Na semana passada, uma loja da grife Marc Jacobs amanheceu pixada em Nova York. O grafitti foi feito em tinta rosa com letras garrafais onde se lia a mensagem ART. Em menos de um dia, antes do fim do expediente da mesma loja, a marca se apropriou da pixação em suas vitrines e criou uma camiseta customizada da marca que não saia por menos de US$ 600. E adivinha só? O produto vendeu que nem água.
Acompanhe passo a passo o que aconteceu, no relato de nosso atento informante William Taciro, que mandou uma linha do tempo do acontecimento para a Trip.
O selvagem processo de comoditização da subversão
Na terça passada (08), a fachada de uma loja Marc Jacobs do Soho (NY) amanheceu pixada com a palavra ART:
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A fachada pixada da Marc Jacobs (foto do site Jeremiah's Vanishing New York)
Na hora do almoço, Marc Jacobs se apropriou do graffiti, apresentando-o como obra de Art Jacobs no Twitter:
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O tweet de Jacobs provocou a resposta do principal suspeito, o grafiteiro francês Kidult, que assumiu a autoria do graffiti uma hora depois de "Art Jacobs":
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Mais uma hora e Marc Jacobs seguiu com o ready-made, "instagramizando" um detalhe do graffiti (foto abaixo).
Dez minutos depois, o mesmo detalhe, sem efeito do Instagram, foi tuitado pelo grafiteiro, anunciando o embate "Kidult x Marc Jacobs".
Reprodução Instagr.am
No fim do dia 08, Marc Jacobs anuncia uma camiseta com a foto do Art Jacobs por US$ 689:
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Camiseta produzida pela Marc Jacobs
No dia 11, um estúdio de design anuncia sua meta-camiseta por US$ 35:
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A meta-camiseta produzida por estúdio de Design para colocar lenha na fogueira da briga
No dia 14, Kidult posta uma foto da camiseta no interior da loja de Marc Jacobs, que ele chama de "bandido burguês":
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Finalmente, no dia 15, Kidult anunciou sua camiseta com tipologia Jacobsiana por US$ 10 e uma foto onde aparece grafitando, provando a autoria da pixação:
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A versão de Kidult para a camiseta
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O caso foi parecido com o que aconteceu em 2008 entre a hoje dispersa banda britânica Crass, ícones da segunda geração do punk britânico, e o jogador de futebol David Beckham. O ídolo do esporte apareceu em um evento aberto à imprensa usando uma camiseta com o logotipo do Crass cravejado de lantejoulas, supostamente produzida pelo designer Jean Paul Gaultier. Penny Rimbaud, baterista da banda e até hoje militante dos ideais anarco-punks, ficou possesso ao ver o símbolo de sua banda sendo usado como fashion statement. Ele relembrou o caso em entrevista ao L.A Weekly: "O caso David Beckham foi realmente hilário e irônico. Eu não consigo imaginar que ele saiba o que é o Crass. Talvez ele até saiba quem somos. E nós não registramos nossa marca para evitar que isso aconteça, mas Beckham registrou sua própria imagem, que hoje é protegida por copyright. Por isso eu até quis fazer algumas camisetas com o desenho dele usando uma camisa do Crass, o que seria hilário. Mas o melhor a fazer é deixar pra lá e não dar audiência para essa gente. "
Se você também não gosta de ver grandes corporações se apropriando de criações artísticas e se interessou pela história do Crass não deixe de assistir o documentário Crass: There Is No Authority But Yourself, contando toda a trajetória da banda e da comunidade autônoma encabeçada por Rimbaud e alguns dos ex-companheiros de grupo. O filme holandês está disponível na internet e você pode assistí-lo de graça logo abaixo.




















