por Autumn Sonnichsen

Gosto da ideia de testar as fronteiras do próprio corpo, de abrir as fronteiras do coração

Acordei hoje no meio da floresta Amazônica, na fronteira do Brasil com a Guiana Francesa. A neblina no meio da floresta é forte, e quando o sol começa a queimar a neblina, parece que o rio está fervendo. Coloquei o biquíni e a touca e fui nadar, subindo o rio, até não poder mais.  Daí nadei de volta. Nadei até a França e voltei. Acho tão bonito atravessar uma fronteira com o próprio corpo. E gosto, também, da ideia de testar as fronteiras do próprio corpo, de abrir as fronteiras do coração. Se tem alguém que sabe atravessar as fronteiras do corpo com graça, e talvez não só atravessar, mas também expandir essas fronteiras, é a Camila.

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Camila é bailarina e professora de balé também. Li uma vez que fazer aula de dança com ela é um pouco como aprender a jogar tênis com Federer. Quando fotografei a Camila pela primeira vez, em março deste ano, ela foi Trip Girl. Ainda não a conhecia tanto – não sabia das tardes que ela ia passar tomando vinho na minha casa, não sabia que ela ia virar a namorada do meu melhor amigo por um tempo, não sabia o tanto de imagens que ia fazer dela ao longo do último ano e ainda não sei quais vão ser as imagens que vão vir ao longo das próximas décadas.

Quero ver o corpo dela mudar. Quero ver como um corpo desses muda. Quero ver ela mesma mudar. Quero ver como uma mulher dessas se transforma, se inova, como ela vai amar, se enxergar, quero ver os outros seres que vão nascer do corpo dela.

Eu sei que ela vai estar comigo, com a mão estendida, falando: “Vem comigo, vou dançar pra você, vou te mostrar quem você é através da maneira como você me enxerga”. A gente nunca sabe quantos presentes uma pessoa que aparece nas nossas vidas de repente pode nos dar. É um trabalho diário – quase uma disciplina – ter essa confiança no futuro, nas mulheres, no amor, não ter medo do mar aberto, de deixar o coração mole e a coxa dura.

Créditos

Imagem principal: Autumn Sonnichsen

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