Uma câmera na mão e
uma dança na cabeça

por Bruna Bittencourt

Em espetáculo que estreia essa semana, bailarinos filmam a própria coreografia. Cenas sem corte serão longa de Heitor Dhalia

Não basta dançar: os seis bailarinos de Plano-Sequência/ Take 2, espetáculo que estreia hoje (16/10) em São Paulo, também filmam e são filmados em cena. O novo trabalho da Jorge Garcia Companhia de Dança  é capturado sem interrupção por uma câmera revezada em cima do palco e transmitido em um monitor na entrada do edifício, a Casa das Caldeiras, tombada na década de 20. O público tem a opção de assistir à coreografia pela TV ou seguir os bailarinos pelos 2 mil metros quadrados da Casa que servem de cenário. Enquanto isso, o baterista Éder "O" Rocha (ex-Mestre Ambrósio) cria a trilha ao vivo. No fim da temporada de 12 apresentações, a ideia é que a empreitada vire um filme, sob a batuta do cineasta Heitor Dhalia (À Deriva e Serra Pelada).

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Dhalia conheceu o coreógrafo Jorge Garcia quando começou a frequentar as mesmas aulas de ioga dos bailarinos da companhia, que, à época, já protagonizavam um espetáculo em que se filmavam no tablado. "Fiquei impressionado com a pesquisa do Jorge e ainda mais com a intersecção com o cinema", lembra o diretor. Convenceu-o, então, a filmar e exibir sua montagem em galerias de arte da cidade, como a Vermelho. "Sou uma espécie de provocador do Jorge", diz Dhalia, que ajudou o coreógrafo a adaptar seu elenco para criar o projeto do filme em plano-sequência. "Tivemos que aprender como passar de mão a câmera, diminuir o impacto e manter o enquadramento", conta Jorge. Para evitar imagens tremidas ou passagens bruscas, os bailarinos fizeram workshops de fotografia, dramaturgia e luz (o cenário se restringe a lâmpadas de LED). Também filmam sobre patins ou arrastados no chão uns pelos outros. 

O encontro da dança com outras linguagens artísticas em cena é a principal proposta da companhia criada em 2005. "Sinto que preciso de outros meios além do corpo. Penso muito cinematograficamente", diz Jorge, que tem no currículo sete anos de Balé da Cidade, além de coreografias do longa Carandiru (2003), de Hector Babenco.
 Entre suas referências para Plano Sequência/Take 2, está Lamento da Imperatriz (1990), de Pina Bausch, mas ele reforça o ineditismo da obra: "Não conheço ninguém que faça o que estamos criando hoje. Não é videodança, não é cinema, não temos uma nomenclatura". 



Vai lá
: 16, 17 e 19 de outubro; 
duas sessões por dia, às 17h e 20h
. Entrada gratuita.
Casa das Caldeiras (Avenida Francisco Matarazzo, 2.000, Água Branca, tel.: 11 3873-6696)

Créditos

Imagem principal: Divulgação / Silvia Machado

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