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‘Vai, mas não cai não’

O montanhismo no Brasil vive um momento favorável

Por Redação

em 21 de setembro de 2005

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Há cerca de quatro anos, três montanhistas, enquanto escalavam a Pedra da Boca, avistaram ao sul uma cadeia de montanhas na qual um monólito rochoso se destacava. Meses mais tarde, voltaram à região e conquistaram a primeira via na Pedra Riscada, em São José do Divino, MG, região pródiga para os amantes da escalada tradicional.
Há quatro meses Ralph, Edgardo e Emerson voltaram à montanha para explorar uma segunda via. Na mesma época, numa outra face da Pedra, outros cinco escaladores, Márcio Bertolusso, Chander Cristian, Leandro Oliveira, Oscar Andres e Breno Azevedo, acabaram abrindo a via que se tornaria a mais extensa brasileira, com 1.260 metros.
O grupo levou oito dias e cerca de 300 quilos em equipamentos e mantimentos para chegar ao cume. Considerando que esse volume incluía água para uma semana, grampos de segurança e 600 metros de corda, levaram o mínimo necessário a fim de ganhar velocidade. Também para ganhar tempo, e limitados por raros buracos e fendas para utilização de equipamentos móveis de segurança, realizaram passagens de até 60 metros entre os grampos que eram fixados, aumentando a exposição e o risco na subida.
Mesmo acelerando, no sexto dia a equipe encarou ventos de até 70 quilômetros por hora e chuva, e o ataque ao cume teve que ser adiado. Enquanto isso, água e comida terminavam. No sétimo dia o clima não estava muito melhor, mas entre agüentar a fome ou desistir do cume, eles preferiram o regime. Chegaram ao topo dois dias depois do previsto, com fome mas felizes. O tempo continuou ruim, garantindo outra aventura na descida.
A via, batizada pelo bordão mais ouvido durante a subida e título da coluna, não está entre as mais difíceis do país. Também não havia nenhum grande nome do esporte entre os integrantes do grupo, o que os próprios fazem questão de destacar. Fizeram pelo desafio, pelo prazer da conquista e para abrir mais uma opção aos colegas praticantes.
O montanhismo no Brasil vive um momento favorável. Antes concentrado nas regiões Sul e Sudeste, hoje o esporte se espalha por todo o país. Montanhas são descobertas e vias são abertas. Academias de ginástica oferecem a opção das paredes artificiais, e a Casa de Pedra, maior espaço para escalada ?indoor? da América Latina, promete inaugurar outra área, ainda maior, em 2003. Além disso, ou por isso, a grande mídia tem dado mais atenção ao assunto e o número de veículos especializados cresce.
Assim, os resultados têm aparecido. Em setembro, Thiago Balen e Guilherme Zavaschi abriram no Pico do Segredo, em Caçapava do Sul, RS, a primeira 10 A, nível máximo na escala de dificuldade do Estado. Outros dois brasileiros, Guilherme Cetani e Roman Romancini acabam de voltar da Bolívia onde fizeram a Cabeça do Condor. E no Campeonato Sul-Americano de Bolder ? modalidade sem corda disputada em paredes baixas, com dificuldade concentrada ? disputado no Chile há duas semanas, os brasileiros conquistaram as três primeiras colocações na principal categoria, com Diogo Ratacheski em primeiro, seguido por André Berezoski e Eduardo Carvalho.
O cenário só não está melhor devido à segurança no Rio de Janeiro. Maior centro urbano de escalada do mundo, grande parte do sistema de proteção fixo instalado é caseiro e data da década de 60. Mas, risco maior mesmo é virar alvo dos fuzis, hoje brinquedo comum nas mãos dos habitantes dos morros cariocas, privando milhares de praticantes daqui e de fora de algumas das vias e vistas mais lindas do mundo.

Havaí
Renan Rocha e Guilherme Herdy já foram eliminados do WQS seis estrelas em disputa em Haleiwa. A prova, decisiva para o ranking, abre a Tríplice Coroa, completada com as do WCT em Sunset e Pipeline.

Havaí 2
The North Shore Project, não se espantem, é um reality show que será rodado em uma casa em Rock Point. No melhor estilo Big Brother, sete convidados entre eles Sunny Garcia e Damien Hobgood terão suas intimidades esmiuçadas.

Havaí 3
Garantindo que sua aposentadoria será nas ilhas, o hexacampeão mundial Kelly Slater acaba de ser homenageado com a chave da cidade e nome de rua, Slater Road, em sua terra natal, Cocoa Beach, Flórida, onde diz, sempre viverá.

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