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Desenhe um cientista

Stevens Rehen, neurocientista, professor da UFRJ e diretor de pesquisa do Instituto D’or, foi nosso editor convidado na Trip com ciência

Desenhe um cientista

em 10 de maio de 2018

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O brasileiro curte ciência e acredita que a vida vai melhorar a partir de novas descobertas, entretanto, cerca de 90% deles não sabem o nome de um único cientista ou instituição de pesquisa local.

É preciso mais investimento? Sim, a sociedade tem essa noção também, porém, não se manifestou quando mais da metade do dinheiro da ciência brasileira foi para o saco, por decisão do governo. Tampouco entendeu quando o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações foi rebaixado a uma coordenação sem nome no Ministério das Comunicações.

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A falta de engajamento é consequência da incompreensão sobre como a ciência muda o mundo, todos os dias, e de que seu impacto sobre a vida chega rapidamente quando o conhecimento é gerado dentro do próprio país.

Cabe aqui a mea culpa daqueles que buscam comunicar ciência. Salvo raras exceções, a divulgação segue hermética. E para curtir ciência é preciso se identificar com ela, conhecer seus personagens. Esse é o único caminho.

Todos conversam sobre futebol, política, sexo e economia, mas não conseguimos fazer com que se fale de ciência. Além de ser divertido saber da possibilidade de criar música com sequências de DNA e de produzir um hambúrguer sem matar a vaca, ou que transplante de fezes pode fazer bem, decisões importantes em nossas vidas dependerão cada vez mais de um mínimo de conhecimento científico. Hoje vivemos quase o dobro do tempo daqueles que nasceram em 1900 e daqui a pouco nem o dinheiro será o mesmo.

No Brasil, pessoas matam e morrem por causa da Cannabis, enquanto na Califórnia a mesma erva é transformada em remédio e bebida para atletas, graças à ciência. A boa notícia para nós é que, aqui, empreendedores, pesquisadores e pessoas comuns estão fazendo de tudo pela regulamentação. Não há justificativa científica para proibir a maconha.

A ciência aproxima surfistas, religiosos e punheteiros. Afinal, o cérebro é huma-no e, na prática, todos querem mesmo é alterar a própria consciência.

Diversidade e liderança feminina nos farão melhores cientistas e o renascimento das pesquisas com psicodélicos é realidade no Brasil.

A ciência é internacional, mas seus benefícios, não necessariamente. Existem aqueles que usufruem das novidades e dos royalties, e outros que pagam por eles. Assim como fazem os países desenvolvidos, para internacionalizar a nossa ciência é preciso internalizar a ciência internacional dentro do Brasil. A revista conta a história de mais de dez pesquisadores com destaque no exterior, mas radicados no Brasil. Só por isso já fez diferença.

Em tempos de analfabetismo científico, fake news, velhas e novas guerras, o (meu) sopro de esperança está em iniciativas como esta. Há 32 anos, Paulo Lima e equipe pensam fora da caixa e agora levam para fora da torre (de marfim) a nossa ciência. O segredo é descomplicar o papo, de forma criativa e inovadora, marca do projeto Trip.

Só a ciência salva – e o amor também, está cientificamente comprovado.

 

Stevens rehen, editor convidado

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