puzzi. "É importante desmistificar o sexo, naturalizar a coisa", enfatizou Lia, que continuou: "Na teoria, a gente é muito livre, mas, na prática, você tá lá fingindo que gozou pro cara não ficar chateado". Aproveitando a fala de Lia, Milly perguntou à plateia: "Quem aí já fingiu orgasmo?". Mais uma vez o público respondeu de forma unânime: todo mundo ali já fingiu. Vale lembrar: a grande maioria dos visitantes da Casa são mulheres.

BELEZA CONSTRUÍDA

Os padrões de beleza impostos às mulheres foi o tema do papo entre a modelo Michelli Provensi , a maquiadora Vanessa Rozan e a dermatologista Cristina Abdallah, mediado pela diretora de núcleo da Trip Editora, Renata Leão. “Eu sofri na pele essa coisa da escravidão dos padrões de beleza”, contou Michelli, 31 anos, que trabalha como modelo desde os 16 anos. “Para a moda você nunca está magra o suficiente. Com 21, eu era bochechuda, meu apelido era Topo Gigio. E fiz a cagada de fazer uma cirurgia para diminuir a bochecha. Corri o risco de ter uma paralisia facial”, desabafou a modelo. 

Vanessa recordou que hoje não basta ser magra, tem que ser fitness. “Você tem que tomar o seu suco verde, comer a sua tapioca, ter a bunda dura e postar tudo isso no Instagram”, diz Vanessa. “Só que a gente sabe que essa vida maravilhosa de Instagram é uma mentira”, acrescentou a maquiadora.

VOCÊ JÁ FOI VIOLENTADA HOJE?

É possível viver em um mundo completamente livre da cultura do estupro? O que devemos fazer e por onde devemos começar para mudar o cenário no qual vivemos? A  última mesa do primeiro dia de debates da Casa Tpm 2016 tratou de um assunto sério, pesado e urgente: violência sexual. Para conversar sobre o tema, Renata Leão, diretora de núcleo da Trip Editora, convidou ao palco a cantora Fafá de Belém, a roteirista Antonia Pellegrino e a filósofa Marcia Tiburi. Renata iniciou a conversa apresentando números assustadores: “segundo o Ipea, o Brasil registra mais de 50 mil estupros por ano”. “A violência sexual está em todos os setores e níveis da nossa sociedade.” 

"A gente precisa sair desse lugar de se deixar objetificar. Temos que reconfigurar esse jogo e não tolerar mais nenhum assédio. É impressionante a quantidade de mulheres que conheço que foram estupradas. E olha que eu vivo numa bolha", afirmou Antonia. “Eu não quero ser olhada como carne ou como coisa. A violência da beleza e da sensualidade está absolutamente conectada à violência contra os corpos das mulheres”, disse Marcia.

Fafá reivindicou o direito de se vestir como quer, sem precisar se importar com os olhares dos outros. “Adoro botar um decotão. A primeira vez que vi Sophia Loren usando um, me libertei. Pensei: Yes, i can!"

Ao final, Renata questionou: “Por que a gente ainda tolera os comportamentos abusivos? Pra mudar o cenário, precisamos não fingir mais que nada aconteceu e denunciar. Sempre denunciar”. 

5 MINUTOS COM DAIANA GARBIN

Criadora do canal no YouTube Eu vejo, a jornalista Daiana Garbin contou para a plateia sua história de desconstrução. “Quando pedi demissão do meu trabalho como repórter na maior emissora de TV do país, queria falar sobre ter vergonha do corpo, e eu odiava o meu. Tenho 34 anos e durante 30 eu o odiei. A comida era minha pior inimiga. Fiz três lipoaspirações em 10 anos. Preferia morrer do que ser gorda.  Ter odiado meu corpo me levou à depressão e à tristeza. Da próxima vez que você se olhar no espelho, sorria para você mesma. Se amar: essa é a nossa próxima revolução." 

 

 

FAFÁ DE BELÉM E MARIA ALCINA

Fafá de Belém subiu ao palco da Casa Tpm 2016 pra fazer um show inédito e inesquecível ao lado de Maria Alcina. No repertório, Cássia Eller, Titãs, Rita Lee, Gal Gosta, Pitty e Iron Maiden. 

Veja abaixo galeria com os melhores momentos da Casa Tpm 2016.

 

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