Determinação
Nosso colunista investiga grandes nomes da História para provar que ?o importante é não desistir?
Por Redação
em 10 de abril de 2006
Thomaz Alva Edson, depois de 2000 tentativas para encontrar um filamento que desse luz à lâmpada, foi acusado de fracasso pelos seus detratores. Respondeu afirmando que não havia fracassado e sim que encontrara 2000 formas de fazer uma lâmpada. Apenas não havia encontrado uma que funcionasse.
Sabemos hoje que, em sua luta pela iluminação, descobriu, meio que ao acaso (jamais sem querer), o gramofone, antepassado de nosso CD player. Registrou quase 2000 patentes de inventos em seu nome por conta de suas buscas e tentativas. Imaginemos, a partir daí, a luta para Marconi inventar o rádio e a de Graham Bell ao criar o telefone.
E os grandes navegadores? A história nos conta de frotas de navios que saiam do porto em Portugal e Espanha e passavam cinco, dez anos em alto-mar. Homens indômitos, de uma coragem e determinação que chegavam a parecer loucura. Cristovão Colombo teve que procurar país diverso do seu (era genovês) para que sua teoria sobre a esfericidade da Terra fosse acreditada. As viagens do Brasil a Portugal demoravam de seis meses a um ano, quando não pelo resto da vida.
A maioria dos navegantes naufragava, até que na questionável Escola de Sagres, sob os auspícios do Infante D. Henrique, inventaram a caravela. Esse é o primeiro navio que conseguia navegar contra o vento por conta de suas velas de barlavento e sotavento. A perseverança e a necessidade criaram o sextavante; a bússola; o astrolábio; e demais instrumentos náuticos.
Se lembrarmos daqueles que deram asas ao homem, como Santos Dumont e os Irmãos Grimm, então, conheceremos a inteira expressão do conceito determinação.
A palavra de ordem hoje é atitude. Os jovens das periferias expressam tal conceito dando-lhe sentido de determinação. Emoção imensa me domina quando penso que dessa nova geração, como na teoria das mutações de Darwin, devem sair grandes homens. Superiores em perseverança, compaixão e respeito para com seus iguais.
Imagino, não, mais que isso, é preciso que nesse turbilhão de crianças que freqüenta as escolas públicas esteja a solução dos gravíssimos problemas da humanidade. Poderemos ter um novo Einstein.
Suas descobertas foram tão fundamentais que cada uma de suas realizações teria lhe conferido lugar na história. Revolucionou todos os conceitos de espaço, tempo e gravitação. Mediu e descobriu para sempre a constância da velocidade da luz (300.000 km/segundo). Sua teoria geral da relatividade e da equivalência de massa e energia foi e tem sido confirmada desde sua apresentação.
O mais belo, no meu entender, não o mais útil como para os pragmáticos, de sua atitude foi dirigir-se contra a guerra e emprestar seu nome e energia ao pacifismo. Seu ímpeto e sua paixão pela justiça social eram bases de sua personalidade ímpar. Deplorava qualquer tipo de nacionalismo ou sectarismo, mesmo o de seu povo. Por conta disso e de outros motivos de convicção pessoais, recusou a presidência do Estado de Israel quando esta lhe foi oferecida na bandeja.
Dele provém a reflexão autobiográfica que somente sua modéstia genial podia nos oferecer, e que tem me orientado em minha caminhada por me tornar um escritor: “Apenas 1% do que faço é inspiração, os outros 99% são transpiração”. Vindo de quem vem, o homem considerado o personagem do século XX, creio, não há mais o que falar em termos de atitude, perseverança e determinação.
LEIA TAMBÉM
MAIS LIDAS
-
Trip
Bruce Springsteen “mata o pai” e vai ao cinema
-
Trip
O que a cannabis pode fazer pelo Alzheimer?
-
Trip
5 artistas que o brasileiro ama odiar
-
Trip
A ressurreição de Grilo
-
Trip
Entrevista com Rodrigo Pimentel nas Páginas Negras
-
Trip
Um dedo de discórdia
-
Trip
A primeira entrevista do traficante Marcinho VP em Bangu