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Conversamos com as designers de duas marcas de moda praia que criam biquínis e maiôs para todos os tipos de corpo

O verão está chegando e, para grande parte das mulheres, a hora de enfrentar o provador de uma loja para escolher um biquíni é quase sempre traumática: tamanhos pequenos, modelagens apertadas e peças pensadas para um biotipo bem específico derrubam a autoestima de qualquer pessoa. A boa notícia é que as coisas estão mudando. Atentas à onda de autoaceitação que vem ganhando força, algumas estilistas estão desenvolvendo modelos muito mais democráticos. O principal objetivo? Fazer as mulheres se sentirem confortáveis na praia e provar que todo corpo está pronto para o verão. À seguir, nosso papo com duas delas: Lucia Hsu, criadora da Cosmo Swim, e Danielle Cavalher, da Aro Swimwear

Tempos atrás, Lucia Hsu, 33 anos, passava por um processo de autoconhecimento. Ao mesmo tempo, a carioca, que é formada em Design de Produto, sabia que gostaria de ter uma marca que se comunicasse de uma forma diferente com o consumidor. Foi quando ela se deu conta da dificuldade de encontrar biquínis que fossem confortáveis, bonitos e se adequassem a diferentes biotipos femininos. “Nunca achei um biquíni ou uma marca com a qual eu me identificasse”, conta. Nascia assim, há um ano, a Cosmo Swim, com foco em biquínis minimalistas, mas para todos os corpos. 

Tpm. Como surgiu a marca?
Lucia Hsu. Nunca tive uma questão muito séria com o meu corpo, mas sempre me senti muito inadequada. Não encontrava um biquíni com o qual eu me identificasse. De repente, me deu um estalo: qualquer produto feminino deve se comunicar com a mulher atual e as marcas de moda praia não estão fazendo isso. O modelo de comunicação é sempre muito baseado na sexualização da mulher. Pensei: e se tirar a parte sexual e focar na pessoa, em sua essência? A partir daí, tudo fluiu muito melhor.  

Que tipo de cliente procura a Cosmo? Quem nos procura não é necessariamente plus size. São mulheres que querem se sentir bonitas e confiantes, com pouca roupa. Não crio para pessoas magras, nem para pessoas gordas. Crio para o tipo mais comum, que mais vemos nas ruas, mas não é representado. São justamente essas pessoas que procuram a marca: as que não se sentem representadas por nenhum tipo de campanha.

Como você acha que a marca colabora para as mulheres se sentirem mais à vontade com seus corpos? Quando uma pessoa veste uma roupa mínima —  uma calcinha e um top —  e se sente confiante para estar na praia é uma libertação. Uma mulher que sai na rua se sentindo confiante com o que está usando gera um impacto em outras mulheres ao redor. O meu objetivo é inspirar pessoas a buscarem ser quem são, sem se sentirem obrigadas a seguir um padrão.

Como o fato de criar modelagens para diferentes tipos de corpo interfere na criação dos biquínis? Comecei a pensar no tipo de modelo que gostaria de usar, fiz uma pesquisa e cheguei à conclusão de que quanto menos variações, menos detalhes desnecessários, melhor. O que posso tirar, pois não serve para nada? O que posso colocar para melhorar? A calcinha que mais vende, a Alcyone, tem a lateral mais larga e é mais cavada, o que alonga as pernas. São detalhes muito simples, mas que fazem toda a diferença quando você veste.

O que seria um corpo pronto para o verão? Não tem pré-requisito. É aquele com o qual a pessoa já nasceu. É um corpo qualquer vestindo um biquíni ou maiô. Um corpo saudável, que não se odeia, se cuida, está a fim de se divertir. É uma mulher que vai a praia, come um biscoito e toma uma cervejinha.

No fim de 2015, Danielle Cavalher, 25 anos, acabava de chegar de um intercâmbio na Inglaterra quando uma amiga dividiu com ela a ideia de criar uma marca de moda praia. Já cansada da faculdade de arquitetura e ciente de que não queria trabalhar na área, Danielle topou o convite. "Começamos a fazer biquínis que queríamos ter, mas não víamos nas lojas", conta a carioca. Hoje, ela toca sozinha, de Barcelona, onde mora, a Aro Swimwear, que, com modelagens democráticas, busca conquistar mulheres de todas as formas.

Tpm. Como surgiu a marca?
Danielle Cavalher. Eu ainda cursava arquitetura quando minha amiga Isadora Ferrari me pediu ajuda para construir uma marca. Juntas, começamos a fazer biquínis que queríamos ter, mas não víamos nas lojas. Optamos por fugir dos modelos de sempre, que usavam muita estampa e insistiam em cortininhas e lacinhos. Também não queríamos usar essas mulheres perfeitas, de corpos surreais, que a maioria das marcas de biquíni adotam em suas campanhas.

Que tipo de cliente procura a Aro? Pessoas que estão dispostas a buscar um caminho para se sentirem mais livres, belas e sexy. Minhas clientes têm coragem de postar uma foto de biquíni, pois se sentem gostosas. São pessoas com uma atitude libertadora, que estão em processo de descobrimento e autocuidado. Elas não se importam em seguir tendências. Querem encontrar um produto com qualidade, conforto e modelagens que suprem suas necessidades.

Como você acha que a marca colabora para as mulheres se sentirem mais à vontade com seus corpos? É um propósito de vida fazer uma microtransformação no mundo. A moda praia é uma das mais delicadas em relação à aceitação do nosso corpo porque é uma roupa íntima que a gente usa socialmente. É um momento em que o corpo está exposto. Acho que a Aro colabora para esse comprometimento em desenvolver a imagem da mulher. Desde o início, postamos em nosso Instagram pessoas comuns, e fazemos questão de enaltecer corpos confortáveis e seguros de si.

Como o fato de criar modelagens para diferentes tipos de corpo interfere na criação dos modelos de biquíni? O processo da marca sempre foi muito baseado em demandas e desejos. Sempre fiz e continuo fazendo biquínis muito grandes.  Devemos pensar produtos por conta de demandas corporais e não só por gosto ou estética. Ter tamanhos do P ao GG não quer dizer que todos os corpos estão sendo abraçados.


O que seria um corpo pronto para o verão? O nosso corpo está pronto desde que a gente nasceu. A gente tem que estar com a cabeça limpa, feliz e focada em se divertir.

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