A banalização da violência
Quando a demanda gera demanda
Os programadores televisivos, quando questionados sobre o baixo nível e a péssima qualidade de suas programações, sempre tiveram a mesma resposta. Afirmam que ofertam às pessoas o que elas querem. Segundo eles, as pesquisas de opinião dirigem a programação. Não podem fazer por menos. Perderiam a audiência para a concorrência. Sem audiência…
O problema é que quando a oferta atinge a demanda, ela começa a gerar mais demanda para a mesma oferta. Funciona como um moto-contínuo. Um vórtice devorador aberto no espaço. A constância transforma-se em hábito/vício e cria suas próprias necessidades. O que a princípio expressava a preferência das pessoas, passa a contribuir para multiplicá-la.
É o caso desses programas televisivos que expressam as violências existentes em nossa sociedade. O povo deleita-se e assiste com tensão/prazer a teatralização exacerbada da violência que ocorre no cotidiano. Mas na medida em que se exagera na expressão da estupidez, esse “coquetel de sangue” a que as pessoas se expõem diariamente, banaliza-se a violência e se contribui para multiplicá-la.
**
Luiz Mendes
15/09/2011.
LEIA TAMBÉM
MAIS LIDAS
-
Trip
Bruce Springsteen “mata o pai” e vai ao cinema
-
Trip
O que a cannabis pode fazer pelo Alzheimer?
-
Trip
Entrevista com Rodrigo Pimentel nas Páginas Negras
-
Trip
5 artistas que o brasileiro ama odiar
-
Trip
Um dedo de discórdia
-
Trip
A primeira entrevista do traficante Marcinho VP em Bangu
-
Trip
A ressurreição de Grilo