Pratas da casa: Fernanda Danelon
No papo desta quarta, conheça Fernanda Danelon, editora de conteúdo do Transformadores
1.Fazendo ioga na gravidez do João. 2.Com o João, no último feriado, em Ipanema. 3.Rita e João / Créditos: Arquivo pessoal
Por Redação
em 21 de outubro de 2009
Fernanda Danelon, paulistana da gema, nasceu na antiga maternidade São Paulo. Mas foi em Santos (cidade natal dos seus pais) que passou boa parte da infância. Depois de ter sido flamenguista quando pequena pela paixão ao Galinho. Na adolescência, as raízes italianas pesaram na sua escolha da camisa palmeirense. Foi com 15 anos que a rainha do baile trocou a pompa da festa por uma boa trip de ondas. Logo, essa “torcedora meio fajuta” percebeu que era caiçara de coração.
Fê, como é conhecida por todos, é jornalista por uma causa, se envolve com o seu trabalho. Esse pode ter sido um dos motivos do convite para cuidar do conteúdo editorial do Prêmio Trip Transformadores. O seu jeito calmo e sereno muitas vezes esconde a sua postura firme e fala certeira ao explicar suas ideias. Quando vai contar alguma história fica vermelha de tanto rir. Despojada, parece sentir-se em casa por onde passa. Ela possui um coração de mãe e com o seu carro leva desde a equipe de reportagem e os filhos para a escola até o cachorro para o veterinário. Foi entre as inúmeras tarefas do dia que minha ex-vizinha de bancada parou para responder esta entrevista por e-mail.
Qual o motivo da escolha da profissão?
Eu só poderia ser jornalista. Talvez fosse atriz, psicanalista, paisagista ou até veterinária, mas minha vocação está no jornalismo mesmo. Adoro o que eu faço, me envolvo com prazer nas pautas. E, também, porque desde pequena gosto de ler e escrever, sempre fui comunicativa e curiosa. Também tive uma formação humanista, filha de professor universitário e psicóloga, o que colaborou, né?
Quando e como você entrou na Trip?
Entrei na Trip em novembro de 2007, pra editar a Salada e fazer reportagens pra revista. Quando meus filhos nasceram, fiquei quatro anos sem trabalhar. Aí, voltei como editora de cultura do Publimetro, aquele jornal gratuito distribuído nos semáforos. Participei de toda a implantação do jornal no Brasil, foi muito enriquecedor. Quando completei um ano de casa, o Guilherme Werneck, amigo e antigo companheiro de trabalho, me chamou pra preencher a lacuna do Felipe Luna. Eu aceitei na hora, porque tava puxado fazer jornal diário com duas crianças pequenas e porque eu sempre gostei da Trip, leio a revista desde os 13 anos, sou fã mesmo!
Você se entrega nas suas matérias e aprofunda temáticas mais “cabeçudas”, como alguns intitulam. Como foi feito o trabalho de reportagem da tão comentada matéria “Parir e gozar”?
Ah, essa matéria até que foi fácil. Explico: eu já conhecia os caminhos, as fontes, já havia estudado a pauta antes. Não por razões profissionais, mas por motivos pessoais. Tenho dois filhos e, no primeiro parto, meu médico me fez uma cesárea com 39 semanas, alegando pouco líquido e placenta velha, ainda que a Rita estivesse bem. Eu nem entrei em trabalho de parto e me senti profundamente enganada e frustrada, pois eu sempre quis um parto normal. Então, quando engravidei pela segunda vez, troquei de médico, fiz ioga, garanti o acompanhamento de uma doula e tive um lindo, pleno e maravilhoso parto normal. O João nasceu empelicado, ou seja, dentro da bolsa, que não estourou – o que é raro e sinal de sorte, segundo alguns. E, durante a gestação, eu li mais de 20 livros sobre parto, frequentei congressos, assisti a palestras. Quando a pauta apareceu na Redação da Tpm, a Rê Leão, que conhecia a história, não podia chamar outra pessoa pra fazer.! Além disso, o papo frequente com a Renata possibilitou que a pauta andasse bem, fluida, se adequando à apuração e ao editorial da revista. Depois, as meninas da Arte fecharam com uma linda ilustração e fotos bem realizadas, pra um tema delicado. Enfim, foi um belo trabalho – dá-lhe, minas!!
Nos próximos meses um assunto promete estar em pauta na editora, o Prêmio Trip Transformadores. Nada melhor que uma pessoa envolvida com o social para estar à frente do conteúdo editorial desse evento. Como é realizado esse trabalho?
Confesso que fiquei muito feliz com a proposta de assumir o conteúdo editorial do Prêmio Trip Transformadores. Além de adorar o tema e me envolver com grandes pessoas, que são os homenageados, tenho consciência de que a premiação agrega valores importantes à editora. Assim, não poderia recusar um desafio tão. saboroso!
Você vem da TV. Onde trabalhou antes da editora?
Eu trabalhei em TV por dez anos, sobretudo como repórter de rua. Minha formação foi no jornalismo da MTV. Lá, aprendi a apurar e produzir as pautas, a sair pra captar, decupar e editar as matérias. Eu adorava, porque era um jornalismo jovem, moderno, voltado a cultura e comportamento – o que tenho feito até hoje. O Vitrine, da TV Cultura, também foi um trabalho de que gostei bastante. Eu era repórter, dessa vez on camera, e apresentadora no estúdio, junto com o Marcelo Tas e o Rodrigo Rodrigues, que está por lá novamente. Gostei muito de fazer o Metro também, pois lá os editores fazem tudo, inclusive a diagramação das páginas; e colocar no mercado um jornal, do nada, não é mole não! A equipe daquela Redação cresceu muito profissionalmente e teve uma ótima experiência de trabalho em equipe.

Ah, foram tantas, não dá pra escolher só uma. Eu já passei dois dias no Carandiru; já assisti a uma cirurgia; já voei de balão e paraquedas; fui na casa do Erasmo, do Gil, do Tim Maia e do Duprat; acompanhei o Nanini na coxia durante uma peça; passei um dia com a companhia do Balé da Cidade; tive a felicidade de entrevistar os fofos do Haroldo de Campos e do Guto Lacaz; passeei com o Waly Salomão numa Bienal; e por aí vai. Cada aventura tem o seu sabor especial.
Não é muito fácil não, mas eu já fiquei sem trabalhar, e só cuidar de filho não me satisfaz, foi bom na época em que nasceram, mas hoje eu também busco outras satisfações que não vêm da maternidade.
Eu faço ginástica uma vez por semana, que é o que dá, com uma personal que já virou amiga até, há uns cinco anos. Também ando um pouco com as minhas cachorras. Mas me alongo bastante, diariamente.
Meu hobby são as plantinhas. Adoro jardinagem. Já fiz vários cursos, tenho livros sobre o assunto e o meu jardinzinho, em casa, que é meu xodó. Agora tô ensaiando plantar algumas hortaliças. Também coleciono livros de fotografia, dos clássicos Capra, Bresson e Bertrand passando por Pierre Verger, Cindy Sherman, Cássio Vascocellos e Nair Benedito.
Passear com as crianças, ver um filme com o marido, André, andar com as cachorras, beber com amigas e amigos, cozinhar para a família, cuidar das plantas, viajar.
Hummm. digamos que eu seja espiritualista.
Adoro o filme de Frank Capra, It´s a wonderful life – A Felicidade não se Compra, em português. Com o bom-moço James Stewart interpretando um pai de família falido em véspera de Natal que, magicamente, vê o mundo como se ele não tivesse existido. Delicado, poético, lindo! Clássico dos clássicos, o filme é reprisado até hoje nos EUA na época do Natal.
Desafio: viver em equilíbrio entre o mundo físico e o espiritual.
Sonho: ter uma casinha fora de São Paulo pra fugir nos fins de semana.
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