por Camila Eiroa

Drope como uma menina: mesmo machucada, a skatista Pâmela Rosa, de apenas 16 anos, foi a campeã do X Games 2016

O sotaque é interiorano e o tom de voz despreocupado, como o de quem fala de uma brincadeira. Mas Pâmela Rosa não brinca em trampo e, para ela, skate é coisa séria. Aos 16 anos, foi a campeã mundial do X Games 2016, um dos principais campeonatos mundiais do esporte. Achou pouco? Tem mais: prata nos X Games de 2015 e 2014, em Austin, e campeã sul-americana de 2012.

A primeira vez que a jovem subiu em um shape foi aos 8 anos, escondida de todo mundo e sem fazer ideia de que um dia traria uma medalha de ouro para o Brasil. Ela conta que pegou emprestado o skate de um colega de sua irmã sem o consentimento dele, que tinha medo de a "pirralha" se machucar. "Ele deu uma bobeada, fui lá e dei uma volta na calçada de casa. Aí a paixão começou", lembra. Percebendo que tinha gostado, a mãe de Pâmela, Evânia Rosa, resolveu presentear a filha com um skate só dela.  

Em São José dos Campos, cidade do interior de São Paulo onde moram, existem algumas pistas de bairro onde rolam pequenos festivais. Duas semanas e meia depois de ter seu próprio skate, ela resolveu se aventurar em uma dessas competições e ficou em terceiro lugar. "Quando dei o skate pra ela, pensei que seria só mais um dos brinquedos. Mas quando ela começou a ganhar os festivais, percebi que era muito mais do que isso", conta a mãe.

Pâmela cresceu rodeada de meninos que andavam e logo se enturmou no meio, começou a ficar ligada nos campeonatos e a participar de todos que podia. "Era só diversão, sabe? Hoje que ficou mais sério", diz a skatista.

Em 2012 veio sua primeira grande colocação, aos doze anos, o primeiro lugar no sul-americano. Uma das organizadoras do X Games estava na plateia, bem quietinha, mas de olho no talento da menina. "No dia não me falaram nada. Ganhei o festival de boa e voltei para o Brasil. Depois de um tempo, recebi um convite por e-mail para participar. Minha mãe leu primeiro e achou que fosse trote. Ela ficou sem acreditar, saiu gritando pela casa", lembra.

Dona Evânia, inclusive, é a maior companheira da filha nas viagens. A primeira edição do festival que Pâmela participou foi a de 2013, em Foz do Iguaçu. As duas chegaram em cima da hora e passaram por alguns perrengues: o shape quebrou e foi preciso emprestar o de um amigo. Além disso, os custos das viagens são sempre muito caros e falta apoio ou patrocinador.

A skatista reconhece que o esforço não é pequeno e conta à Tpm que em muitos festivais as duas já ficaram até sem ter o que comer. Seu pai é outro grande apoiador da carreira. "Eles só exigem que eu não pare de estudar, mas são os que mais me incentivam." Pâmela teve que trocar de colégio, de um particular para um público, por conta das faltas, mas o rendimento é bom. Hoje no terceiro colegial, ela ainda não sabe se vai começar a faculdade de Educação Física em seguida, ou aproveitar para dar um gás no esporte. "Agora eu estou me focando mais no skate. Já consigo ajudar a minha família com ele."

Os convites para os campeonatos vieram espontaneamente, assim como os prêmios. "Na primeira vez que ela ganhou prata eu chorei muito, mas só depois. Na hora mesmo eu fiquei anestesiada. Eu fico muito nervosa nas finais", confessa a mãe.

Assista as manobras na final do X-Games 2016:

O ouro que ganhou neste ano não era esperado por ninguém. Além de ser uma competição super difícil, Pâmela estava com uma trinca no joelho e diz que foi para Oslo, na Noruega, apenas para garantir seu lugar no X Games. Dona Evânia lembra que quatro horas antes de entrar na pista, a filha sentia muita dor e teve que pedir suporte para o fisioterapeuta. "Eu estava desesperada. Ela não tava bem, mas é meio durona, vai segurando a dor. Foi inacreditável ela ter conseguido ganhar."

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A mãe garante que, campeã ou não, a filha continua a mesma adolescente de antes. Embora andando de skate o tempo equivalente ao dobro da sua idade, Pâmela não pretende parar tão cedo, já decidiu que esse é o seu futuro. Para ela, "antes o esporte era muito desvalorizado e marginalizado. Ainda existe isso, mas cada vez menos".

Além da paixão pelas rodinhas, a skatista herdou um amor de família: o samba e o carnaval. Ela desfila todos os anos. A irmã é passista, a mãe é coordenadora de ala e Pâmela toca na bateria. Pra dropar nas pistas não tem erro, o som no fone de ouvido é pagode e samba. Só diversão.

Créditos

Imagem principal: Gabriel Gonzaga

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