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Arte contra a parede

O filme Infamy, que estará no festival Resfest, em SP, retrata a dura vida dos grafiteiros americanos. Seu diretor, Doug Pray, comenta o documentário para a Trip

Arte contra a parede

em 17 de novembro de 2005

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Por Bruna Bittencourt

“Sou um cara de sorte”, diz Doug Pray. “Eu posso mergulhar em temas que me apaixonam e aprender tudo sobre eles.” O público dos filmes do documentarista norte-americano também tem sorte. Pray já demonstrou que sabe mergulhar e escolher os lugares nos quais faz suas imersões. São dele, por exemplo, dois dos principais documentários de capítulos recentes da música americana – Hype! (1996), sobre a explosão e megaexposição do movimento grunge, e Scratch (2001), registro da ascensão do DJ de hip-hop.

Um pouco dessa sorte chega agora a São Paulo. A 9a edição do Resfest, festival itinerante de cultura pop e tecnologia que acontece todo ano em várias grandes cidades do mundo, e passa (pela terceira vez) pela capital paulistana em novembro, tem entre os destaques de sua programação o mais recente documentário de Pray. Infamy é um retrato íntimo de sete conhecidos grafiteiros americanos. “Não é um passeio feliz pelo grafite”, previne o diretor. O filme acompanha o dia-a-dia desses artistas e investiga desde o vandalismo da prática até sua presença nas galerias de arte. “Tentei retratar poucos grafiteiros, e o mais intimamente possível, em vez de fazer um filme sobre a cena e história do grafite como foram Hype e Scratch.”

Mergulhado agora em um documentário sobre caminhoneiros, Big Rig, seu próximo filme, Pray conversou com a Trip antes da exibição de Infamy no Brasil.

O que te levou a filmar um documentário sobre o grafite?
O que realmente me chamou a atenção foi como o desejo dos grafiteiros de continuar a grafitar ilegalmente, e cada vez melhor, domina suas vidas. Em alguns casos, chegam a correr altos riscos só para conseguirem expressar sua criatividade. Não consigo pensar em uma outra forma de arte que seja tão ilegal e tão incompreendida.

Muitos grafiteiros estão expondo seus trabalhos em galerias no Brasil. O grafite também alcançou status de arte nos EUA? Sim, mas isso não é uma relação que me parece positiva. O grafite é ilegal e quando ele é colocado numa galeria, à venda, perde o sentido. Alguns grafiteiros ficam conhecidos em galerias de arte, mas eles ganham a inimizade dos outros. Os que ficam conhecidos, que ganham espaço oficial, não são respeitados nas ruas. E a cultura de arte mainstream americana nunca apreciou realmente o grafite porque quando ele é verdadeiro é também vandalismo e gratuito.

Por que o documentário tem esse título?
Porque infâmia significa ficar famoso por fazer algo ruim. Todos os grafiteiros querem fama – por que escreveriam seus nomes por toda parte? O filme não é um passeio feliz pelo grafite, é um pouco incômodo de vez em quando e bastante honesto sobre o quanto prejudicou a vida daqueles que o praticaram. A palavra infâmia representa o fato de o filme ser mais sobre o que se passa na cabeça desses grafiteiros.

Você filmou dois documentários sobre dois elementos da cultura hip-hop – o DJ e o grafiteiro. Foi proposital?
Não. Adorei retratar o hip-hop em Scratch, mas Infamy não é sobre isso. Ninguém no filme parece achar que o grafite tem a ver com o hip-hop, ainda que eles ouçam bastante esse tipo de música. Foi interessante para mim perceber que muitos grafiteiros nos EUA são skatistas, do movimento punk rock ou heavy metal, mas a grande maioria é só grafiteiro.

VAI LÁ: o Resfest paulistano vai de 25 a 27 de novembro. A programação está no site www.resfest.com.br

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