por Nina Lemos

No Dia Internacional de Combate à Violência Contra à Mulher, vamos lembrar da violência dos procedimentos cirúrgicos, das dietas de fome... A lista não acaba. E claro, é porque a gente é louca

Desenho lindo da mana Rita Wainer

Hoje é Dia Internacional de Combate à Violência Contra a Mulher. Uma data muito importante. Ainda mais agora, que a gente, mina do Brasil, acordou e decidiu dizer não para o assédio, para o tapa e a passada de mão na bunda. A violência física contra a mulher é um assunto seríssimo e vocês sabem disso. Mas somos violentadas todos os dias, de várias maneiras. Abaixo, uma lista de violência que sofremos no cotidiano, só algumas delas, claro, infelizmente essa lista é infinita. Ainda.

Não ganhar o mesmo que os homens

Sim, trabalhar o mesmo, dar duro, e ganhar menos só porque a gente não tem pinto (e não, nem queria ter) é, sim, uma violência. E ouvir alguém falar (outro dia uma jornalista mulher disse) que isso é mimimi também é outra violência. 

Ter que se adaptar aos padrões de beleza esperados

E fazer dietas horríveis, passar fome. E aí, sim, se sentir digna de se olhar no espelho ou usar um biquíni. A violência de jejuar, tomar remédios que te deixam mal, tudo para se adaptar àquele corpo que está na moda. 

Não poder andar na rua à noite

Porque, como já disse nesse blog, sempre tem um cara que para o carro e vai nos seguindo enquanto andamos. E porque temos medo de estupro, bala, sequestro, assalto. 

A violência de ter voz e ser atacada na internet

Uma mulher ter voz, ser influente de alguma maneira (e não só por causa da bunda) já é difícil. Mas o que acontece quando conquistamos alguma voz? Começamos a ser chamadas de vaca, feia, baranga, mal comida. Já fui chamada das piores coisas do mundo. Já magoei e já chorei. Hoje, não leio comentários. Mas, sim, já pensei em chamar a polícia. Sim, já teve ameaça física.

Não esquecer no dia de hoje da querida blogueira Lola Aranovich, ameaçada de morte dezenas de vezes, perseguida, com loucos criando blog em seu nome só porque ela teve a ousadia de ser mulher, feminista, ter opinião pra caramba e não ser do padrão de beleza que esses caras elegeram como ideal. 

A violência de não conseguir comprar uma roupa porque ela não existe do seu número

Porque aquela marca, por mais que queira vender e ganhar dinheiro, não, não quer ter o nome associado a você, sua gorda! Ah, detalhe, a tal "obesa" que pode manchar o nome da marca, veja só, muitas vezes é uma mulher que usa manequim 44.

A violência de não poder ficar velha, porque aí você estará fora do mercado! A violência de ser tratada como mercadoria

Não, ninguém acha uma coisa incrível que um homem tenha um corpo ok aos 40 anos. Já mulher, se for famosa e usar um biquíni, vai ser fotografada na praia quando fizer essa "loucura" de tirar a burca. A legenda dirá que ela "surpreende por corpo sequinho" ou quantas celulites ela tem.

A violência dos procedimentos estéticos

Rasga, costura, injeta. Nos entupimos de injeção na testa. Acho que toda mulher no Brasil, ou quase toda, já se sentiu meio tentada a "dar uma refrescada" com um produto que você pode pagar em várias parcelas. Uma vez fui fazer uma matéria para a Tpm e saí de uma clínica estética determinada a aplicar laser na cara. Até que uma amiga, que já fez, me disse que doía tanto que você tinha que apertar uma bola de plástico (inclusive, uma vez ela quebrou a bola). Eu sei que só pensei nisso porque vivia em uma sociedade que gritava na minha cara que eu tinha que ser jovem para sempre.

Cada um faz o que quer. Seu corpo, suas regras. Mas que você não faça porque é pressionada.

A lista continua, infinita… E, claro, ao reclamar de todas essas violências, ainda podemos ser chamadas de chatas. E de loucas. E alguém ainda pode falar que isso é puro mimimi.

Quanta violência!

matérias relacionadas