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Mais Três Solteirões e um Bebê

Adam Sandler "ameaça" remake de comédia e levanta uma questão importante: Quem pediu?

Adam Sandler em Golpe Baixo, o melhor entre seus remakes

Adam Sandler em Golpe Baixo, o melhor entre seus remakes / Créditos: Reprodução


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Adam Sandler é um ator que divide as opiniões dos cinéfilos de plantão. Em um de seus poucos papéis não-tão-cômicos levou o prêmio de melhor ator no Festival Internacional de cinema de Gijón, na Espanha, graças à sua atuação no filme Embriagado de Amor, de Paul Thomas Anderson (Magnólia). Fora isso, você o conhece das comédias pastelão O Garoto da Água, Um Maluco no Golfe e das comédias românticas da linha de Como se Fosse a Primeira vez. Desde 1999, ele passou a participar muito mais ativamente da produção de seus filmes com a Happy Madison, companhia cinematográfica fundada por ele e que toca os projetos mais recentes de Sandler.

É através dessa produtora que Sandler pretende produzir um “remake” (ou refilmagem) do sucesso de bilheteria Três Solteirões e um Bebê, de 1987, estrelado por Tom Selleck, Steve Guttenberg e Ted Danson. O filme, que já passou à exaustão por aqui nas sessões vespertinas de filmes na TV aberta nacional, arrecadou quase US$ 170 milhões na época do lançamento original, o que pode explicar a vontade de Sandler de repetir a fórmula para mais um sucesso absoluto de público. De acordo com o site MovieWeb, o comediante e produtor já teria até um trio de atores para o papel, formado por velhos colaboradores do ex-Saturday Night Live: Chris Rock, Rob Schneider e David Spade.

Poster original de Três Solteirões e um Bebê
Poster original de Três Solteirões e um Bebê / Créditos: Reprodução

O problema, se for para escolher o maior, não é tanto de Sandler quanto da indústria de Hollywood. Desde 2009, se aprovam a torto e a direito novos roteiros para velhos filmes, repetindo velhas fórmulas e velhas histórias em refilmagens que na imensa maioria das vezes são piores, menos interessantes e incomparáveis com as suas versões originais. Claro que há exceções que comprovam a regra, como o excepcional Onze Homens e um Segredo de 2001 (original de 1960), Bravura Indômita de 2010 (original de 1969) e até o engraçadíssimo Um Dia de Louco, estrelado por Steve Martin (do qual o próprio Sandler participa) de 1992, remake do filme francês Le Père Noël est une ordure, de 1982.

Menos nova do que a ideia para um remake são as outras refilmagens que Sandler já capitaneou. A começar por A Herança de Mr. Deeds, a versão “caipira” de O Galante Mr. Deeds (1936), uma recriação absolutamente estéril da comédia estrelada no original por Gary Cooper e Jean Arthur. Depois foi a vez de Golpe Baixo, cujo original é de 1974. Essa é uma cópia atualizada do filme de mesmo nome estrelado por Burt Reynolds, que vive o técnico Nate Scarborough na versão de 2005 e o quarterback Paul Crewe no original. Mais recentemente, Esposa de Mentirinha (com Jennifer Aniston) chegou ao cinemas como adaptação de Flor de cacto (de 1969), um filme que por sua vez foi adaptado da peça de mesmo nome escrita por Abe Burrows.

Em todos os casos, a versão atualizada de Sandler deixou a desejar para os originais. Agora, imaginar uma recriação fiel do clima de Três Solteirões e um Bebê em uma época quando o estereótipo de “solteirão cobiçado e bonitão” de Tom Selleck migrou para o “quarentão, acabado e sociopático” de Charlie Sheen, é bastante complicado. E convenhamos, um grupo de três amigos que se vêem obrigados a cuidar de um bebê não é uma premissa tão complicada assim. Era mesmo necessário tornar o projeto um remake? Por que não uma nova história, diferente, com nome diferente, que gire em torno do mesmo problema? 

Para esse filme dar certo e se tornar minimamente comparável ao já clássico Três Solteirões original, só se Sandler e sua equipe arrumarem um diretor mais icônico e folclórico do que o do filme original, o que será bem difícil de conseguir. Afinal, quem pode superar uma comédia clássica que já passou na televisão mil vezes e ainda é dirigida por ninguém menos que o Dr. Spock original, Leonard Nimoy? Talvez o próprio Mark Hamill de Star Wars? Ou o invencível Chuck Norris

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