VONTADES
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VONTADES
Agora nesse meu posto, cheio de impostos e contas a pagar, sem emprego fixo, vivendo de correrias, com esse sorriso anêmico afivelado na cara, falo em vontades e esperanças. Essas febres imperiosas.
Vontade de confiança. Sociedade só é possível tendo por base confiança. Confiamos que o patrão vai pagar e o patrão confia que faremos o melhor trabalho que formos capazes. Corrupção é o contrário de confiança e o fim do contrato social que assinamos ao primeiro grito de desespero fora do paradisíaco útero materno.
Vontade de confiar no outro, na natureza, em Deus, em nós mesmo e fechar os olhos em paz…
Vontade de conhecer, de saber, de desenvolver potencialidades, que me fez e faz devorar livros e acessar todas as fontes possíveis de conhecimento. Vontade que não cessa e não tem patamar. Um conhecimento leva ao outro e com os dois concluo um terceiro, dialeticamente.
Vontade de dignidade, que me faz exagerar no esforço contínuo de manter a respeitabilidade a qualquer preço. Essa é uma das partes mais sensíveis de meu ideário. É onde fui mais cego, fraco e claudiquei mais vergonhosamente. Hoje é a pele mais fina, onde o exagero nunca é exagero; antes é cuidado.
Vontade da opção. De sempre ter alguma idéia a mais que salvará. De acreditar que as opções só vão acabar quando eu deixar de procurá-las. Fome louca e mente aflita de quem perdeu várias viagens, mas não ainda a estrada e nem a vida. Porque tudo é assombro, o silêncio nunca disse nada e as folhas continuam caídas lá no quintal…
Vamos nos conduzindo pelos desencantos que se constituem em nossas realidades existenciais, cheios de vontades e esperanças que ecoam como trovões distante a riscar o céu de dourado…
Luiz Mendes
08/06/2009.
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