AM pode
Radinho de pilha colado ao ouvido exercita o ombro, informa sobre o mundo, denuncia os pilantras e ainda vem com gol do Timão
Por Redação
em 23 de maio de 2007
Por Décio Galina Fotos Peetssa
Rotina é rotina. Uma hora você tem mesmo que levantar da cama, se arrastar até o banheiro e depois fazer alguma coisa, nem que seja nada. Não tem jeito. Difícil escapar dessa escala antes de o dia levantar vôo de vez. Então, lá fui para o banheiro, precisava, como todas as manhãs. Mas aquela foi diferente. Diferente porque levei comigo um radinho de pilha, comprado nas Casas Bahia da Teodoro Sampaio por R$ 33. Pus no ouvido assim que sentei e sintonizei o AM. Que beleza. Notícias de bandeja, direto nos tímpanos, antes mesmo de os olhos se acostumarem com a luz.
Comentários ácidos, radialistas metendo a boca no governo, previsão do tempo, calamidades públicas, condição das estradas e dá-lhe bordoadas nos políticos. Enfim, gente fazendo justiça, apontando culpados, apresentando soluções. O botão que muda de estação é uma roleta-russa. Você não escolhe a faixa que quer ouvir: apenas torce para que alguma sintonize. E, acredite, acontece.
Banho e café tomados, hora do ônibus nosso de cada dia. Bumba de qualidade, bilhete único, aquele passeio. O sol bate nos bancos da esquerda, a ponta da antena prateada brilha. Tem gente que olha e pensa que é celular, a turma do fiozinho branco na orelha – alienada numa seleção de cerca de 700 milhões de músicas – repara curiosa. O radinho de ouvido às vezes chia alto e quase mata de susto.
Mesmo com o aparelho portátil colado ao rosto, dá pra acompanhar o papo das moças do banco de trás, uma dizendo a outra que “ele não ligava fazia tempo, pensei que já era…”. Não se perdem também os diversos sotaques do Brasil que entram pela porta da frente gritando a dúvida mais cruel de quem desce a Cardeal Arcoverde pela primeira vez: “Ô, motorista, passa no largo da Batata?”. A passos de entrar pelo portão preto da firma, tirar os óculos escuros e encarar mais um dia de labuta e jogos de dados organizados pela Fidai (Federação Internacional de Dados Italianos), lembro que no domingo o radinho será parceiro de novo, nas arquibancadas amarelas do Pacaembu, momento de entrar em sintonia com a maior emoção do planeta, um gol do Timão narrado pelo mestre José Silvério.
(De cima para baixo) Rádio AM/FM Dynacon da grife esportiva Terceiro Tempo, o preferido pelo repórter (foto). Por R$ 40, na Pola Pilha, tel.: (11) 3816-0310; o modelo RP 52, da Lenoxx, é o rádio AM/FM temido pelos árbitros de futebol. Vez por outra voa um da arquibancada. Por R$ 21, na Lenoxx Sound, tel.: (11) 3217-9953; o pequeno AM/FM de bolso, da NKS, é a definição da descrição. Por R$ 50, na Pola Pilha; o rádio digital Sony Walkman é o de melhor recepção e o mais fácil de sintonizar. Por R$ 179, na Pola Pilha; Rádio AM/FM Dynacon, no modelo simples. Por R$ 40, na Pola
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