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Cabeça desfeita

Jovens decidem parar de consumir maconha para não contribuir com os criminosos

Por Redação

em 21 de setembro de 2005

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O cineasta Thiago Negri, 26, fumava ocasionalmente desde os 15 anos e resolveu abolir a maconha de sua vida há três anos, após assistir ao documentário sobre o tráfico de drogas Notícias de uma Guerra Particular, de João Moreira Salles e Kátia Lund. ?Fui a um debate na faculdade e o João disse que, infelizmente, o filme não causava impacto, não mudava a realidade?, conta. ?Ver a cena de um menino de 8 anos com uma metralhadora na mão causa impacto, sim. Foi aí que decidi parar de fumar.? Uma imagem parecida também foi a gota d?água para o publicitário Gustavo Ortiz, 25. ?No réveillon de 2000, fui ao Rio de Janeiro e resolvi comprar maconha pela primeira vez. Entrei na Rocinha e um menino de no máximo 8 anos me ofereceu uma trouxinha. Fiquei chocado ao vê-lo, sem escola, tendo que tirar a subsistência do tráfico. Lembrei do meu sobrinho de 6 anos. Foi o fim.?
Mantenha o respeito
Usuária por dez anos, a redatora publicitária Luciana Cobra, 25, decidiu abandonar a maconha quando se mudou de São Paulo para o Rio, há cinco meses. ?Aqui as pessoas convivem mais de perto com o submundo das drogas. Não condeno quem use, sou jovem e a maioria dos meus amigos usa. Mas, se as pessoas realmente parassem e pensassem na rede de corrupção que incentivam, com certeza um ?pega? não daria o menor barato.? O publicitário Maurício Gaia, 33, que fumava um baseado de vez em quando, não foi motivado por nenhum acontecimento específico. ?Utilizei um raciocínio econômico: se eu não comprar e outras pessoas fizerem o mesmo, teremos menos armas nas ruas. Aí decidi parar?, explica. ?A maior parte das pessoas não percebe com clareza este vínculo entre drogas e violência. Acham que o governo tem que resolver o problema. É como o cara que joga papel na rua porque espera que algum gari limpe e fica irritado quando o bueiro entope.? Não há contradição nenhuma em ser favorável à descriminação da maconha e, ao mesmo tempo, boicotar o consumo numa situação crítica de violência como a que vivemos. No entender da TRIP, a descriminação ajudaria até mesmo a enfraquecer o tráfico. Se você parou de fumar maconha por causa da violência dos traficantes, mande sua história para a gente: trip@revistatrip.com.br.


(Fabiana Marques e Isabela Mena)

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