por Paula Jacob

Prazer feminino, surrealismo, naturalidade e masoquismo estão entre os temas abordados pelos artistas que você precisa conhecer

Não é de hoje que artistas de todo o mundo representam cenas de sexo em seus desenhos. Antes de ser taxada de arte transgressora, esse tipo de imagem era usado para fins religiosos, retratando a força do ato sexual como um potencial energético sobrenatural. Hoje, elas aparece em quadrinhos, livros, esculturas, nos museus, nas redes sociais, nos muros das cidades.

Separamos seis perfis de ilustradores que só desenham "aquilo" para você seguir no Instagram, soltar as amarras e deixar a imaginação fluir.

@FridaCastelli 

A ilustradora italiana mistura cenas cotidianas com alguma pitada erótica, para deixar a sua história um pouco mais interessante. "É como se fosse um diário aberto. Quero me conectar com meus próprios sentimentos e pensamentos, e o desenho faz essa função", explica. Sob o olhar de Frida, uma simples macarronada pode ganhar texturas e cores intensas que te envolvem sem inocência alguma. Para criar todo esse universo semi-irreal, ela faz de suas próprias fotos os rascunhos de grafite e os colore com lápis de cor ou giz de cera. "Gosto de deixar os errinhos, faz parte da vida", brinca.

@SabrinaGevaerd 

Partindo de um ponto de criação bem afastado da male gaze, conceito que coloca as artes visuais em torno do espectador masculino, a brasileira cria verdadeiras mandalas femininas. "Minha tentativa é mostrar a nudez, a suavidade, a força e o erotismo na sua natureza mais expurgada do olhar do outro, sem voyerismos, apenas uma fantasia" explica. O prazer da masturbação, os movimentos e as reações do corpo da mulher são envoltos por elementos da fauna e da flora, para retratar um universo o mais natural possível. Os desenhos são feitos com lápis, nanquim e aguada. A fase de colorização é feita após a artista digitalizar as obras, que são impressas em canvas. 

@Nudegrafia 

Grande sucesso do Instagram, este artista brasileiro (ou seria artista?) – que não se identifica na rede – revive os quadrinhos com uma honestidade intrigante das mais diversas posições sexuais. Guido Crepax, Milo Manara e Moebius (pseudônimo de Jean Giraud) são as principais fontes para a fidelização da estética de suas ilustrações. As cenas nos fazem lembrar momentos eróticos com nossos parceiros, ou até fantasias que não chegamos a realizar. "Os espanhóis foram os meus primeiros seguidores fiéis. Depois vieram os portugueses e aí os brasileiros. Ainda somos um povo muito conservador, meu ID já foi denunciado algumas vezes", relata, mesmo enfatizando que o público varia entre os amantes de soft e de hard porn. Sobre o anonimato, diz: "Nelson Rodrigues já dizia que a parte mais indecente do corpo humano é o rosto. Esconda-o e poderá mostrar todo o resto". Nudez descarada! 

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@ApolloniaSaintclair_

Ultramisteriosa, Apollonia é bem conhecidas entre os que curtem ilustração erótica - mas ela também não revela sua verdadeira identidade. Puxando para o lado das fantasias mais obscuras, com um quê fantástico, a artista possui um arsenal de situações que, vezes parecem corriqueiras, vezes parecem ter saído de um quadro de Salvador Dalí ou de um filme de David Lynch. Suas criações mexem com o lado mais animalesco do ser humano, derivando no uso de bichos, como macacos e polvos, representando o sexo masculino nas cenas. As ilustrações em preto e branco ainda resgatam uma estética noir bem sexy, colocando a mulher como centro do prazer e da auto-satisfação. O ato do sexo em si não aparece tão regularmente, mas sim a construção de todo um ritual erótico. Todo esse universo sem limites já virou estampa de bolsa, roupa de cama e o livro Erotic Synergy, das escritoras Sasha Lewis e Diane Wright. 

@NatalieJhane 

Essa ilustradora norte-americana já caiu nas graças de grandes publicações internacionais com suas mulheres livres. Seus desenhos brincam com o limiar entre a inocência e a falta de pudor, identificado até dos traços simples e materiais usados para criar. Porém, nada de servir como um erotismo da mulher querendo conquistar o homem, mas no poder do feminino de escolher a sua forma de sedução. Seja por meio da lingerie, representada com corpetes e cinta-liga, ou por meio das atitudes e posições provocadoras. Isso tudo sem necessariamente revelar uma figura masculina – normalmente só aparecem objetos em formatos fálicos.

@PollyNor 

Tirando qualquer estereótipo machista da imagem à sua frente, Polly Nor ilustra as mais diversas situações do cotidiano feminino, com uma pitada humorística que beira a ironia. A londrina, formada em ilustração pela Loughborough University busca por meio dos seus desenhos tirar a visão objetificada tediosa da mulher. Suas criações lembram charges antigas, que não dão valor à estética perfeita, mas sim ao conteúdo das imagens. Ressacas, emoções, sexualidade e relacionamentos são alguns de seus temas, sempre brincando com a imagem do demônio, que pode ganhar inúmeras interpretações - com a leveza de quem goza sorrindo. 

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Créditos

Imagem principal: Sabrina Gevaerd

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