por Clarissa Corrêa

Hoje é Carnaval

Quando era pequena me levavam aos bailinhos de Carnaval. Depois que cresci, devo ter ido a uns quatro, no máximo. Nunca fui fã de marchinhas, folia, bebidas, confete e serpentina. E não gosto de tudo que existe por trás do Carnaval.

Está chegando aquele período do ano onde tudo é liberado, permitido e esquecido. As pessoas esquecem de colocar em primeiro lugar suas próprias vidas, por isso enchem a cara e pegam estradas, enchem a cara e esquecem a camisinha, enchem a cara e dão vexame. Não acho legal encher a cara até perder a consciência. Sempre gostei de beber com responsabilidade, de modo a lembrar o que faço e aconteço. Não gosto de nada que me tire do eixo, que me faça perder a noção e os sentidos. É por isso que não uso droga.

É claro que já passei da conta, já tropecei, já vomitei. Mas me senti péssima com isso e o mais importante de tudo: aprendi. Aprendi a não repetir o erro. Tudo tem limite, inclusive seu fígado e sua vergonha na cara.

Nunca fui daquelas que precisam pertencer à turma. Por isso, se para pertencer a um grupo eu tivesse que ser babacona, simplesmente ficava na minha. Prefiro ser babacona errando por mim, não imitando os outros. Comecei a beber depois das minhas amigas. Beijei o primeiro cara depois que todo mundo. Transei bem depois de toda a turma. Fiz tudo no meu tempo, do meu jeito. E não me arrependo nada. Fico triste ao ver as meninas de 13 anos beijando alguém só porque todas as amigas beijaram. Ou transando pela primeira vez com qualquer mané só porque todo mundo já transou. Fora o povo que mente. Tem gente que diz que fez isso e aquilo e é tudo lorota. Fico triste ao ver homens e mulheres de 30 anos se comportando como se tivessem 10. Carnaval não é orgia, gente. É coisa séria. Não é pega-pega geral.

O fato é que não simpatizo com o Carnaval. O único ponto positivo é que a cidade fica vazia. Então é uma beleza passear, curtir os finais de tarde que tanto gosto, ir na locadora e encontrar a prateleira recheada de filmes bons. Aproveito o feriadão para descansar, ler, colocar filmes em dia, fazer o que gosto e ficar longe das escolas de samba.

A tal festa pagã sempre traz alguma tragédia na quarta de cinzas. Casamentos e namoros que chegaram ao fim por um vacilo, famílias que foram destruídas por um acidente que poderia ter sido evitado, gente que entra em coma alcoólico porque ainda não aprendeu a dizer não para as bebidolas que aparecem na nossa frente como num passe de mágica.

Você gosta de se divertir no Carnaval? Ótimo. Beba, dance, ria, faça o que tem vontade. Mas não esqueça que tudo tem uma conseqüência, que é preciso ter responsabilidade e coerência. E que a vida dura bem mais que algumas noites de folia. 

matérias relacionadas