Inédito: grampo revela conversa entre Jabor e Mainardi*
Extra! Veio à tona finalmente a conversa telefônica entre Diogo Mainardi colunista da Veja e Arnaldo Jabor, do Jornal Nacional, O Globo e Estadão.
J – Alô?
M – Quem fala?
J – Como quem fala, você que ligou!
M – Foi você quem me ligou. Mas, espera aí, conheço sua voz… Você é aquele que consegue emitir opinião no Jornal Nacional…
J – Sim, sou eu mesmo. Eu conheço você também. Eu assisti você no programa do Jô. Você é aquele que escreve na Veja e odeia o Brasil.
M – Espera aí. Eu não odeio o Brasil e também não transmito direto do Brasil nenhum programa que chama Conexão Manhatan…
J – Mas que visão estreita, Diogo. Não é à toa que todos falam mal de você. Você me lembra um amigo americano que não sabe por que o mundo inteiro odeia os EUA. Eu sempre digo para ele que é justamente por isso que o mundo odeia os EUA.
M – Ah, Jabor! Corta essa. Você já repetiu esse argumento n vezes na sua coluna. Não vai fazer isso de novo…
J – Ah, Diogo, enche o saco, às vezes, ter que escrever toda semana. Se o argumento é bom, por que não repetir?
M – Mas tem tanta coisa por aqui para ser criticada…
J – Como o camarote da Brahma?
M – É.
J – Genial, vi que você disse na sua coluna que prefere tomar uma pedrada a ter que voltar ao camarote. Mas, Diogo, aqui entre nós, será que você não imaginou que iria ser assim? Ou você nunca viu nos jornais as fotos do camarote?
M – Não leio colunismo social. Sou contra. É a maior vitrine de futilidades siliconadas de cabeças airadas.
J – Opa! Mas eu vi você na Caras, quando estava promovendo seu filme.
M – Eh, mas eu pedi desc… Aliás, escrevi no meu jornal que fui obrigado a tirar a fotos com celebridades das quais nunca tinha ouvido falar. Disse até o nome delas, foi genial!
J – Ah, então você não pega dinheiro público, mas sai na Caras…
M – Mas o que uma coisa tem a ver com a outra?
J – Nada, mas dá um ótimo título de coluna: ‘A Lei Rounet e a Lei de Caras‘
M – É, Jabor. Todo o mundo tem que fazer sua cota de sacrifício…
J – Isso me lembra de uma cena de um filme meu. Começa com um locutor de telejornal contando sobre um fosso de merda que abriu no Congresso.
M – Genial (animado)! Lembra meu filme, quando o empreiteiro corrupto tranca a mulher grávida num quarto para dar o próprio filho para o empreiteiro rival para acabar com a guerra entre as famílias dos dois.
J – Nossa, Diogo, mas que imaginação fértil! De onde você tira suas idéias? Será que você não está assistindo muita novela mexicana enquanto lê jornal?
M – Muito engraçado, Jabor. Muito engraçado.
J – Engraçado mesmo é esse telefonema. Você não me ligou e eu não te liguei. Quem foi então?
M – A Embratel é foda.
J – É culpa do PT que atrasou as privatizações.
M – Não! A culpa é das celebridades. Não agüento mais ver a Ana Paula Arósio. Que 21 que nada, faz um 69!
J – Diogo, a conversa está boa, mas preciso terminar minha coluna do Jornal Nacional.
M – Jabor, desce o pau naquela mulher! Chega de coronéis, chega de corruptos! Fala tudo que você sabe!
J – Não dá, Diogo. Assim vão me tirar do ar…
M – É por isso que eu falo mal do camarote da Brahma.
J – É por isso que eu gosto do colunismo social.
M – Oh, Jabor, vai catar laranja em Ipanema, vai.
J – Diogo, vai catar concha em Veneza.
M – Não vamos brigar, vai. Vamos brigar com os outros!
J – Então tá, Diogo. Preciso ir.
M – Tchau, Jabor.
*Este texto é fictício. Qualquer semelhança com a realidade é mera inspiração.
LEIA TAMBÉM
MAIS LIDAS
-
Trip
Bruce Springsteen “mata o pai” e vai ao cinema
-
Trip
O que a cannabis pode fazer pelo Alzheimer?
-
Trip
Não deixe a noite morrer
-
Trip
Entrevista com Rodrigo Pimentel nas Páginas Negras
-
Trip
5 artistas que o brasileiro ama odiar
-
Trip
Um dedo de discórdia
-
Trip
A primeira entrevista do traficante Marcinho VP em Bangu