por Bruna Bittencourt

Exposição e livro passam a limpo a influência da Califórnia no design contemporâneo, da contracultura e do surf ao Vale do Silício

Você já deve estar cansado de ouvir falar sobre a importância do design italiano ou escandinavo, mas talvez ainda não tenha se dado conta da influência do desenho californiano. O filho mais óbvio da Califórnia é o iPhone, mas a importância do design de lá é muito maior que o aparelho da Apple, como fica claro na exposição California: Designing freedom. Primeira mostra dedicada a analisar a relevância daquilo que é criado no estado norte-americano, a Designing freedom foi concebida, ironicamente, por um museu inglês, o Design Museum, em Londres.

Do LSD ao iPhone, a mostra explora como os ideais da contracultura da década de 60 se transformaram na explosão tecnológica do Vale do Silício. "A Califórnia é um lugar que leva a ideia da liberdade a sério e isso foi traduzido nos projetos e tecnologias que nasceram lá", diz à Trip Justin McGuirk, curador da exposição que deu origem ao livro homônimo, lançado este mês. "Por quase 200 anos, a região tem sido um lugar onde as pessoas vão para começar algo novo, sejam motivadas pela Corrida do Ouro nos anos 40 ou pela busca da fama. É um lugar onde imigrantes são bem-vindos para recriarem suas vidas", diz Justin.

Designing Freedom reúne mais de 200 objetos, divididos em seções dedicadas à liberdade de movimento (das rodovias de Los Angeles ao Google Maps) ou às novas formas que o estado, terra da Disney e de Hollywood, criou para se olhar o mundo (das viagens de ácido até os primeiros gráficos de videogames). Cartazes dos Panteras Negras criados por Emory Douglas, o design radical da revista Ray Gun, assinado por David Carson – que recriou o projeto gráfico da Trip no fim dos anos 90 –, a interface do Twitter e pranchas de surf também estão na exposição.

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O curador lembra que os designers californianos tomaram emprestados ferramentas destinadas originalmente à indústria militar ou a corporações, como computadores e microchips, e os tornaram acessíveis como bens de consumo, democratizando sua tecnologia. "Isso começou na década de 70 com produtos inovadores, como a calculadora de bolso HP-35, e o surgimento da cena do-it-yourself de computadores, com o Homebrew Computer Club", diz Justin, sobre o grupo de entusiatas de PCs do qual fez parte Steve Jobs. "Mas essa cena realmente ganhou força na década de 80 com a chegada do Apple Mac e o começo da computação pessoal."  

Para ele, um dos valores do estado é ganhar dinheiro. "Talvez Steve Jobs mais do que ninguém incorporou a ideia de ser socialmente consciente, tentando mudar o mundo, mas também de se tornar um bilionário ao mesmo tempo. Esta é uma das características californianas: os ideais e as boas ideias devem se tornar um negócio lucrativo."

Créditos

Imagem principal: Luke Hayes/Divulgação

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